(Os nossos filhos)
José Carlos Moutinho
19.6.2026
Portugal
Quantas vezes me sento, serenamente,
na pedra filosofal da vida,
deixando-me embalar
pelas mãos da gratidão,
em pensamentos que a memória
traz, devagar, de volta.
Medito, então,
no milagre da existência —
não só o da natureza,
mas, com redobrado espanto,
o mistério maior
da humana grandeza.
Que prodígio desperta
a semente do homem
ao encontrar o útero
fecundo da mulher!
Ali começa
a jornada do embrião,
obra-prima que cresce,
lenta e resiliente,
como a raiz oculta
da árvore mais antiga.
Nesta vasta
contemplação interior,
recordo-me dos nossos filhos…
São eles a razão
da nossa felicidade,
que com a sua chegada
deram novo brilho
às nossas existências.
Despertam em nós
um turbilhão de sentimentos,
de uma profundidade
que quase não cabe em palavras;
por eles daríamos
a nossa própria vida,
por eles lutamos
para que cresçam dignos
neste mundo inquieto
e tão conflituoso.
Temos o dever
de lhes moldar o coração
na verdade e na honra.
São flores únicas
de um jardim só nosso,
continuidade viva
do nosso próprio ser;
vê-los seguir
com honra e sucesso
é o maior orgulho
que a alma pode conter.
Os filhos são, de facto,
o bem mais precioso
que a vida nos oferece
com silenciosa gratidão.
Depois… depois,
a vida prossegue,
virão os netos,
filhos dos nossos filhos,
rebentos dos rebentos
que o amor semeou,
num carrossel de vivências…
Até que esta vida imensa,
um dia, suavemente,
se recolha ao seu silêncio.







