terça-feira, 20 de janeiro de 2026

#SERÁ POEMA, SERÁ NADA?

 SERÁ POEMA, SERÁ NADA?

O que diziam ser flores,
na verdade eram só rumores
que as brisas eram de acalmia
mas veio vento, ninguém queria
em que podemos nós acreditar
se a verdade está a acabar
o que parece já não é
a sinceridade perdeu o pé
todavia com coragem seguimos
fazendo o melhor que conseguimos
neste jogo de palavras caladas
venham poemas de estrofes rimadas
 
José Carlos Moutinho 
20/1/2026

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

#NÃO ESQUECI AQUELE RIO

 

NÃO ESQUECI AQUELE RIO
José Carlos Moutinho
Portugal
15/1/2026
 
Ainda não esqueci aquele rio,
sempre altivo,
que tantas vezes me acolheu no seu leito
lavando as minhas tristezas
em banho de carinho
 
Suas águas deslizavam,
serenas como nuvens,
nelas o sol reflectido
fazia-me imaginar o improvável
 
Acolhia-me uma nascente de fantasias,
talvez que o meu pensamento
quisesse sentir-se, também, nascente
daquele encantado rio
 
O tempo passou, continua a passar
Inexorável, insolente por vezes,
Ignorando a nossa vontade
de caminhar mais devagarinho
pelas águas desta vida
 
Voltei àquele meu rio
que fora mar dos meus anseios;
porém, a desilusão foi maior
que a minha alegria
ao contemplar aquele meu velho companheiro
que, agora, numa tristeza profunda,
submisso, alheio à maldade humana,
constrangido sentia a dor
que as suas águas conspurcadas
lhe provocavam
 
A destruição deste mundo
pelas mãos de displicentes predadores
chegara àquele meu rio
meu querido rio 
pelo qual um dia me senti encantado!



sábado, 17 de janeiro de 2026

#MINHA PAIXÃO POR ELAS

MINHA PAIXÃO POR ELAS
José Carlos Moutinho
Portugal
11/1/2026
 
Lentas, imperturbáveis e belas,
caminham as palavras dos sentidos
que, de mãos dadas com a emoção
deixam-se envolver pelo silêncio
que delas mesmas, emana

Há naquele doce caminhar,
uma subtil e discreta pose de elegância
que, todavia, não passa despercebida
ao comum dos mortais
que, porventura, tenha a sensibilidade
de as captar e entender
 
Nota-se um jeito de provocação
quando elas tentam, amorosamente,
abraçar a fantasia que desejam
ser transmitida a quem as aprecia
 
É pela vaidade que lhes é devida
que com toda a sua propriedade
pensam merecer
que deste modo se insinuam
 
Eu, particularmente, gosto de as ver
fico, por vezes, a observá-las,
o que me leva, inexoravelmente,
a apaixonar-me por elas.

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

#SEM TÍTULO

 

SEM TÍTULO
José Carlos Moutinho
Portugal
6/1/2026
 
Ainda que soprem desaforos
como marés revoltas
ou que gritem impropérios
talvez a brisa me vede os ouvidos

Mas se vendavais intempestivos
arrastarem mentiras
então, escudar-me-ei
na couraça da minha indiferença
 
Depois que as agitações se dissiparem
pelas asas das folhas do tempo
deixar-me-ei levar em contemplação
ao seu voo mágico, leve e ondulante
pelas nuvens dos anseios
 
Utopicamente visto-me de astro
iluminando todo o éter da esperança
num viajar controlado, sereno e filosófico
pelos espaços da verdade 
 
Almejarei abraçar o sol
com a força de fénix
e com a coragem que inventarei
farei com que a fome e o frio
de tantos infelizes, seja pão e manta
e que sejam acolhidos
nos braços da fraternidade.

 

domingo, 11 de janeiro de 2026

#MEU LUGAR, MEU MUNDO

 

Nas asas do vento, eu voo,
em busca do meu lugar, do meu mundo,
onde o sol beije a terra e a lua sorria…
lá, onde os sonhos se tornem realidade.
 
Meu lugar é um abraço apertado,
onde o tempo se perde e a alma se encontra.
É o cheiro da terra molhada após a chuva,
o sussurro das folhas nas altivas árvores.
 
Meu mundo é feito de risos e lágrimas,
de histórias contadas ao redor da fogueira.
 
É o calor do amor e a força da amizade,
a dança das estrelas no céu nocturno.
 
