As gaivotas voam

terça-feira, 19 de março de 2019

Longa viagem

Meu Pai

segunda-feira, 18 de março de 2019

Longa viagem


Quando a nostalgia me chama
olho calmamente o infinito
e perco-me numa longa viagem
nas asas dos meus pensamentos
perfumados de acácia e manga
e permito levar-me por caminhos rubros
de pó, que voa com o vento...

cansado, mas feliz por esta viagem
sentei-me a descansar minhas emoções
sob o abrigo das longas copas,
das altivas árvores,
sentinelas do tempo,
vejo-me recuar à minha juventude
quando nas picadas
eu inventava paixões em encontros
de amor…
e o gigantesco imbondeiro
contemplava-me em silêncio
agitando como sinos de cristal
as suas dependuradas múcuas
numa melodiosa oração!

Mas o tempo…
inexoravelmente continua a esvair-se
no meu tempo
obrigando-me a suspender esta viagem
lembrando-me que o passado
faz parte da saudade
e o futuro, quiçá,
em breve seja finito!

De olhos semicerrados,
de coração latejante
e alma saudosa
aportei ao meu ponto de partida
neste meu presente
que guarda nos silêncios
os meus instantes de felicidade

José Carlos Moutinho
17/3/19

Decreto-Lei, nº 63/85
dos direitos do autor


A pétala

...
A pétala pousou-lhe na mão
como mensagem de amor
ela sorriu e sentiu a paixão
de alguém na forma de flor

José Carlos Moutinho
18/3/19

domingo, 17 de março de 2019

Longa viagem (Áudio)


Pétalas do tempo




Agarro as pétalas do tempo
que displicentes tentam passar por mim,
aperto-as nas minhas mãos
retardando-lhes a viagem
embora saiba
que não terei força
nem sequer tempo
para as manter ancoradas
no porto dos meus anseios!

Velozes, como o meu pensamento,
as folhas revoltam-se,
soltam-se das minhas mãos inertes
e já tão cansadas…

impotente perante tal energia
que me transcende,
deixo-as voar,
restando-me ficar a olhá-las,
que, indiferentes
me contemplam piedosas, quiçá,
da minha insignificância

José Carlos Moutinho
1/3/19

Decreto-Lei, nº 63/85
dos direitos do autor

sábado, 16 de março de 2019

Ser poeta




Tu, que inventas metáforas
fazes versos coloridos
e coreografas de estrofes o papel,
diz-me,
ou melhor, explica-me,
porque razão o fazes,
será porque és poeta,
sonhador de quimeras
ou fingidor de sentimentos?

Ensina-me,
se tiveres humildade para o fazer,
porque também eu
gostaria de ser como tu,
até poder fazer versos rimados,
nem queria
que me chamassem de poeta,
bastar-me-ia a felicidade
de saber criar o poema
que deliciasse quem o lesse…

só isso me bastaria
para me fazer pensar
que ser poeta é,
simplesmente,
ser diferente

José Carlos Moutinho
4/3/19

Decreto-Lei, nº 63/85
dos direitos do autor