terça-feira, 31 de julho de 2012

Aquela mulher




Aqui neste canto da minha solidão,
onde os meus pensamentos me absorvem
no silêncio dos meus sentidos,
deixo-me invadir pela memória daquela mulher,
Cujas palavras me enfeitiçavam,
no seu doce murmurar
e pela carícia das suas mãos, no seu afagar!

A cada instante do meu recordar,
surge-me mais perto, na ânsia do meu querer
e vejo-a no seu elegante caminhar,
em delicado oscilar,
como folha soprada pela brisa!

Os seus cabelos longos e negros
agitados pelo meu respirar,
no abraço que fundia os nossos corpos!

Ah....
Como recordo aquela mulher querida,
de pele morena, aveludada pelo sol tropical,
...O seu rosto de finos traços,
onde brilhavam os seus negros olhos
como estrelas que me iluminavam
o caminho da minha paixão,
a sua boca...
Ai...a sua boca,
...Eu mergulhava a minha!

E nesta minha solidão,
com este silêncio de recordar,
deixo-me voar na saudade,
pelas asas da memória,
porque o passado não retorna!

Onde estará hoje, essa mulher?

José Carlos Moutinho

segunda-feira, 30 de julho de 2012

A ti, quimera



No remanso da minha solidão,
quando a minha mente voa em quimeras,
a tua imagem surge-me no esplendor
do teu encanto que me fascina,
pelo teu sorriso que me beija
e pela carícia das tuas macias mãos, que me afagam!

Encontrar-te, foi como descobrir uma nova estrela,
cintilando no firmamento da felicidade!
Ver-te caminhar, no teu gingar,
de delicada feminilidade,
deixa-me em total abstração do que me cerca!

Suavemente, deslizo a minha mão,
pelo teu loiro e curto cabelo,
que torna o teu rosto jovial
e faz sentir-me adolescente!
Entro carinhosamente
na luz dos teus olhos castanhos
e apertando-te nos meus braços,
pelo calor exalado dos nossos corpos em fricção
entregamo-nos ao vibrar,
do nosso sentir,
alheados da razão.

José Carlos Moutinho

sábado, 28 de julho de 2012

No murmúrio dos búzios




Num azul de fascinante sentir,
o mar vem languidamente beijar
as areias douradas da praia,
onde multifacetados búzios,
murmuram palavras do meu amor,
que me chegam na caricia da brisa,
falando-me da sua saudade!

E eu no meu caminhar,
por este atalho de grãos de areia,
deixo-me enlevar no desejo de a abraçar,
numa emoção que me turva o pensamento
e me inebria o coração!

Revivo aqueles tempos de paixão,
em que nós dois, como um só,
nos entregávamos à partilha do nosso sentir
e nos levávamos em devaneios,
por céus brilhantes de fantasia,
num esvoaçar de sonhos realizados,
que nos faziam tão felizes!

Passaram-se os tempos,
as horas amoleceram as lembranças
e as vivências forçaram a mutação da vida!

Agora, amor, só nos resta esta brisa,
que me traz a doçura das tuas palavras,
murmuradas por búzios,
pela paixão que a memória não quer apagar.

José Carlos Moutinho

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Instantes perdidos




Sento-me nas escadas das minhas recordações,
penso...
Deixo-me levar por caminhos de enlevo,
às carícias das tuas mãos,
que me deixavam em êxtase,
em tempos, que o tempo levou,
mas que aqui, na escadas das lembranças,
a imagem em forma de saudade não apagou!

Sabes, garota...
Sinto falta do teu murmurar palavras singelas,
que se enriqueciam no baú do meu coração
e que a minha alma
guardiã do seu sentido profundo,
as acolhia com o carinho
que elas me transmitiam!

Ah...Instantes que se perderam,
na ausência da entrega dos corpos
onde os sentimentos se libertassem!
Esta vida nas suas voltas,
alheias à nossa vontade,
contraria os nossos desejos
e nos levam a saudades,
onde a melancolia nos invade,
a nostalgia nos domina
e o retrocesso só é possível,
nas miragens da mente entorpecida.

José Carlos Moutinho

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Inquietude




Sou o mar turbulento do desassossego,
Ondas agitadas da minha inquietude,
Escura profundeza da minha solidão!

Esta inquietude que me arranha o corpo,
E provoca emoções díspares.

Sou solitário no meio da multidão!

São confusos os meus sentimentos, sem sentido!

Sou a ânsia da minha ansiedade,
Sou um inconformado, insatisfeito,
Sou o ser que sou...
E não quero ser!

Sou a luz do sol negro,
Que ofusca minhas vontades
De estar e não estar!

Onde será que quero estar?

Sou o torpor a que me entrego,
Querendo libertar minhas ideias;
Ideias escritas nas páginas
De um livro, da minha mente.

Quero ter a liberdade que desconheço!

Quero sair desta agitação,
Que me invade a alma
E me dilacera o coração!

Quero ser a ave, que voa sem destino!

Quero gritar...e ser ouvido...
Pelo menos, por mim próprio!

José Carlos Moutinho

domingo, 22 de julho de 2012

Papoilas vermelhas




Canto ao vento...
Canções de amor
com versos aconchegados,
em papoilas vermelhas de paixão,
abraçados em trigais de amores dourados,
sobre leitos de saudosas lembranças!

O sol deste estio de sentimentos,
acaricia o meu rosto na doce brisa,
entoada pelos chilreios que perfumam a alma
e faz o meu coração sonhar fantasias!

No horizonte, a tarde vai repousando
no remanso da lonjura...
A serenidade que o ocaso me oferece,
evade-me de mim...
Leva-me em sentires etéreos,
por vias lácteas por inventar!

E cantei ao vento...
Canções de amor
com versos aconchegados
em papoilas vermelhas de paixão!

José Carlos Moutinho

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sintonia com o mar




Quando me navego no azul dos teus olhos,
feito mar das minhas doces marés,
esqueço tempestades, ignoro vagas intempestivas
de emoções perdidas no sopro do vento
e deixo-me levar no teu melódico marulhar!

Sinto o teu respirar
como brisa que afaga o dorso do mar
e os teus abraços, são a energia
que o meu corpo recebe,
pelo sol refletido na tua pele,
que invade o meu ser, como ondas
de beijos escaldantes
e que as gaivotas, no seu esvoaçar,
refrescam os nossos ímpetos,
com o bater das suas asas!

O murmúrio da tua doce voz,
na suavidade da espuma das ondas,
que se espreguiça na areia,
deixa-me fascinado na alvura
do teu rosto, que se cola ao meu,
numa entrega absoluta de dois corpos
em sintonia com as mentes,
perdidos em total alheamento do mundo.

José Carlos Moutinho