As gaivotas voam

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Estou no Rio

Se perguntarem por mim
digam que estou no Rio,
sambódromo, em grande festim
à espera de ver o corropio

É só imaginação, obviamente
pois, nem que me pagassem
fujo das multidões, temente
receando que me raptassem

José Carlos Moutinho
23/2/2020

Cuida-te

Tu carnavalesco da vida
que te sentes feliz nestes dias

não deixes que te preguem partidas
entrando loucamente nestas folias

Vai com cuidado, não abuses
não te agarres às mulheres alheias
ainda que depois te escuses
dizendo que elas eram ateias

José Carlos Moutinho
24/2/2020

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Escreve poeta

Escreve, poeta

Não te permitas 
deixar-te levar pelas conveniências 
poeta das palavras vivas, 
não procures agradar a quem te lê, 
se o conseguires com alguns, 
outros haverão, a quem passas 
no escuro da displicência! 

Escreve os teus sentimentos, 
os teus momentos, 
as tuas dores e amores, 
escreve o que a tua inspiração 
te proporciona, gentilmente!

Sabes que tentar agradar 
é sempre muito complicado, 
mas, se seguires o suspiro da tua alma, 
terás, certamente a recompensa 
que a ti próprio engrandece! 

A opinião alheia é importante, 
obviamente, 
mas não define o teu verdadeiro sentir… 
esse…poeta da realidade e da verdade, 
só tu, o sentes verdadeiramente, 

por isso, escreve, escreve sempre 
quanto te aprouver e o teu dom te sorrir, 
porque…talvez, os que te criticam 
nem sequer saibam escrever, 
ou…gostariam de o fazer como tu. 

José Carlos Moutinho 
23/2/2020

sábado, 22 de fevereiro de 2020

É Carnaval

Carnaval é folia, talvez loucura
onde quase tudo é permitido
eu que não gosto dessa partitura
fico só, sossegadinho comigo

Não critico os foliões exacerbados
cada um come do prato que gosta
desde que não sejam malcriados
pode até ser uma belíssima aposta

Carnaval é uma festa antiga pagã
que vem do tempo do, sei lá eu
talvez seja procedente de Omã
ou até de alguma terra de fariseu

José Carlos Moutinho
22/2/2020

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Despe-te

Despe-te da soberba que envergas
e veste-te de singela simplicidade,
aliviarás, obviamente, o peso que carregas
caminhando em trajes de normalidade

Crê que os teus caminhos serão floridos
se os fizeres com tua vestimenta natural,
verás que não causarás quaisquer pruridos
porque então, te tornarás pessoa normal

José Carlos Moutinho
21/2/2020

Entre palavras

Gosto de me passear por entre palavras
que, tais pedras de calçada,
se submetem aos meus desejos,
formando versos, 
inquietos, por vezes,
alinhados com o momento, outras...

ao deambular pelo jardim de estrofes
que vai nascendo,
cresce em mim o prazer 
de o transformar em poema,
que agradará ou não a quem o ler,
mas que a mim,
simplesmente alimenta-me a alma.

José Carlos Moutinho
21/2/2020

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Sem medos

Não te assustes quando me lês pessimismo, 
lembra-te que este, 
anda associado ao optimismo, 
tal como a electricidade 
existe positivo e negativo!

Assim, escrever e falar de negativismo 
é demonstrar e relembrar 
que é parte integrante da vida, 
ter a coragem de o entender 
é sentir que se está bem consigo próprio!

Sentir-se incomodado/a, 
porque não se escreve 
sobre luar, mar e amor 
é algo que deve levar a pensar 
que alguma coisa 

não está bem no reino da mente!

Incómodo idêntico, tenho verificado
quando se fala da morte, 
coisa tão natural, como falar do nascimento, 
que é uma forma de sentir a vida com alegria, 
apreciando com naturalidade 
o filme que esta elabora, 
é pensar princípio, meio e fim, 
ter noção de que somos passageiros, 
nesta viagem que nos foi oferecida! 

José Carlos Moutinho 
20/2/2020

Conflito

Quando...

