José Carlos Moutinho
Portugal
30/06/2026
Qual a razão de tanto ruído perturbador,
quando o simples silêncio é tão apaziguador?
Discute-se, ofende-se, agride-se por nada,
quando o diálogo é a fonte do entendimento.
Estranho este mundo,
no qual todos somos protagonistas
desta confusa peça teatral da vida,
onde há atores violentos e medíocres,
e outros que, em perfeita harmonia,
sabem caminhar ao lado dos demais.
Bem sei que existe, em tudo isto,
um baú de sentimentos
onde se ocultam
os males, os defeitos e as virtudes
da humanidade.
Mas creio que tudo poderia ser diferente,
bem melhor.
Um lugar onde a harmonia
fosse companheira da paz,
e ambas repousassem
nos braços serenos da razão.
Passam os anos por nós
numa velocidade alucinante,
e a cada ciclo surgem mutações
por vezes inexplicáveis,
que inquietam quem ainda guarda
o privilégio de ser simplesmente normal,
na mais elementar condição humana.
Mas não.
Tudo parece conduzir à violência,
à discórdia,
à hipocrisia e à falsidade,
num sufoco tão profundo
que nos leva a questionar:
a razão
de tanta falta de razão.