No meu lugar, as montanhas tocam o céu,
e os rios cantam canções antigas.
 
Meu mundo é vasto e infinito,
um imenso oceano de possibilidades.
 
Então, eu continuo a voar,
com as asas do vento a impulsionar-me,
em busca do meu lugar, do meu mundo,
onde a vida floresça e os sonhos se realizem
 
José Carlos Moutinho

Portugal

sábado, 10 de janeiro de 2026

#POR ONDE ANDARÃO

 

POR ONDE ANDARÃO
José Carlos Moutinho
Portugal
10/1/2026
 
Por onde andarão os meus amigos,
aqueles de quem jamais se esquecem?
Não sei, francamente, perdi-lhes o rumo
que agora é só meu

A vida com os seus desencontros
foi-nos afastando
e o tempo, inexorável e teimoso
insiste em levar alguns do nosso convívio
tornando cada vez mais difícil
o sentimento de perda
de alguém que nos era familiar
 
Sim, sei muitíssimo bem
que estamos numa idade
propensa à partida
para um além desconhecido…
 
Mas, permitam-me dizer-vos
que a saudade desses meus amigos
faz-me, tantas vezes,
deambular pelos caminhos da nostalgia
e até, imaginem, pelos becos da melancolia
como se, nesses locais
eu pudesse, assim num repente,
encontrá-los
 
Alguns, sei que se os encontrar
não será mais aqui nesta terra
que nos suporta o peso da caminhada,
mas, talvez, lá no etéreo paraíso,
se eventualmente tivermos direito a ele.
 
Gostaria de ter sido criança, adolescente mais tempo, ter conseguido travar a voracidade
dos dias e anos
para que pudesse permanecer mais tempo
(sempre o tempo)
por aqui, neste planeta martirizado pelos loucos,
mas que é o nosso berço
 
Tenho saudades dos amigos
que nunca mais vi
e dos tempos em que a amizade
era um tesouro.

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

#PODER E ARROGÂNCIA

 
PODER E ARROGÂNCIA
José Carlos Moutinho
Portugal
8/1/2026
 
Choviam trovas em seara de ilusões
quando os frutos eram esperança,
no sereno tempo faziam-se canções
com letras de sorridente lembrança

Mas os atropelos são desvairados
neste tempo que já nem é nosso
os valores parecem estar trocados
arrogâncias são autêntico alvoroço

Invade aqui, invade ali, tudo é dele
perante os olhares do estupefacto
mundo, que sente forte dor na pele
se mantem impávido a tirar retrato

Assim vamos assistindo de bancada
ao descalabro que afronta dignidade
é a lei do mais forte, coisa provada 
de nada mais vale antiga legalidade

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

#BARCA IMAGINATIVA

BARCA IMAGINATIVA
José Carlos Moutinho
Portugal
6/1/2026

Num silêncio que me arrepia a pele

vou-me levando em pensamentos,
por entre estrelas e sonhos,
navegados em galáxias de ilusões

o meu redor, continua silencioso
como se o tempo tivesse parado
e eu fosse o único
habitante deste planeta
fazendo-me esquecer este mundo desatinado
onde as mentes se confundem
numa total estupidez, arrogância e presunção

continuo a viajar nesta minha barca imaginativa
numa obsessão em recusar voltar
a este circo de bacocos do poder
porque o silêncio é balsamo
que pode curar tantos males

mas…o silêncio, é, repentinamente, quebrado
pela campainha do portão,
que, insistentemente, toca, ou grita,
obrigando-me a despertar para a realidade.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

#HORIZONTE

HORIZONTE
José Carlos Moutinho,
Portugal

Sinto o vento deste frio Inverno

penetrar-me os poros
e arrepiar-me a pele
que num estertor de emoção frustrada
me deixa incomodado

Vislumbro ao longe
num distanciar de olhares perdidos
uma ténue linha
onde se destaca uma cor em dois tons
a que chamam horizonte

Mas para mim, horizonte
é o meu anseio em atingir um ponto
que me leve a viajar pelo advir
como folha outonal matizada de sonhos

Esse é o meu singelo horizonte
plantado em tecidos de ilusões
e bordado pela maresia
do meu mar de fantasias

Mar que me levou a um passado
pleno de realizações
costuradas em verdade e sentimentos

