Diversas

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Adormecera





Eis-me aqui, só, perante as estrelas,
vagueio o meu olhar pelo ocaso
e penso-me sombra viajante
abraçado às asas do invisível
e voo, num voo aleatório por ai,
sem rumo…
é meu companheiro o pensamento
que me sussurra utopias
em forma de sorrisos…

Tento chegar ao horizonte,
onde num beijo extasiante
o azul do céu
se funde com o verde do mar
num abraço hamonioso…
porém, o canto de uma sereia
fascina-me e ofusca-me a visão…

A lonjura é constante,
sufoco-me na maresia
da minha ansiedade
e estendo os braços
procurando agarrar as ondas
da minha imaginação,
mas o seu marulhar
opõe-se ao meu querer…

Penso tocar finalmente
com a ponta dos dedos
no marco de cristais sedosos do porvir
onde o sol se esconde…
Quando repentinamente
em mim, se faz noite,
Adormecera…

José Carlos Moutinho

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Ciclo do tempo



Esmorecia a tarde nos braços do tempo,
solidário, o horizonte deixava-se escurecer
levando consigo a cor do mar
escondida no azul do céu
matizada de amarelo-laranja
do desfalecido pôr-do-sol…

O ciclo do tempo na sua suave rotação
cumpria a missão da mudança
num fenómeno repetido a cada 24 horas
e que a nossos olhos
quase passa indiferente
e só ocasionalmente
nos leva a contemplar
o fascínio da mudança do dia para a noite,
da luz cintilante e calorífica do sol
para a escuridão temerosa da noite
ou até para a clara serenidade do luar…

É a vida na sua pujança
que nos oferece graciosamente
na palma da mão a  fascinante beleza
de uma Natureza maravilhosa
em que nós somos fugazes viajantes
de passagem…

José Carlos Moutinho

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Faço versos



Queres saber de uma coisa  amigo
eu faço versos a ninguém
e entrego-os alegremente ao vento
para que ele os leve consigo
e os ofereça, se quiser a alguém.

Se por acaso o vento que voa
ninguém encontrar pelo caminho,
que deixe meus versos voarem,
talvez alguma pessoa boa
os encontre e os leia baixinho.

Escrevo poemas por gostar
com as palavras crio fantasias,
já plantei metáforas no meu jardim,
colhi rosas com pétalas cor do mar,
boas ou más, gosto das minhas poesias.

Serei sonhador de um mundo irreal,
não me importa o que possam pensar,
sei que sou como sou e gosto de ser,
podem falar bem de mim ou até mal,
jamais, a todos, conseguirei agradar.

José Carlos Moutinho

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Sorrir na tristeza


Se meu coração se entristece
mas o meu rosto sorri
não sei de que mal ele padece
por que eu sou assim e jamais o escondi…

Tantas vezes, eu ao meu coração peço
que se anime e me sorria
terá ele a razão que desconheço
ou será que tem alguma mania…

Desisti de lhe chamar a atenção,
agora obrigo-o a ser sorridente
mesmo que não tenha emoção
é seu dever estar sempre contente.

Juntos somos harmonia de felicidade,
sorrimos os dois ao mesmo tempo
peço a ele (coração) que diga a verdade
por que se tristeza vier, eu a afugento.

José Carlos Moutinho

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Encanto do Luar





É nas noites de luar
que meu coração acalma,
meu sentir deixa-se levar
p’lo sorriso da minh’alma
e das estrelas a cantar.

Sinto-me levitar
em estado de graça,
sou como um astro a voar
que a todos quer e abraça
em doce anseio de amar.

Sou sonhador sim senhor,
não vejo nisso, nenhum mal,
minha essência é amor
não há nada de anormal
em viver neste pendor.

Sou uma alma sorridente
de bem com o mundo,
sou alegria presente
com o afecto profundo
do meu sentir latente.

José Carlos Moutinho

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Saudade em desvario



Ai…esta saudade que me comprime o peito
e atrasa os ponteiros das horas
numa irritante provocação
que deixa a minha memória
em ardente ansiedade
envelhecendo o tempo do meu desejo…

Esta saudade que esvoaça num vai-vem
de pétalas de imagens coloridas
pelos arco-íris felizes de outrora
e que tão de repente se faz folha seca
pela estiagem que o tempo inventou…

Ai…esta saudade que ensolarada me sorri
e me faz docemente recuar no tempo,
que também me entristece dolorosamente
pela ausência dos instantes vividos…

…Esta eterna saudade em desvario
escondida na simbiose
matizada de alegrias e tristezas…
Cruel paradoxo do meu sentir
transformado em indizível
conflito de emoções.

José Carlos Moutinho

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Sonhos desejados





No silêncio que me murmura utopias

Deixo-me envolver pelos braços da solidão

E na quietude do meu sentir

Levo-me em transe nas asas do pensamento

Por entre as altas copas das árvores,

Sorrindo às aves que me chilreiam

Num festim de sons e cores…



Respiro fragrâncias inventadas,

Viajo arrebatado sobre verdes vales,

Cruzo rios de águas mansas,

Descanso nas margens coloridas…



Retomo minha viagem, chego ao mar

Onde absorvo a maresia das minhas ilusões

E navego…

Talvez sem destino

Ou até onde o mar se faz céu,

Deixo-me inundar pelos reflexos do sol

E perco-me em delírio nos sonhos desejados…



Quero manter-me nesta doce irracionalidade

Até que a minha consciência racional

Me desperte desta fascinante letargia.



José Carlos Moutinho

sábado, 11 de julho de 2015

Vento que sopra



Escutei a voz do vento
Que soprava uma canção
De suspiro e lamento,
Como se fosse oração
Do amor em desalento.

No acaso, o vento acalmou
daquele agudo soprar,
suave o sol despontou
para o coração alegrar
a dor que o vento causou.

O sol sorriu encantador
Para o vento acanhado,
Mandou pétalas de flor
Para ele ficar calado
E o céu pintar outra cor.

Sol e vento agora são amigos,
O vento não sopra dor
Nem mais nenhuns perigos
E o sol trará só esplendor
P´ra evitarem castigos.

José Carlos Moutinho

sexta-feira, 10 de julho de 2015



Não sei quem és, nem de onde vens,
serás folha ou lamento,
diz o que de bom tu tens
serás sopro do vento
ou os segredos que contens.

Tuas mãos são rosas
perfumadas de afagos
de belas mariposas,
teus olhos são dois lagos
e teus seios doces prosas.

Deixaste-me por fim,
ver-te inteira e graciosa,
de lábios cor carmim
cara maliciosa
e corpo macio de cetim.

José Carlos Moutinho

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Que sejam felizes



Quando neste mundo eu não estiver,
se acaso em mim, desejarem pensar,
recordem-se do melhor do meu ser,
se meus defeitos puderem perdoar.

Aqui onde o mar se funde com o céu,
vivemos numa correria louca,
onde os egos querem mais do que é seu,
do muito, acham sempre coisa pouca.

Se de verdade são meus amigos
saibam que lá do alto eu vos contemplo
não quero deixar por cá inimigos…

Mas se os houver, que sejam felizes,
com franqueza digo que os lamento
pois não cresceu amor das suas raízes.

José Carlos Moutinho