quinta-feira, 5 de maio de 2011

Cartas amassadas




Escapam-se-me por entre os dedos,
Como gotas de chuva teimosa,
As cartas das minhas saudades,
Que recordam os minutos inolvidáveis,
De tantos instantes vividos,
Felizes alguns, sofridos outros;
Fecho as mãos, ficam papeis amassados,
Transformados num monte de nadas,
Contidos num mundo de sentimentos!
A mente voa, perdida, sem rumo,
Mas ansiosa por algo,
Talvez uma árvore, uma rua
Qualquer objecto que lhe mitigue a lembrança
E retorne com uma luz de esperança!
Abro as mãos, os papéis continuam esmagados
Inertes, sem respostas
Porque o seu conteúdo é passado
E este não volta, nas cartas deformadas,
Pelas mãos que se fecharam, desesperadas,
Pela resposta que veio no silêncio
E ficaram no chão,
Abandonadas!

José Carlos Moutinho

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