Mas agora, nesta minha quietude
que é só minha e eu dela
unidos num abraço
de imaginada fraternidade
mostramos ao mundo
como se pode ser feliz
sem necessidade de ofender
ou agredir a quem, de nós,
não concordar

4/1/2026

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

#POEMANDO

POEMANDO
José Carlos Moutinho
Portugal

Na minha simplicidade, vou simplificando
com palavras minhas
e com a inteligência que me foi concedida…
…sobre a realidade do que somos
é como se entre mim e o meu pensamento
houvesse debate…

Confesso-me náufrago
sem rumo nem porto de destino
que sob o reflexo do sol
vou navegando quase perdido

Neste meu viajar pelo pensamento
e pelo meu mar de imaginação
encontro um mundo de desassossego
entre execráveis destroços da humanidade
que tentam o absurdo de fazer desaparecer
a dignidade humana

Estou desolado e nem o oscilar da canoa
onde sulco as águas da minha mente
me acalmam

Olho para o alto,
talvez em busca de auxílio divino
mas só vislumbro e sinto a serenidade luminosa
das estrelas
que de algum modo me aquietam.
2026

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

#Vai-te 2025

 Vai-te 2025

2025 finda e está de partida
a muitos deixará saudades
a outros, talvez, deixe ferida
certamente houve amizades

Que ele vá, e bem depressa
chega de guerras e conflitos
mas que nos deixe promessa
de que jamais haverão aflitos

Com estas 3 simples quadras
deixo-vos aquele bom abraço
que façam umas belas farras
esqueçam mágoas e cansaço

José Carlos Moutinho
31/12/2025

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

# Versos em tempo de Natal.

Sopram ventos de desencanto
aquietadas pelas doces brisas
com meus sonhos me levanto
ausentando palavras indecisas

Serão as mágoas tais vendavais

que nem o tempo as acalma
ou dores que apertam de mais
quem pensa ser coisa de alma?

José Carlos Moutinho
22/12/2025

#VERSOS LIGEIROS

Versos ligeiros,
com um abraço

Caminhemos sem pressa
pelos caminhos da vida
jamais faça uma promessa
que não deseje resolvida

A verdade é uma certeza

de que tudo correrá bem
mentira é sentir fraqueza
e não interessa a ninguém

José Carlos Moutinho
22/12/2025

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

# O FRIO DA GUERRA


O frio "queima" poros e pele
num arrepio de fraternidade
no mundo não há quem apele
à paz desta pobre humanidade

Reuniões e conversas vazias
dos líderes desta fraca Europa
total ausência nas sintonias
creio que já ninguém os topa

Enquanto Rússia goza com isto
está a Ucrânia a ser destruída
a união deve ser caso omisso
porque dignidade está perdida

Importantes são os interesses
daqueles que todos sabemos
mentiras e algumas benesses
é política mundial que vemos

Jamais quero esquecer Gaza
onde há genocídio e crueldade
de gente de alma doente, vaza 
líderes globais não têm piedade

José Carlos Moutinho

19/12/2025

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

#SEXTILHAS DE OUTONO


Desfalecidas, caídas pelo chão
múltiplas folhas da estação
deste Outono que as matizou
já viveram o seu belo momento
oferecendo-nos encantamento
só porque o Inverno não chegou
 
Assim é a caminhada pela vida
nem sempre se leva de vencida
quando obstáculos aparecem
porém, com resiliência se vence
pouco desta vida nos pertence
mas sonhar, anseios agradecem
 
As folhas da vida, belas matizadas
soltas, murchas, agora cansadas
serão simbologia da existência
que curiosamente nos desperta
para que deixemos a porta aberta
permitindo sempre a resistência

José Carlos Moutinho
 
 18/12/2025

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

#CONVERSAS SEM RESPOSTA

 

CONVERSAS SEM RESPOSTA 

Quis aquietar o meu tempo
de repente, silenciosamente
mas o tempo como lamento
respondeu não estar presente

Então virei-me para o vento
que naquele momento passava
qual a razão displicente do tempo
o vento calou não me disse nada

Resolvi socorrer-me da brisa
que serenamente me abraçava
qual seria a palavra mais precisa
a brisa doce disse estar cansada

Talvez não sejam de brincadeiras
nem o tempo, o vento nem brisa
mas podiam ter boas maneiras
pois fiquei sem resposta à pesquisa

 