Quando a minha hora chegar
não chorem, devem, pois cantar
e ao olharem para mim, inerte
verão que meu corpo se converte 
em coisa nenhuma neste mundo,
será então o meu espírito fecundo
que se elevará ao Alto da Eternidade
de onde verei o mundo da verdade

José Carlos Moutinho
20/2/2020

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Nada de tristezas

Não me fales de tristezas
nem me sussurres desilusões,
pois a vida tem tantas belezas
que nos enchem os corações

mas se por acaso tens problema
então, diz-me de que se trata,
se por acaso não for um dilema
será alguma coisa abstracta

e se assim for é só esquecer,
porque amanhã já é outro dia,
cada novo dia, ensina a viver
sorrindo e mostrando alegria

escrever versos de felicidade
dever do poeta, sem a sentir,
porque, creiam em boa verdade
o poeta até sabe bem mentir

José Carlos Moutinho
19/2/2020

FOSSE EU POETA DO LONGE

Talvez seja simples utopia

Talvez um dia... 
(tem de ser muito breve, 
para que eu possa assistir) 
talvez, o mundo se transforme 
em coisa melhor, 
porque o que é dado observar, 
está tristemente desolador, 

e não falo, obviamente, 
do mundo físico, geográfico, 
mas sim do mundo humano, 
exactamente esse, 
que perdeu tantos dos seus valores 
e que agora toma atitudes indignas 
e insuportáveis para uma sã convivência,

talvez um dia, quiçá, 
eu ainda consiga contemplar 
este sonho que me invadiu a alma 
e me leva a viver esta utopia, 
continuando, ingenuamente, a ter fé.

José Carlos Moutinho 
19/2/2020

Proibido o plágio 
ao abrigo do Decreto-lei nº 63/85 
dos direitos de autor 

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

Sou...

...
Sou a singeleza da palavra
que compõe o meu verso
e a emoção do sentimento
com que pinto o poema,
Sou a pureza da metáfora
na estrofe da minha vinda
que me navega 
pelas águas da dignidade


José Carlos Moutinho
17/2/2020

AS BELAS MENINAS PARDAS

Voavam

Navegador




Já naveguei em baixo caudal 
de um qualquer rio da vida, 
viajei por alto mar, ocasional 
em busca da terra querida

Já lutei com marés adversas 
sempre as levei de vencida, 
não pensem serem conversas 
o que digo de maneira sentida

Prefiro, porém, águas calmas 
sem dificuldades de assustar, 
e, claro, para evitar os traumas 
navegar serenamente ao luar

José Carlos Moutinho 
14/2/2020


domingo, 16 de fevereiro de 2020

Terra de poetas

Terra tão profícua de poetas 
esta nossa onde nascemos, 
alguns escrevem palavras certas, 
outros há, que nem entendemos

Assim acontece porque o poeta 
é um ser, dizem, muito diferente, 
o que acho ser uma grande treta 
pois o poeta é igual a toda a gente 

Alegam que o poema vem da alma 
que seja essa, de alguns, a opinião, 
eu que tanto escrevo, com calma 
acho que o poema vem do coração

Que nasça na alma ou no coração 
é assunto muito pouco relevante, 
importa que o poema seja emoção 
do leitor, considerando-o marcante 

José Carlos Moutinho 
14/2/2020




A MULEMBA SECOU - de Aires Almeida Santos

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Pó do tempo

Poema sem nome...só para divertir

Escrevo estes versos
como quem vai ver o mar
piso caminhos dispersos
até me sentar a observar

perguntam o que observo eu
e eu respondo que nada
porque se eu não sou ateu
olho o céu de voz silenciada

e dirão vocês outra vez 
mas estás silencioso porquê
e eu que nem sou chinês
replico é vontade do freguês

ah...mas isso é um disparate
repetirão certamente todos vós
o que tu estás é no engate
corei e fiquei até sem voz

José Carlos Moutinho
13/2/2020

Introspecção

O mais difícil não é escrever livros, mas sim, conseguir que sejam editados por alguma editora que, minimamente, os divulgue através dos meios livreiros. 
Porém, para mim, simples desconhecido, o mais importante, é a presença e o calor das pessoas que me cercam aquando do lançamento de um livro. 
Ver uma sala repleta é a consagração de um autor e uma garantida prova de amizade ou de apreciação pelo que escrevemos. 
Depois, é a continuidade dessa manifestação de amizade ou de aceitação pela minha escrita, nos pedidos que me são feitos à posteriori ou pela minha divulgação..
A minha maior satisfação é saber-me em casa de cada amigo/a ou simples leitor. Sinceramente, sem demagogia.
Bem Hajam, a minha gratidão a todos que têm estado comigo, sem vós, há muito que teria arrumado a caneta ou...o teclado!

É bom recordar

Em 2015, foi a minha primeira passagem pela RTP África, no programa Bem Vindos, entrevistado pela excelente jornalista Claudia Leal...é bom recordar