As gaivotas voam

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Voa

...
Se as palavras leva-as o vento
então não fales e escreve
simples frase ou pensamento
que pode ser longo ou breve

se em ti há um desejo de voar
através das palavras, então voa
não percas muito tempo a pensar
porque soltar emoções é coisa boa

José Carlos Moutinho
31/5/19

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Seria Apocalipse?


As horas passavam monótonas
e os ventos assobiavam,
os anseios esmoreciam-se
no tempo que agonizava,
as águas dos rios indiferentes corriam
o mar aguardava-as desinteressado,
o sol, rindo olhava a terra suada,

as pessoas ziguezagueavam como autómatos
vagueando em desvario,
as rosas ressequiam
e as pétalas faziam-se tapete
no jardim envergonhado,
as árvores fechavam os braços em desalento
e as aves calavam a tristeza,
as gaivotas deixaram de grasnar
e de voar
tornaram-se transeuntes pelas ruas
quase vazias,

só os ventos, quase em agonia,
continuavam a silvar
as águas dos rios a correr para o mar…

seria o Apocalipse?
Talvez um sonho premonitório,
francamente nada sei
além das palavras
que aqui deixo em silêncio
clamando por reflexão

José Carlos Moutinho
29/5/19

terça-feira, 28 de maio de 2019

Só porque não gosto

Não gosto de palavras sibilinas
que cortam como gume de vento
nem de sorrisos desmaiados
sequer de abraços de gel,

não gosto de atalhos escurecidos
nem de ruelas enviesadas
sequer de faladores sem assunto,

não gosto, francamente, de silêncios duvidosos
nem de sábios ancorados em si próprios
sequer gosto dos que se vestem de soberba
e contemplam os outros como ignorantes despidos,


não gosto, porque não gosto
sem desejar incomodar quem não gosta
de que eu não goste!

José Carlos Moutinho
28/5/19

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Tempo entardecido


Sei que um dia
virás pedir-me que te murmure
palavras que antes recusaste...


mas, talvez, quem sabe
se nessa altura não terei a voz
que me permita sussurrar-te
de modo que possas entender-me


porque se o meu tempo
entardecer demasiado
ou, eventualmente o teu,
talvez não tenhamos voz nem audição
para trocarmos as palavras
que jamais dissemos


José Carlos Moutinho
27/5/19

Amigos

Amigos...as eleições já passaram, agora sou eu o candidato ou melhor, o meu romance A FORÇA DE AMAR é que se candidata à v/apreciação, para isso precisamos, eu e o livro da v/presença o que nos honrará bastante. Venham, entrada livre num espaço bastante simpático, Orfeão do Porto, Praça da Batalha.Porto.


domingo, 26 de maio de 2019

Meu silêncio

...
Quero no meu silêncio, dizer-te
que ouço a brisa da tua voz
que por mim serenamente passa
cantando-me melodias do teu querer
tal sinfonia da água que corre para a foz
generosa, encantadora e cheia de graça

José Carlos Moutinho
26/5/19

sexta-feira, 24 de maio de 2019

O acordo das minhas mãos

Minhas mãos cansam-se
se não as utilizo
no que elas mais gostam fazer,
nervosas, clamam à minha mente
que as use nas escritas vadias
ou serenas que na serena solidão
da minha felicidade
desfilam pelo monitor do computador,
tal folha branca de papel,
construindo algo que possa ser interessante
ou simplesmente inútil para quem lê,
mas imensamente importante
para as minhas mãos
que, felizes e orgulhosas
cumpriram mais uma missão
a que se propuseram
no acordo que comigo realizaram

José Carlos Moutinho
24/5/19

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Gosto de as comer


Dispo-te com o meu olhar
percorro-te com minhas mãos
porque julgo poder encontrar
os teus frutos, belos e sãos

Sei que gostas de me envolver
quando em ti me introduzo
para as tuas frutas eu colher,
com elas me satisfaço e lambuzo

Laranjas da minha laranjeira
ai como eu gosto de as comer,
seja a sério ou por brincadeira
como-as até não mais querer

José Carlos Moutinho
16/5/19

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Quadras singelas


Afoguei no rio, minhas mágoas
e pedi-lhe que as levasse pro mar,
fiquei na dúvida se aquelas águas
teriam força para todas transportar

Tento, porém, esquecer o passado
ao olhar para os caminhos do futuro,
confesso que já me sinto cansado,
agora, só quero felicidade, eu juro

José Carlos Moutinho
20/5/19

Aflora o momento (Áudio)


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Armado em poeta

...
Eram fugazes seus olhares
as mãos, tímidas, quase se tocavam
sentiam, porém, não ser capazes
de continuar, porque não se amavam

jcm

Utopia ou quimera


Quisera eu, ó ilusão, ser voo
e voar sem asas, nem rumos,
que esvoaçasse livre sem enjoo,
encontrasse gente de aprumos

voar não sei, pois, ave não sou,
fico-me, então, com esta utopia
de que, quiçá, um dia voar eu vou,
como o faço agora, nesta poesia

José Carlos Moutinho
16/5/19

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Abaixo os pólens



Detesto o pólen,
não...aquele que adoça a flor,
mas sim o que esvoaça, como louco,
penetra-me as narinas abertas
ao ar que respiro, sem o qual sucumbirei
provocando-me uma irritação indesejada,
que repudio com indignação!

Nada pedi às flores ou às árvores,
que se agitam ao vento
que me enviassem tais pólens,
invisíveis, sem cheiros, nem cores
mas que produzem dores
nos olhos
que existem para ver
e não para chorar,
sem que a vida me leve a isso!

Detesto o pólen,
de tal maneira que desejo
o seu extermínio
deste meu mundo
onde as alergias entraram,
descaradamente,
sem que eu as chamasse.

José Carlos Moutinho
13/5/16