José Carlos Moutinho

17/12/2025

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

# VIVA O NATAL

 VIVA O NATAL
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Estranho mundo este em que vivemos
quando o frio corta a alma de tanta gente
aconchego dos estômagos não é privilégio de todos
o Sol não aquece os corpos de tantos
a noite e o luar são cobertor para muitos
 
Vivemos uma época de festa
que deveria ser de alegria para todos
de felicidade, pois, é Natal
nascimento do homem que veio ao mundo
trazer a lição de paz para a humanidade
porque somos irmãos
feitos da mesma massa
iguais no nascer e no morrer
mas jamais iguais no viver
e no relacionamento social
 
Enquanto muitos esbanjam, descontroladamente
outros encolhem-se nos cantos dos prédios
enrolados em cartões
tremendo, não de ansiedade pela espera de presentes
mas sim, pelo frio que lhes acutila a pele
penetrando-lhes a alma
 
Festeja-se a data com sumptuosidade
com gastos, tantas vezes, descontrolados
em absoluto contraste com a realidade
por vaidade ou presunção,
ou talvez por não se pensar
a razão desta festa
 
Natal deveria ser irmandade, empatia,
união dos povos, amor
um olhar para a pobreza
com o carinho da generosidade
 
Pelo menos, quando acontece
junta-se a família, em comezainas exageradas
no aconchego dos lares
mas nas ruas, não há festa,
nem banquetes, nem champanhe
há muita tristeza, muitos corações a chorar
 
Natal, um dia que há séculos se comemora
quantos saberão o seu significado?
 
A vida é uma correria, de salve-se quem puder
num atropelo de interesses
ausência de sentimentos
que se perdem em conflitos imbecis
e em guerras estúpidas e inúteis
 
Viva o Natal, como símbolo de paz
de amizade, fraternidade e amor
 
Natal para mim é reflexão e desconforto
 

15/12/2025

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

#NATAL, AS DIFERENÇAS

 

NATAL, AS DIFERÊNÇAS
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Perco-me, confuso,
no turbilhão dos meus pensamentos
creio, até, que já nem tenho noção
da razão e da realidade
há uma força que tenta desligar-me
do certo e do errado
 
Talvez seja heresia
o conteúdo destas minhas palavras
mas, perante o que se me depara
a todo o momento
pelas ruas por onde passo
pelos noticiários dos média
pelas visões televisivas
encontro uma enorme discrepância
e absoluta injustiça
haver tanta abundância
e, paradoxalmente, tanta miséria
 
Contemplo a majestosidade das luzes de natal
encanto que noz faz sorrir a alma,
mas que não aquece os corpos gélidos
dos abandonados pela sorte
 
Montras repletas de bolos e outros doces
permitidos somente aos privilegiados
mas escusados aos perdidos
na encruzilhada da vida
 
É, nesta quadra, que mais me aflige
esta incrível desigualdade
entre o ter e o ser
levando-me a pensar na absurda
divisão da humanidade
onde uns podem sorrir e sentir felicidade
e outros, cada vez, mais,
nem conseguem esboçar um sorriso, 
porque têm os lábios gretados pelo frio
 
Podem até, achar-me demagogo,
aliás, quem me ler,
pode entender o que bem quiser,
não escrevo para agradar,
mas sim, para tentar libertar esta angústia
estrangulada no meu peito
 
Confesso-me um ser remediado
que se sente feliz com o pouco que tem
sem invejar o muito de tantos
mas, triste, lamentando
o nada de tanta gente
 
Culpas destas diferenças, teremos todos nós,
mas, particularmente, um estado
que ignora as situações de miséria
que não abriga quem não tem tecto
tendo, por aí, abandonadas,
centenas de construções em decadência, inúteis
quando o seu reaproveitamento seria tão benéfico
para imensa gente, que sobrevive em tremenda dificuldade
 
Olho o infortúnio que grassa nos povos do mundo,
lembro África, Ásia, América latina, enfim…
 
A soberba a arrogância e a vaidade,
Ignoram a solidariedade a dignidade o respeito
 
Mas é natal, que se repete a cada ano,
onde a “humildade” se veste de luxo
e a “grandeza” da miséria de trapos
 
Natal, época festiva de luz e escuridão,
fartura e escassez, calor e frio,
alegria e tristeza, abraços e solidão
 
É natal, irmãos, sejamos todos felizes!
 

