terça-feira, 10 de abril de 2012

Chuva miudinha




As gotas desta chuva miudinha que cai
E teimosa molha o meu rosto,
É incapaz de lavar a saudade que me toma,
Nem mitigar esta inquietude insolente,
Que estrangula a minha alma,
Em angústia insistente!

E eu mantenho-me sob aquela chuvinha,
Que teimosa, enregela os meus sentidos,
Toldando os meus pensamentos
Que se perdem no silêncio do nada!

Estremeço a cada gota fria,
Que desliza pelo meu corpo,
Como flagelo da minha vontade!
Sem forças, levo-me pelo desalento,
Perco-me na solidão da minha melancolia!

E a chuva miudinha, insistente e fria,
Teima em acariciar-me maldosamente,
Numa contínua, porém, suave torrente
De gotas, como lágrimas,
Pela amada que se faz ausente,
Nos sorrisos que fascinavam
E nos olhares que se perderam,
Na carência das noites de luar,
Onde se inventavam paixões escaldantes
E se descobria o amor,
Em cada delirante alvorada.

José Carlos Moutinho

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