domingo, 18 de março de 2012

Este nosso Portugal




Tantos e tantas vezes se canta Portugal,
É verdade que é onde nascemos,
Será que devemos enaltecer de maneira tal,
Onde as agruras são imensas e tanto sofremos?

Dirão muitos que é uma conversa antipatriota,
Talvez um louco, que deva ser internado,
Porém, sempre conheci estes pais na bancarrota
E os políticos com modo de vida folgado.

Sou patriota, amo este jardim à beira-mar,
O que me custa é a exaltação exacerbada,
Houve época em que daria a vida sem pensar,
Porém o que recebemos é esta miséria continuada.

Sou do tempo em que estudar era luxo,
Só acessível a alguns, poucos, privilegiados,
A educação era perigosa se em grande afluxo,
Havia que continuar ignorantes e apagados.

Mudaram os tempos, hoje todos têm canudos,
Antes eram pobres iletrados, hoje são doutores,
A fome grassa e os corpos estão mais desnudos,
Onde só se vence, na política ou por favores.

É deste país de belo sol, mas de alma cinzenta,
Que eu pergunto, porquê tanto orgulho,
A minha idade certamente já não me contempla,
Com a felicidade de sair deste eterno mergulho.

Em tempo de ditadura, não se falava em corrupção,
Era de meia dúzia de famílias, este país,
Veio a liberdade de Abril, que confusão,
Aumentaram os ricos cada um fez o que quis.

Se aumentaram os ricos diminuíram os pobres,
Assim falam as ditas estatísticas irreais,
Que não são palavras de verdades nobres,
Porque as realidades são bem desiguais.

É um pequeno país, mas tem 230 deputados,
Para que serve tanta gente, muitos a dormirem,
A maioria nem abre a boca, são acostados,
E as várias instituições só servem para se eximirem.

Mas viva a nossa terra, viva Portugal,
Que se mudem os homens, prejudiciais,
A Pátria está na nossa alma de modo especial,
Ela é eterna, os homens passam, são mortais.

José Carlos Moutinho

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