5/12/2025

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

#Assim vão os políticos

 

Falam, falam e pouco dizem
são gritos e ofensas gratuitas
nem todas as forças resistem
tantas mentiras ditas/escritas

Políticos de trazer por casa
é o que vamos tendo por cá
bom seria se fossem de asa
e se pirassem pro lado de lá

Haja paciência para esta gente
preocupam-se com o poleiro
para eles o povo é indiferente
não sei qual é mais interesseiro

José Carlos Moutinho

9/12/2025

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

#VIDA É UM POEMA

 

A VIDA É UM POEMA
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Se acaso me chamarem de poeta
o que isso vai acrescentar ao meu ego?
Certamente que muito pouco
talvez tente convencer-me de que o seja
não o sendo todavia
 
É, sem dúvida, muito simpático
ser-se considerado por tal honra
que somente é merecida
a quem realmente sabe escrever
 
Eu, que na singeleza dos minutos
vou-me entretendo no jogo com as palavras
com a ousadia de as querer dominar
mas que, tal acção se revela inútil
pois as palavras têm a força da razão
dominam o sentimento
que eu, ingenuamente, procuro transmitir-lhes
pela minha débil capacidade poética
 
Mas, confesso que gosto
gosto de me enganar…
porque eu, nos momentos de nostalgia
quando no silêncio do pensamento
me imagino, ainda menino
com o coração louco de emoções
e a alma a transbordar ilusões
pensar-me poeta…
e que na solidão dos meus anseios,
através dos tímidos versos
nascidos das minhas mãos
tão jovens e tão inquietas
iam surgindo estrofes,
que como nuvens passageiras
pouco depois se esfumavam
pela incerteza da qualidade,
talvez achasse ridículas
aquelas minhas juvenis estrofes
 
Pensando bem, e, com a minha imodéstia,
talvez até, não me saia muito mal
como poeta amador
e profundo sonhador
com consciência de que a vida é um poema!
 
7/12/2025
  


 

domingo, 7 de dezembro de 2025

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

#MEU RIO TEJO

 

MEU RIO TEJO
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Tenho saudade daquele tempo
quando o rio era meu parceiro
não havia chuva, sequer vento
que contrariasse o meu roteiro
 
De muito longe vem aquele rio
de terras de Espanha, Granada
enfrenta obstáculos calor e frio
desliza como se fosse estrada
 
Em Portugal é Tejo, nasce Tajo
não é nosso, é como se fosse
neste meu parecer tão bizarro
é na sua foz que mostra posse
 
Ai, rio meu, de minha saudade
que um dia, me teve nos braços
por culpa da minha ingenuidade
vi-me envolvido em embaraços
 
Era eu tão jovem, quase menino
que se pensava grande nadador
quis o seu abençoado destino
naquele dia, não fosse perdedor
 
Graças ao jovem meu salvador
que se lançou às águas até mim
eu cansado, sem força de valor
quase esmorecido perto do fim
 
Penso que pelos dois fui salvo
graças ao jovem, também ao rio
daquelas águas eu não era alvo
e o meu salvador mostrou brio
 
Após tantos anos decorridos
a memória teima não esquecer
seriam instantes bem sofridos
se a sorte permitisse acontecer
 

30/11/2025

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

#SIMBIOSE

#SIMBIOSE

 

SIMBIOSE
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Pelas paredes do tempo
foram-se projectando sombras
de projectos inventados

Mas porque o vento
os soprava para distâncias inalcançáveis
todos esses sonhos
afogavam-se nas águas frias da frustração
 
Mas, resiliente, o Sol abraça a brisa
que, suavemente, volta a pintar
de metáforas coloridas
aquelas paredes,
antes vestidas de sombras
 
Então, no paradoxo do pensamento
quando em simbiose
se misturavam de desânimo e alegria
a obra nasce
no silêncio da emoção
 
Nem sei se era poeta ou pintor
sei, isso sim, que era um sonhador
que se sentia feliz na criação
da obra imaginada…
…e, simultaneamente infeliz,
quando a sua veia criativa
era obstaculizada
por qualquer sombra desta vida
 
A força tenaz de quem jamais
se verga ao negativismo
vence todos os obstáculos,
ou, quiçá, o artista seja iluminado
pela luz divina da inspiração
 

26/11/2025

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

#ALIENADO TEXTO

 

ALIENADO TEXTO
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Fugiram-me as novas palavras
que eu queria plantar no papel;
rebusquei livros e dicionários
e até almanaques
na tentativa de as encontrar
mas, oh, Deus, que tarefa inútil
pois nada eu encontrei,
em desespero

Olhei para o lado
escutei o silêncio que nada me dizia
virei o teclado ao contrário
e tudo piorou
porque as teclas do dito
caíram como folhas de Outono
tornando, então, tudo mais complicado
porque sem caneta, nem teclado
e com a minha incapacidade de as apanhar
quando sobre mim passava a brisa,
trazendo-as nas suas mãos...

