quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Mudança de emoções




Emudeceram as palavras murmuradas,
Em pétalas de melodias;
Apagaram-se os sorrisos,
De malmequeres iluminados;
Os abraços foram trocados pelo vazio,
Das ausências perdidas na distância,
Do tempo que se vai escoando;
Os beijos que sufocavam a razão,
São hoje imagens presentes,
Obscurecidas por nuvens de mágoas;
O vulcão do seu corpo, lava incandescente,
Congelou na lembrança do desejo esmorecido;
Os gemidos na sensualidade das noites de prazer
Tornaram-se gritos sufocados,
No peito dorido da saudade;
A luz cintilante daqueles dias de outrora,
São hoje sombras que vagueiam sem rumo;
O encantamento dos luares,
Que abraçavam as noites de encantamento,
Desfaleceram nas pálidas brumas
De um mar de navegantes desilusões.

José Carlos Moutinho

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Anseios e desatinos




Levo-me por caminhos de ausências sentidas,
Quero soltar a minha alma ao vento,
Gritar ao sol que me ilumine,
Respirar o ar que me acalenta a solidão,
Abraçar os dias que me curam as mágoas!
Penetro nas florestas dos meus anseios,
Busco as respostas da minha insegurança
E encontro silêncios, despertados
Pelo chilrear das aves,
Que partilham o só do meu estar;
Procuro no cintilar dos raios,
Filtrados pelas ramadas das árvores,
Onde está a minha quietude...
Só encontro o vazio,
Oscilado pela brisa que suavemente me toca,
Sem me dar respostas;
A minha ansiedade,
Transforma-se em desassossego,
Que grita dentro do meu peito
E me sufoca em angústias desconhecidas.

José Carlos Moutinho

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Encantadas utopias




Vêm com o vento, murmúrios
Sussurrados pelas folhas que esvoaçam,
Numa coreografia de fascinante equilíbrio,
Mostrando que o cosmos que nos rodeia,
Nos transcende na compreensão,
Das coisas simples;
E os sons tornam-se melodias,
Envolvem-nos numa aura,
Que nos aquieta a alma;
A brisa agita-nos suavemente o sentir,
Amornado pelo sol,
Que surge lá longe, no horizonte
Aureolado em visão encantada;
As árvores sorriem-nos dóceis,
Partilham o nosso estar;
As cores vão-se acentuando,
No cintilar da luz que se agiganta,
Anima semblantes fechados,
Pela insatisfação de quererem mais
Quem já tanto tem;
E o universo segue impenetrável,
Com as flores que cantam
Nos seus perfumes inebriantes.

José Carlos Moutinho

domingo, 20 de novembro de 2011

Divagações




Lembranças de alegrias passadas,
Esvoaçadas nos perfumes que flutuam no ar,
Abraços não concretizados,
Em momentos de inconsequência;
Paixões que surgem na memória
Das nuvens que nos envolvem;
Beijos dados sem emoções,
Outros, sugados no calor dos sentimentos;
Horas perdidas em desatinos,
Porque a razão as ofusca;
Sois que brilharam e acalentaram amores
Intercalados, por cinzentos dias de nevoeiro,
Atormentando o sentir;
Luares que nos embalaram nas ilusões,
Dos prazeres vividos,
A escuridão de céus sem luas,
Que perturbam o viver de mentes cansadas;
Estrelas oferecendo o seu brilho,
Como pontos de referência para o infinito,
Iluminando os caminhos da felicidade;
Alegrias, tristezas,
Amores e ódios,
Tudo se mistura, numa louca tempestade
De marés vivas, que transbordam almas
E perturbam corações navegantes;
Encontros e desencontros,
Nos instantes limitados pelo tempo;
Vivências agitadas, em campos de flores silvestres,
Por esta selva imensa de vaidades,
Deste cosmos perturbado a cada segundo,
De rotação de mais um dia.

José Carlos Moutinho

sábado, 19 de novembro de 2011

Gavetas da minha memória




Abro as gavetas da minha memória,
Retiro papéis velhos amarelecidos,
Revejo livros ressequidos e desbotados,
Pelo tempo, corroídos na voragem dos dias,
Amontoados em anos de emoções,
De muitas ilusões, outras desilusões,
Formando uma manta de retalhos de sentimentos,
Que agora, são relembrados neste abrir de gavetas,
Por tanto tempo fechadas,
Pelos sóis que não abriram,
Ou pelos luares que escureceram,
Ou talvez pelas ondas que deixaram de me murmurar,
Palavras de paixão, nas areias da minha solidão,
Naquela praia imensa de um mar infinito,
Que me fazia navegar em pensamentos,
Sobre um azul cintilante de imaginadas quimeras;
Mas o tempo, cruel, foi apagando essas lembranças
E agora, aqui, com a saudade na alma,
Embrenhado nestes papéis velhos,
Esbatidos e amarrotados,
Vivo os instantes que o Universo me concede,
Na esperança que os sóis voltem a brilhar
E os luares me enfeiticem,
No prateado da sua luz mística.

José Carlos Moutinho