domingo, 18 de outubro de 2026

#SAL DE UTOPIAS

SAL DE UTOPIAS
José Carlos Moutinho
Portugal 
10/10/2026

Soam-me, vindas de longe, melodias
trazidas pelo marulhar daquele meu mar
nas mãos das suas ondas

Têm fragrâncias tropicais
embora não sejam flores
sinto-lhes o perfume dos sons

Talvez até possam ser ilusões
o que eu aceito convicto do meu sentir
mas que me dão imenso prazer
levando-me a profunda quietude
de emoções

Tantas vezes me sinto à beira-mar
tentando descobrir naquela lonjura
algo que me acorde desta letargia
que a maresia me provoca

Nada vislumbro naquele longe
que o horizonte me distancia
todavia, corre em mim
sal de utopias que me fazem
imaginar caminhos infinitos
para além do meu simples olhar

E imagino, sonho, penso
de olhos semicerrados,
permitindo, somente,
a passagem da translúcida luz
que me ilumina os caminhos
para que eu não me perca nas marés


 

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

#MAIS UM

 MAIS UM
José Carlos Moutinho
Portugal
15/10/2026
Mais um
e outro
e mais outro...
...amigo que parte

Numa cronologia desconcertante,
que nos faz pensar
num eventual conflito
entre a vida e a morte.
Porque razão algumas pessoas
têm vida breve
e outras a faculdade
de a terem alongada pelo tempo?

Qual a real razão
para que vivamos neste mundo
onde os conflitos inquietam
e a sociedade se descontrola
em atitudes hipócritas,
numa falsidade jamais imaginada?

Partimos deste viver
assim, num ápice,
entregues a uma fraqueza
que nos impede a rebelião,
como se fôssemos chamados
pela força da morte,
mesmo contra a nossa vontade.

Mas a morte é implacável,
cala a voz,
enregela o corpo,
ignora a alma
daquele ser que agora, inerte,
não nos vê...

...ou será que vê?

Incógnita em que uns creem,
outros, porém, displicentemente,
ignoram essa probabilidade da metafísica.

Dói, sinceramente,
ver partir
aquela pessoa com quem convivemos
e que, de repente,
tão de repente, nos pasma e assusta.

Valerá a pena tanta arrogância,
tanta provocação e ofensa,
tanta guerra por fútil vaidade?

Creio que não vale mesmo,
mas a humanidade é assim,
imperfeita,
plena de defeitos
e menos virtudes...

...mas viva a vida!



quarta-feira, 14 de outubro de 2026

#ASSIM DIVULGO MEUS POEMAS (Com música)

ASSIM DIVULGO MEUS POEMAS
(Com música)
 
Com música divulgo meus poemas
consciente de que vale o que vale
assim deste modo sem problemas
ninguém, de certo há que me cale

São músicas sem os músicos ditos
pois é modernidade que nos ensina
com IA, jamais eu encontrei atritos
faz o que eu quero e nunca desafina
 
Não aceito que a IA faça meu poema
porque isso seria falta de capacidade
ética sempre fez parte do meu lema
que assumo com toda a honestidade
 
Óbvio que os músicos não apreciam
o modo de se fazer música, é natural
mas minhas músicas eles não criam
esta é a solução que encontrei afinal
 
Assim, mãos dadas, meu poema e IA
fazemos esta combinação com prazer
que partilho com quem está por cá
amigo, algum crítico ou quem quiser
 
José Carlos Moutinho
14/10/2026


segunda-feira, 12 de outubro de 2026

#GAROTA VAIDOSA

GAROTA VAIDOSA
José Carlos Moutinho
11/10/2026
 
Tens ginga ao caminhar
com ele segue meu olhar
lembras borboleta a voar
nos passos que sabes dar
 
Ai, mulher que me matas
com esse adorável jeito
mal meu coração tratas
de tanto bater no peito
 
Quisera eu dar-te um beijo
ainda que fosse ao de leve
cumpriria assim meu desejo
juro que seria muito breve
 
Então se um beijo não dás,
que me dizes a um abraço?
Seria tão feliz e até capaz
de te propor nosso enlaço
 
Porque não respondes nada
magoa-me tua indiferença
seguirei minha caminhada
frustrado sem tua presença
 
Serás tímida, talvez vaidosa
fico sem saber o teu pensar
nem uma palavra atenciosa 
tua frieza é mesmo de matar

domingo, 11 de outubro de 2026

#NAS ASAS DO MEU SENTIR

 NAS ASAS DO MEU SENTIR
José Carlos Moutinho
8/10/2026
Portugal
 
E depois, qual é o problema
se eu, simplesmente, me deixar levar
nos braços da nostalgia?
 
Será que isso prejudica alguém
ou causará algum prurido invejoso?
 
Pois que assim seja.
 
Porque a minha vontade é soberana,
e os meus dedos, submissos à mente,
escrevem aquilo que eu lhes ditar,
numa franqueza límpida.
 
Sei que as palavras são frias
quando lidas,
não para todos,
mas talvez para aqueles
que não têm a sorte
de possuir uma alma quente,
como a minha,
e a de todos os que amam as palavras.
 
Então,
ou vens comigo nesta viagem
impregnada de perfume nostálgico,
ou ficas no teu canto sem perfume,
quase a mofar de tão fechado.
 
De qualquer modo,
amigos ou não, os que ficam,
deixo-vos o meu abraço,
em aceitação da vossa insensibilidade
às coisas do sentimento.
 