Desisti de as procurar
limitei-me a usar estas velhas palavras
que eu tinha guardado
no baú das emergências
para fazer este alienado texto

26/11/2025

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

#ESTA COISA DE SONHOS

 

ESTA COISA DE SONHOS
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Nada sei dos sonhos
nem do seu significado,
não conheço a razão de existirem
nem sequer sei porque sonhamos

Também, devo acrescentar

a este meu divagar pela razão,
da existência dos sonhos,
que, pouco ou nada, me interessa
o que se diz sobre eles…
 
Porque, em boa verdade,
eu, sou sonhador acordado,
também, sonho adormecido
estou sempre ligado a eles (sonhos)
 
Então, perante esta situação
embora não me preocupem os sonhos,
acontece, porém, que não me alheio deles,
ou melhor, eles não se afastam de mim,
porque juntos, estamos e vamos
para qualquer lugar que eles determinem
 
Assim sendo,
levo-me a acreditar que os benditos
são mais importantes
do que a importância que lhes queiramos atribuir
 
Por isso, sem mais dúvidas,
continuemos a sonhar
de preferência, belos sonhos, dormindo…
 
…e acordados que eles se façam realidade
e deixem de ser simplesmente utópicos. 

23/11/2025




quinta-feira, 20 de novembro de 2025

#O GATO À JANELA

 O GATO À JANELA
José Carlos Moutinho
Portugal

Tens um olhar bem sereno
Mas és um felino endiabrado
Não és grande nem pequeno
És sim um bichano calado

Tens graça e até subtileza
Quando a isso estás disposto
Podes ser de tremenda rudeza
Se não procedem a teu gosto

Os teus olhos são especiais
De cores diversas e fascinantes
Pertences ao grupo de animais
De inquietações constantes

Agora que estás aí à janela
Por entre grelhas da persiana
A desfrutar de uma vida bela
Porque para ti viver é bacana

Continua, pois assim como és
Gosto mais de cães eu confesso
Perto de mim olho-te de revés
desconfiado do teu ar travesso

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

#QUE BOM SERIA

 

QUE BOM SERIA
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Ai, se o tempo se acalmasse
corresse devagarinho
e até se calasse,
que bom seria…
 
Se houvesse tempo
para se aprender a viver
na acalmia da brisa
e nos permitisse sorrir
ao sol que nos benfazeja…
 
Ai, como seria maravilhoso
sentir o perfume da vida
abraçar a imaginação
com a inocência de uma criança
 
Mas o tempo
embora não tenha culpa
mas não nos dá tempo
para pensarmos realidades improváveis
nem realizar sonhos
nunca sonhados…
 
Assim, neste meu pensamento
quase delirante e irreal
vou por aí, solto como o vento
numa viagem inventada
pelo capricho da minha mente
 

17/11/2025

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

#NÃO SUPORTO TANTA MENTIRA

 

NÃO SUPORTO TANTA MENTIRA
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Não!
Por favor!
Não quero ouvir mais grunhidos de abutres
nem sopros de mentiras,
não suporto ver passar ventanias de preconceitos,
sequer aceito que me gritem razões
que a verdadeira razão desconhece
por estar imbuída de falsidade!
 
Por favor, não inventem estórias
que não cabem na verdadeira História,
não proclamem caminhos ditos sociais
quando os atalhos atrofiam e bloqueiam
a verdade!
 
Ai, a verdade…que se esconde,
tantas vezes, por detrás dos poderes
engalanados e imerecidos
sorridentes e arrogantes,
que prosperam através de habilidades
e esganam o povo com fome
e sem condições de sobrevivência!
 
Não!
Por favor!
Não me digam mais nada
não suporto esse som hipócrita,
malicioso e mentiroso!
 
Estou, francamente, desanimado
e até, desiludido,
pelo que vou vendo e ouvindo
neste mundo de loucos e oportunistas,
que esquecem gentes que mal vivem,
aliás, que mal sobrevivem,
para que eles tenham todas as mordomias,
sem as merecerem.
 
14/11/2025
                                                        
 

 

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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