quinta-feira, 3 de setembro de 2026

#PALAVRAS SOLTAS

 

PALAVRAS SOLTAS 

Deixem que as minhas palavras voem
por aí, sem destino

porque elas são portadoras de sentimentos,
onde se instalaram imensas emoções...

...por isso, pela sua liberdade
deixem-nas voar, na serenidade do seu
propósito
já que elas jamais vos farão qualquer dano
mesmo que as leiam e não gostem.

Porque são palavras singelas,
vestidas de sorrisos,
que somente desejam abraçar os passantes
e a todos que tenham o gosto de ler

Ler poesia, ou ainda que essas palavras
não tenham a honra de o ser
são, certamente,
pedacinhos de momentos privilegiados
de alguém que pensou em vós
 
José Carlos Moutinho 
3/9/2026

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

#CAMINHEI PELAS MARGENS DO TEMPO

CAMINHEI PELAS MARGENS DO TEMPO
José Carlos Moutinho
Portugal
19/8/2026
Quando as viagens eram provocação
dos momentos,
e cada passo parecia desafiar
o silêncio dos caminhos,

fui caminhando.

Depois, enquanto as margens floriam,
voltei a caminhar cautelosamente
por atalhos onde sombras maldosas
espreitavam, mas não penetravam
na quietude dos meus passos.

Mas o tempo, sempre premente,
não se compadecia das minhas amarras.
Insistia para que as soltasse,
uma a uma,
as que me prendiam ao desassossego,
e me deixasse levar
por estradas que ainda não conhecia.

Receoso, mas corajoso,
atrevi-me.

Havia estradas turvas
por palavras vãs,
outras mais condescendentes
vestidas de sorrisos.

E lá fui eu, afoito,
agarrado à minha resiliência,
levando comigo
a inquietação e a esperança,
ao encontro de alguma fonte
que me saciasse
a sede da serenidade.

Fui longe, confesso.

Tão longe
que quase me perdi
na lonjura do meu desejo.

Mas tive a ventura de encontrar,
inesperadamente,
bem distante,
onde a minha vista se perdia,
qualquer coisa que pensei ser miragem.

Parei.

Olhei.

E não era.

Era um belo oásis,
silencioso como se esperasse por mim.

E ali estava a fonte.

A tal fonte
que durante tanto tempo procurei,
sem saber sequer
se existia.

Aproximei-me.

Bebi.

E, pela primeira vez,
percebi que talvez a serenidade
não estivesse no fim da viagem,
mas em ter tido coragem
para chegar até ela.