José Carlos Moutinho
8/10/2026
Portugal
E depois, qual é o problema
se eu, simplesmente, me deixar levar
nos braços da nostalgia?
Será que isso prejudica alguém
ou causará algum prurido invejoso?
Pois que assim seja.
Porque a minha vontade é soberana,
e os meus dedos, submissos à mente,
escrevem aquilo que eu lhes ditar,
numa franqueza límpida.
Sei que as palavras são frias
quando lidas,
não para todos,
mas talvez para aqueles
que não têm a sorte
de possuir uma alma quente,
como a minha,
e a de todos os que amam as palavras.
Então,
ou vens comigo nesta viagem
impregnada de perfume nostálgico,
ou ficas no teu canto sem perfume,
quase a mofar de tão fechado.
De qualquer modo,
amigos ou não, os que ficam,
deixo-vos o meu abraço,
em aceitação da vossa insensibilidade
às coisas do sentimento.
Eu seguirei, resiliente, por aí,
nas asas do meu sentir,
tentando fazer entender ao mundo
que a nostalgia








