Diversas

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sonhos das estrelas






Cantam as estrelas felizes, ao luar,
poemas dos encantos belos da vida,
de saudades das noites de embalar,
em especial aquela noite vivida.

No firmamento a festa é celestial,
sussurram alegres todos os cometas,
a festa entrou num ritmo de festival,
aqui na terra dançam as borboletas.

É afinal a felicidade do globo,
que se transmuta em partilha e amor,
onde se tem orgulho em ser-se probo

Será que tudo não passa de ilusão
e se continua na frieza do desamor,
vivendo no egoísmo sem coração...

José Carlos Moutinho

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O vento no meu peito




O vento açoita-me fortemente o meu peito,
com a raiva incontida de noites de tempestade,
no meu coração enfraquecido pela saudade
e alma sofrida pela desilusão!
Estremeço a cada rajada,
que me fustiga o mais profundo de mim,
suspiro na ânsia que a dor me provoca,
em me libertar deste flagelo;
Desfaleço-me na incapacidade
de me revoltar!

Desperto desta letargia infligida,
grito ao céu que me ouça,
que me devolva a alegria do meu viver
e  me faça esquecer
a escuridão dos momentos,
das noites de silêncio
e me deixe ser abraçado
pela suavidade do manto azul do luar!

Cala-se o vento,
Sossega-se-me o coração,
Acalma-se-me a alma,
O luar anima-me em seus braços,
Deixo-me levar nas asas dos sonhos.

José Carlos Moutinho

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

E assim vai este mundo




Quero ser a força que tudo enfrenta,
Com a tenacidade de verdadeiro vencedor,
Detesto tanta maledicência sebenta,
Que vejo por aí, neste mundo de horror.

Gente desalentada que é contra todos e tudo,
Em gestos e linguajar de ofender e magoar,
A cada dia mais me espanto e me quedo mudo,
Sempre com a esperança que algo vá mudar.

Quem muito reclama e perturba, é na verdade
Os que menos motivos têm para o fazer,
Pois vivem normalmente numa outra realidade,
Que não a dos humildes no seu viver.

É um mundo de contrastes assustadores,
Pela vaidade, presunção e desumanidade,
Mais parece uma verdadeira câmara de horrores,
Em que temos de viver com alguma dificuldade.

Mas como sou positivo, espero mudança,
A humanidade um dia, terá no coração só amor,
Depois da tempestade sempre vem a bonança,
É assim que penso e desejo com muito fervor.

Constantemente pela negativa somos confrontados,
Génios que se acham donos da verdade e da razão,
Talvez pela infelicidade de serem seres mal-amados,
Imbuídos de sentimentos, com ódio no coração.

José Carlos Moutinho

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Guerra




Sibilam as balas, como cometas,
que penetram em corpos exaltados,
de ânimos perturbados,
por razões de que nem eles sabem!

Correm assustados, para se abrigarem
onde não existe abrigo,
mas sim desolação nas paredes caídas,
pelos morteiros de canhão!
O sangue escorre por rios de dor,
corpos esventrados,
pela estupidez dos que se acobardam nos gabinetes
e fazem dos inocentes,
os alvos do seu poder e maldade!

Maldita guerra que aniquila as boas vontades
e transforma a paz em tortuosa raiva fratricida!

Crianças que choram os pais,
estendidos pelo chão da morte que não desejam!

A pequenez das mentes dos autores
deste teatro diabólico, sedentos de poder
riem-se no desejo da cena de vitória,
ignorando o povo que morre inutilmente!

Que mundo este, de tamanha crueldade,
de interesses mórbidos,
onde a vida humana não tem valor,
porque os interesses da vaidade
são superiores à própria vida.

José Carlos Moutinho

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

A canoa e o farol




Minha doce garota, minha canoa...
Vem, navega até mim...ao teu farol,
encosta a tua popa ao meu peito
e descansa das amarguras que a vida te tem criado!
Verás, que no remanso das ondas,
que se desfazem em alva espuma aos nossos pés,
te sentirás aconchegada!
Irradiarei a luz que te guiará
e protegerá, por esses mares de tormentas...
E tu em troca, dás-me a maresia dos teus beijos!

No baloiçar da nossa paixão,
estará o embalo do nosso prazer,
juntos navegaremos,
sob o manto do luar
que se reflete no dorso deste mar!
Quando o tempo se fizer bonança,
seremos o fogo do nosso sentir,
na paixão que se acenderá em nossos corpos!

Deixaremos a quimera da parábola
de um farol e uma canoa,
ao entrarmos na realidade,
vivendo este amor em harmonia,
na frescura da areia molhada da praia,
que se faz nosso leito.

José Carlos Moutinho

sábado, 18 de agosto de 2012

Sentimentos




Recorda-se nas margens da sua solidão,
por estradas de paixões ausentes
e pelos atalhos de beijos perdidos,
nas noites de luar apagado!
Esmorecia-se nas emoções adiadas,
pelos desencantos de sorrisos escusados
e das palavras abafadas pelo som do silêncio!

Dias que se moviam na calosidade do tempo,
lentos, pelos instantes sem a luz do amor,
que viesse acariciar o seu peito frio
pelos invernos da melancolia,
que lhe moldava o seu viver,
tolhia o seu sentir!

Tempos de sentimentos nublados
por nuvens de desânimo,
que o manipulava contra os seus desejos!
A felicidade tardava, agarrada aos anos
que lhe endureciam o corpo
e lhe torturavam a alma;
E sofria, num silêncio impotente
pelas amarras que a sua mente permitia.

José Carlos Moutinho

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Cartas de Amor




Em tempos idos...Oh..quanto tempo,
Recebia cartas com letras de poesia,
Que me falavam de amor a contento
E que eu lia com avidez e imensa alegria.

Mas tudo passa nesta vida que corre,
As cartas desapareceram com os anos,
É mais um sentimento que morre
E que deixa saudade e muitos danos.

Mas agora as cartas de amor são mensagens,
Não têm o encanto e o romantismo de outrora
E como agora, tudo na vida são passagens,
Na vez de cartas, apreciemos a beleza da aurora.

Mas que as saudades ficaram daquelas cartas
É uma verdade, que não conseguimos esquecer,
Porque nelas o amor e a paixão eram como marcas,
Que nos moldavam o coração no nosso viver.

José Carlos Moutinho

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Luar de Agosto




Ah...Se eu fosse poeta,
e pudesse recriar o mundo,
faria da vida, o luar de Agosto!
Deixaria que a lua cheia
penetrasse luminosa nos corações,
de tanta gente que sofre
e que o calor deste Agosto,
fosse o abraço e o afago para os infelizes,
o alimento que mitigasse a fome!

Sob o manto deste fascinante luar de Agosto,
faria do chão duro e infértil,
o leito da fartura e da felicidade!

Ah...Se eu realmente fosse poeta
e tivesse o dom divino,
de fazer soltar o sorriso
em bocas fechadas,
pela dor da solidariedade ausente,
seria uma pessoa feliz,
acabaria com todos os males do mundo,
na bênção deste luar majestoso de Agosto!

Mas não sou poeta,
nem tampouco tenho o dom divino,
sou somente um ser, com sorte
de poder olhar este luar de Agosto,
com a tranquilidade do meu sossego,
e, de estômago aconchegado.

José Carlos Moutinho