Eu seguirei, resiliente, por aí,
nas asas do meu sentir,
tentando fazer entender ao mundo
que a nostalgia  
é um sentimento doce.



sexta-feira, 9 de outubro de 2026

#A ALMA

 
A ALMA
José Carlos Moutinho
Portugal
(intemporal)
 
Liberta-se dos corpos que se esfumam,
afasta-se das arrogâncias e vaidades,
solta-se da injustiça e da ignorância,
deixa a maldade dos corações empedernidos,
e voa soberana na sua humildade espiritual,
que tudo vê e não é vista.
 
Quiçá, lá do alto, verá com tristeza
quanta estupidez e falta de amor
há em gente sem discernimento,
que julga viver eternamente.
 
Alma que se desprende do metafísico,
que se liberta da petulância das pessoas,
de corpos imperfeitos,
da desigualdade e da falta de humanidade,
entre seres iguais, tão diferentes.
 
Interrogo-me: porquê este ciclo
de má formação física, de inconsciência,
em contraste com a bondade espiritual consciente?
 
Se a alma tem esse poder de olhar,
do alto, e até alertar,
por que não modifica os corpos
enquanto é terrena?
 
Enigmas que me preocupam
e me apaixonam. 

Porque a alma é pura, não duvido!

 

 


quinta-feira, 8 de outubro de 2026

#COMO SE FOSSE POEMA...

Chove-me gotas de saudade
que inundam de nostalgia a minha alma
e trazem à memória momentos passados
dos dias morenos de sol na praia calma...
e aqui, agora, em letargo,
como carícia de brisa
invadem-me os pensamentos
apaixonados,
de alegrias e prazeres da minha mocidade
vividos num tempo que jamais voltará
mas que em minha essência, se perpetuará.

José Carlos Moutinho
2026


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

#CARREGUEI NO MEU PEITO

CARREGUEI NO MEU PEITO
José Carlos Moutinho
6/10/2026
Portugal

Carreguei no meu peito
tanto desta vida,
até anseios
que se haviam soltado do pensamento.

Foram outros tempos,
outros momentos,
outras emoções,
que nem o tempo, que célere voa,
consegue apagar de mim.

Hoje o meu peito fechou-se
a novos sonhos,
embora tenha ficado escancarado
às recordações.

Àquelas memórias inesquecíveis
que nem o vento nem a ilusão
conseguem expulsar
do meu sentimento.

Talvez ainda restem lapsos de anseios,
porém, tão fracos
que, sinceramente,
duvido que se concretizem.

E, francamente, isso não me incomoda.
Penso, na acalmia do instante
que me acompanha,
neste meu escrever,
na felicidade do meu longo viver,
quando os caminhos se me abriam,
indicando-me o rumo a tomar,
e os pássaros chilreavam,
ensinando-me a gostar da melodia…
…e o luar que me fazia sonhar,
e o sol, que carregava a força da paixão,
naqueles entardeceres iluminados pelo amor...

@seguidores

terça-feira, 6 de outubro de 2026

#Pensamentos

Não me incomoda que me gritem
porque vozes descontroladas não têm som
que mal me pode causar a arrogância
se eu ignoro quem a tem

Falem-me com respeito, sem gritos
e terão toda a minha atenção
e amizade

JC.Moutinho

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

#NAQUELE DIA DE UM CERTO TEMPO

 

NAQUELE DIA DE UM CERTO TEMPO
José Carlos Moutinho
Portugal
25/8/2026

Quando o entardecer se apressava
para sentir o abraço da noite,
falaste-me de coisas lindas,
em palavras simples,
mas em cada uma delas
eu sentia soar uma melodia,
como uma canção de amor.

Talvez as tuas palavras simples,
que me dizias,
já tivessem a essência do amor,
mas que tu, pela inocência,
desconhecias.

Ou teria sido esse
apenas o meu sentir?

Todavia, as sombras
da noite que se fechava
não conseguiam esconder
a luz que nos envolvia,
como uma magia de sentimentos.

Havia naquele espaço
que ocupávamos, sentados
na rocha que o mar beijava
a cada movimento das ondas,
um misticismo delicado,
sensual, silencioso, ternurento.

E as ondas,
numa cumplicidade tranquila,
iam-se solidarizando
com o nosso enlevo.

Entretanto, o breu
toldou-nos a visão do horizonte.

Levantámo-nos.
Caminhámos de mãos dadas,
num gostoso mutismo,
certamente cada qual
mergulhado no seu pensamento.

Despedimo-nos com um longo beijo apaixonado
e prometemo-nos voltar a ver
no outro dia
ou… quando o destino quisesse.

Reflecti no que havia passado.

Não sei se seria amor
ou alguma paixão fugaz.

Admito, porém,
que nada disso me importou.

Sei que vivi momentos maravilhosos.

De repente, um som estranho
desperta-me daquela maravilhosa
viagem onírica.

Ao meu lado, dormia serenamente
minha mulher…
que, felizmente, não acordou,
livrando-me de ter de me desculpar
da culpa que eu não tive.

 

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

#RESILIENTES

 
RESILIENTES
 
Quisera eu, inocente
Deixar-me tocar pelo chilrear dos pássaros
E mudo, abraçado pelo silêncio
Criar a mais bela música
Num ápice de prazer inimaginável
Permitir que as minhas mãos
Acariciassem o inventado poema
Em toques de magia
 
Porém, quantas vezes
Eu e muitos de nós
Somos forçados a resistir aos obstáculos
Que se interpõem
Contrariando os nossos anseios
De seguirmos em frente…
 
…Mas, resilientes recusamos
O nunca
Pela frieza da sua nulidade
E atrevemo-nos a viajar
Pelos sonhos calados
 
E porque vida
É um palpitar de sangue
Pelos caminhos do longe
E veredas de belas flores
Há sempre alguém que diz sim
Ao abraço e às emoções
Que só os amigos sabem dar
 
José Carlos Moutinho«

2026