quarta-feira, 22 de abril de 2015

Mundo de vergonha!





Que mundo é este em que eu vivo
aonde a vida humana não faz mais sentido
que metamorfose está a acontecer
para que haja tanta gente a morrer?
Gente que foge da sua pátria e da morte
para virem perecer longe, ingloriamente,
Que mundo é este de tantas vaidades
que despreza a infelicidade de muitos…
Falam em economia, democracia, liberdade
e são o oposto de toda essa lengalenga falsa!

Que mundo este, Deus, que não Te compadece
ou Achas que esse povo tem o que merece?
Não! Não merecem certamente,
por procurarem o modo de sobrevivência
que lhes é negado nas suas pátrias.
Pátrias de tristeza, discriminação e crenças
que os leva à mais miserável e indigna
condição infra-humana!
Porquê Deus, permites que crianças
tão pequenas, sejam engolidas pelas águas
que as traria à presumida salvação?
E porquê os homens vestidos de nojenta política
nada fazem para solucionar o problema?
Será talvez por que esses desgraçados nada têm,
além da vontade indómita de paz, liberdade e pão!

União Europeia…
União de quê?
de uma cambada de milhares de inúteis
sentados luxuosamente num parlamento que de nada serve!
Tenham vergonha, políticos deste mundo desgarrado
concretamente os desta Europa vazia,
já que pela proximidade com os países
daqueles infelizes têm obrigação de resolver.

Haja vergonha e acabem com este genocídio!

José Carlos Moutinho
22/4/15

terça-feira, 21 de abril de 2015

Estrada da vida




Na estrada da vida
pelo tempo percorrida,
com margens floridas
tantas árvores caídas
em louca corrida.

Quando pensamos serena
a nossa alegre viagem,
algo surge na viragem
desta passagem terrena
tão subtil como a aragem.

Será percalço talvez
ou algum desejo sem vez,
será desígnio findado
escrito como um fado
onde a sorte se desfez. 

A estrada pode ser curta
simbiose de bela e bruta,
há que olhar o horizonte
colher a paz da fonte
por que a vida é uma luta.

José Calos Moutinho

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Sonho ou realidade





Desperto do meu silêncio,
tocado por folhas moribundas
que caem sobre o meu rosto,
sulcado por alegrias esmorecidas!

Não dormia...
fechara-me em mim
alheando-me dos ventos
que lá fora, sopravam
e das vozes tresmalhadas
que em desvario ecoavam pelos ares!

Olho em meu redor,
O sol queima-me o corpo,
suspiro com o pensamento perdido
por desertos áridos
de oásis apagados..

E vejo mares, céus, aves, nuvens
árvores, brumas...
Vejo gente que corre sem rumo,
gente despida de roupa e moral,
mulheres lindas vestidas de vaidade,
homens engravatados de preconceitos!

Sinto o meu respirar ofegante,
sufocado por mentiras e arrogâncias
que se soltam do nevoeiro,
que envolve este mundo aonde vivo!

Desperto desta letargia
que me adormeceu
por instantes de desassossego…

E apetece-me voltar a desacordar-me
porque tudo que senti,
não foi delírio da minha imaginação.

José Carlos Moutinho

domingo, 19 de abril de 2015

Respiro ilusões





Abraçado à quietude de mim
olho os campos verdes
perdidos na distância do meu sentir
e deixo os meus olhos vaguearem
deliciados, pelas cores silvestres!

Calam fundo no meu peito
o trinar dos pássaros!

O silêncio em que me envolvo
faz-me escutar os sons das flores
nos sorrisos de suas cores!

Deixo-me levar na corrente
do rio, que a meus pés murmura
melodias de fascínio e sonho!

Fecho os olhos,
correm pensamentos quiméricos
pela minha mente enlevada,
Sinto uma cálida aragem
que afaga o meu corpo indolente
e respiro ilusões!

Invento miragens no deserto do meu desejo,
navego num mar inexistente
sobre ondas azuis e silenciosas
e sossego-me
nas areias molhadas
pela espuma dos meus suspiros
que se escoam entre os dedos
do meu sonho.

José Carlos Moutinho

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Triângulo de Memórias

Amigos, no dia 6 de Junho, pelas 21 horas será o lançamento do meu romance Triângulo de Memórias, no pequeno Auditório do Fórum da Maia, junto à Biblioteca Dr. José Vieira de Carvalho, na Maia.
No dia 20 de Junho, pelas 21 horas, será a apresentação feita na Casa do Alentejo, em Lisboa.

A vossa presença é fundamental.

domingo, 12 de abril de 2015

Sinto saudades





Sinto saudades das amoras silvestres
escondidas nas curvas do meu caminho
e das brisas que me acariciavam
nas tardes indolentes do tempo,
Ausentaram-se da minha vontade
os chilreios das aves que me sobrevoavam
nos dias cálidos da felicidade,
Sinto frio pela carência dos abraços
levados pelos ventos de outrora!

Sinto saudades das saudades que já tive
que se perderam nas marés da minha viagem,
Escusa-se-me o ar dos sorrisos que já respirei
e os suspiros que do meu peito se soltaram
e os murmúrios de amor
que meus ouvidos escutaram!

Sinto saudades das ondas
que vinham desfazer-se em espuma a meus pés
e das areias das praias das minhas ilusões
que me faziam sonhar paixões,
Sinto saudades das palavras que não disse
e dos instantes que não vivi!

Sinto saudades,
Tantas…tantas saudades
que por não caberem no meu peito
se aninharam na minha alma.

José Carlos Moutinho