terça-feira, 21 de abril de 2026

#SILENCIOSAMENTE

 

SILENCIOSAMENTE
José Carlos Moutinho
Portugal
1/4/2026
 
Medito no recolhimento do meu pensamento,
enquanto a brisa me murmura palavras
de tal ordem serenas
que parecem calar o próprio marulhar das ondas,
suspensas no silêncio da maresia.
 
Deixo o olhar perder-se no reflexo do sol
sobre o manto azulado do mar,
sentindo-me como um vagabundo feliz
que nada mais pede ao horizonte.
 
Os meus anseios inquietos de outrora
regressam a mim nesta acalmia,
em jeito de voo provocador.
 
Todavia, a tranquilidade que agora me habita
limita-se a sorrir;
ignora, serena, a agitação das asas daquela ave
que tenta perturbar o meu momento.
 
A paz — esse fenómeno que parece cair em desuso
neste mundo de hipocrisias e vaidades
abraça-me
com o mesmo silêncio
que antes absorveu os meus sentidos.
 
Pela calçada, em frente ao paraíso onde me encontro,
passa a multidão.
Vejo vultos, desconheço rostos.
Não os ignoro por arrogância,
mas porque, nestes instantes,
sinto-me devidamente aconchegado num mundo só meu. 
Ali, sou o único ser que, silenciosamente, colhe e vive a felicidade.

domingo, 19 de abril de 2026

#VERSOS REPENTINOS

 

VERSOS REPENTINOS
José Carlos Moutinho
Portugal
19/4/2026

Não eram rosas, tampouco cardos,
sequer seriam cravos ou até anseios
talvez fossem, isso sim, tempos pardos
plantados nos campos dos receios

Mas o tempo insistia em deixar-se levar
desiludido nos braços da desesperança
porque jamais conhecera forma de amar,
caminhava devagar, buscando bonança
 
E foi assim, neste constante desatinar
que sobreviveu a violentos temporais
viajando por aqui e por ali, sem parar 
sonhando que a vida lhe desse mais

quarta-feira, 15 de abril de 2026

#EM JEITO DE PENSAMENTO

Deixei de lado o meu orgulho,
para deixar passar a tempestade
no silêncio do meu sentir, mergulho
nas serenas águas da neutralidade

José Carlos Moutinho
15/4/2026

segunda-feira, 13 de abril de 2026

#SIMPLES PASSAGEM

 

SIMPLES PASSAGEM
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Voavam-me sonhos,
pelo silêncio dos dias nostálgicos,
tais folhas matizadas de memórias,

Por vezes, ouviam-se suspiros
que eu desconhecia se seriam de saudade
ou cinzenta melancolia

Havia, ainda, aqueles suaves murmúrios
de brisas cansadas
empurradas pela inquietude do vento
como se houvesse intenção de calar…

…Calar as emoções sustidas pelo tempo,
quando, certamente, alguma mágoa
tenha ficado plasmada
em algum sentimento perturbado...

...por alguma paixão perdida e desatinada
que o tempo ainda não ausentou
daqueles corações mais sensíveis

Passavam nuvens, como plumas
em movimentos de extrema elegância
talvez, desejando lembrar
que a vida é...
simples passagem
 

24/2/2026

segunda-feira, 6 de abril de 2026

#PAVOROSO FILME DA VIDA

 

PAVOROSO FILME DA VIDA
José Carlos Moutinho
Portugal
6/4/2026
 
Já nada sei do que falam
nem dos sentimentos
tampouco sei se a sinceridade existe
em tanta gente
que por este mundo vocifera
e prolifera como erva daninha
nesta grande seara da vida

As colheitas da verdade perdem-se
pela força da hipocrisia e da mentira

Até as flores, antes perfumadas
deixaram de exalar a fragrância da sensibilidade
por terem sido submetidas
aos vendavais da falsidade

Nada sei, sinceramente,
onde encontrar o remanso da paz
se o momento
é de constante ribombar vozes de loucos
a arrotarem poder e maldade

Mas sei...
e muito convictamente,
de que a humanidade está perdida...
...talvez, essa perdição já venha de longe,
porém, nunca foi tão sentida,
com tanta acuidade
como agora, nestes últimos tempos,
Ou talvez seja somente
uma miragem surreal,

de um pavoroso filme da vida…


quinta-feira, 2 de abril de 2026

#MEDITAÇÃO

Meditação

Medito na acalmia do pensamento,
enquanto em meu redor
voam airosas utopias
sinto o perfume inebriante do mar
que me faz pensar navegador de sonhos,
e sulcar marés ensolaradas de imaginações
até que algum porto seguro
me acolha nos seus braços de luz
e me desperte pelo beijo da paz

José Carlos Moutinho
2/4/2026