José Carlos Moutinho
13/9/2026
Portugal
Nas tardes melancólicas,
em que o pensamento se inquieta,
deixo-me envolver na sua corrente,
levado pelas mais diversas meditações.
E penso, interrogando-me:
Será que o Universo conspira
contra a humanidade,
ou será a humanidade
que provoca o Universo?
Obviamente, fico sem resposta.
Decido, então, ser eu
a viajar pelos meus pensamentos,
que desejaria românticos
ou líricos...
Mas, contrariamente,
levam-me ao caos.
Sim...
ao caos em que vivemos.
Uma constante inquietude
em cada dia,
absorvendo medos
em cada esquina,
provocações gratuitas,
sem razão para existirem.
A vaidade veste-se de soberania,
acompanhada pela hipocrisia,
e arroga-se superior.
A amizade torna-se coisa vã.
E quando pensamos
que ela ainda existe,
explode a frustração
em lava de absoluta desilusão.
Quantas vezes
recuo aos momentos de outrora
e, embora aberrações houvesse,
penso que quase tudo
era bem diferente.
As pessoas respeitavam-se,
confraternizavam,
não se espoliavam,
não se agrediam
com a mesma facilidade de agora.
Talvez a memória
também tenha os seus enganos...
Mas angustia-me pensar no futuro.
Não por mim,
que já ultrapassei
o limbo do razoável.
Preocupa-me, sim,
o mundo que ficará
pelos meus filhos e netos.
Vejo um mundo perdido
em falsidade,
egoísmo,
arrogância,
num anseio louco pelo poder
e em tanta... tanta maldade.
Pobre humanidade,
que sofre às mãos
de homens sem escrúpulos,
de políticos mal preparados
e corruptos,
que lesam as próprias pátrias
e, consequentemente, o povo,
com a maior desfaçatez,
em proveito próprio.
E eu volto a interrogar-me:
Será o Universo
que conspira contra nós?
Ou seremos nós
a conspirar contra ele?
Triste mundo este
em que vivemos.







