segunda-feira, 14 de julho de 2014

Rio de desassossego





Sou como um rio de desassossego
e corro veloz e intrépido
pelo leito da minha ansiedade!

Deslizo por entre os canaviais
dos meus sonhos,
com a energia da maré alta
que me navegue a porto de abrigo!

Afasto-me das margens agrestes das mágoas,
abraçado à corrente que me conduz a montante,
sorrio-me nas braçadas que me emergem
das agruras que me sufocam!

Tenazmente vencerei a ondulação
que me afronta na ventania fria, indiferente
ao meu agitado sentir de alma,
e chegarei à praia da minha serenidade!

Com a maré alta,
sou exaltado por sentimentos de esperança,
e navego...
navego sem rumo
no balanceio das agitadas águas dos tempos,
até que a minha essência se acalme
e se refugie
no remanso de mim.

José Carlos Moutinho

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