MAS…
José Carlos Moutinho
Portugal
8/5/2026
Os caminhos outrora percorridos,
sob um sol acalentador e fecundo,
iam reduzindo a distância
que mediava o início venturoso
e o seu incógnito fim.
A brisa, bafejante e incentivadora,
fazia-se presença constante
nas obras que a inspiração, em solo fértil,
ousava divulgar e criar.
Contudo, como em tudo o que é vida,
também esse sol esmoreceu;
quiçá mais célere do que o imaginado.
Os caminhos tornaram-se sombrios,
sob a dúvida de uma natureza
de cariz humano — talvez.
Mas a brisa, essa fiel amiga,
numa inspiração que não perece,
permanece ainda conciliadora.
Mas… há sempre um, «mas».
Aquele que conduz ao desalento,
à desistência e à frustração,
quando já não é possível alhear-se
da ausência do sol e das veredas
antes floridas e ridentes;
nem dos abraços imensos, colhidos
mesmo em tempos de vendaval.
Pois a vontade — essa força que anima e projecta
o pensamento e a mão para o plantio —
vai-se tornando cansada,
não pelo ofício, mas pela desilusão
de ver a procura escassear e o brilho apagar-se.
A obra perderá, então, a sua ousadia
ao procurar outras mãos que já não a buscam,
que já não a acarinham como outrora;
entregar-se-á ao silêncio plasmado no papel.
Pois o autor, esse obstinado e teimoso,
jamais deixará de libertar a sua alma
naquilo que tanto prazer lhe confere:
Escrever… escrever…
Até que a mão se fatigue por falta de eco




