segunda-feira, 21 de julho de 2014

Quem és tu, Pátria?



Quem és tu Pátria, da lingua que eu falo,
Terra linda aonde eu há tantos anos nasci,
Dentro de mim está a revolta que não calo,
Hoje minha tristeza é maior da que jamais senti.

Patria minha,desde que me conheço como gente
Sempre te conheci  cinzenta, apesar de tanto sol,
Vi os teus filhos partirem, com fome pungente
Buscando outra Patria, outra vida, outro farol.

Fugiam de ti, outrora, pois cerceavas a liberdade
Com campos de concentração, como o Tarrafal,
Hoje dás uma liberdade amorfa, sem verdade,
Emigram doutores, desempregdos, aqui está mal.

Ah…Pátria qual será o teu futuro que vejo incerto,
Perdeste a postura, quiçá a digniddade de antanho,
Eras um Império que o mundo invejava, por certo,
Agora és uma subserviente ovelha no rebanho.

Começo a sentir saudades do tempo da voz calada,
Havia fome, iletrados, miséria,repressão e respeito,
Eras tristemente, pelo mundo, ignorada à descarada,
O que nos esperava da desgraça, eram dores no peito. 

Lamentavelmente hoje não sabemos com que contar,
Ai, Pátria vê se despertas dessa letargia que nos mata,
Que será de nós, perdemos tudo, quem nos vem salvar,
Queremos viver como gente,não submetidos a esta pata.

País da minha lingua, foste Império, glorioso, navegador,
Converteste mundos e povos, tiveste alguma nobreza,
Mas perdeste tudo, de Olivença até ao longinquo Timor,
Minha querida Pátria, hoje não passas de uma tristeza.

Pátria, minha Pátria, tampouco soubeste negociar, na paz
Com os povos que colonizaste, porque a politica te anulou,
Podias hoje ser a força do mundo lusófono, que nos apraz
Preferiste a falsa demagogia, espoliar gente que tanto lutou.

Gostaria ver-te grande, Pátria do meu sol, da minha vida,
Receio todavia, que nos vindouros anos, sejas mediocridade,
Expulsando vendilhões sem alma e de ganância desmedida
Seremos num futuro próximo uma Nação com mais dignidade,

José Carlos Moutinho

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