quarta-feira, 26 de agosto de 2026

#REVISTA POÉTICA AZAHAR nº 142

 𝐓𝐞𝐧𝐡𝐨 𝐚 𝐡𝐨𝐧𝐫𝐚 𝐭𝐞𝐫 𝐨 𝐦𝐞𝐮 𝐩𝐨𝐞𝐦𝐚 𝐀 𝐁𝐄𝐋𝐄𝐙𝐀 𝐃𝐀 𝐕𝐈𝐃𝐀, 𝐢𝐧𝐬𝐞𝐫𝐢𝐝𝐨 𝐧𝐚 𝐩𝐚́𝐠𝐢𝐧𝐚 𝟏𝟕𝟖, 𝐧𝐚 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐭𝐢𝐠𝐢𝐚𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐩𝐨𝐞́𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐢𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐀𝐙𝐀𝐇𝐀𝐑 𝐝𝐞 𝐀𝐠𝐨𝐬𝐭𝐨 𝐜𝐨𝐦 𝐨 𝐧. 𝟏𝟒𝟐.

𝐎 𝐦𝐞𝐮 𝐠𝐫𝐚𝐧𝐝𝐞 𝐨𝐛𝐫𝐢𝐠𝐚𝐝𝐨 𝐚𝐨 𝐬𝐞𝐮 𝐢𝐥𝐮𝐬𝐭𝐫𝐞 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐢𝐝𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐒𝐫. 𝐉𝐨𝐬𝐞́ 𝐋𝐮𝐢𝐬 𝐑𝐮𝐛𝐢𝐨 𝐙𝐚𝐫𝐳𝐮𝐞𝐥𝐚.
𝐃𝐞𝐬𝐞𝐣𝐨 𝐭𝐨𝐝𝐨 𝐨 𝐬𝐮𝐜𝐞𝐬𝐬𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐟𝐚𝐧𝐭𝐚́𝐬𝐭𝐢𝐜𝐚 𝐑𝐞𝐯𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐜𝐮𝐥𝐭𝐮𝐫𝐚𝐥.



#AMIGOS SÃO A FORÇA INVISIVEL

AMIGOS SÃO A FORÇA INVISIVEL

Mas, paradoxalmente,
presente,

que nos acompanha ao longo
da estrada da vida.

Tive, pelo meu já longo caminho,
muitos amigos.

Daqueles que abraçam
com a força do sentimento,
que se fazem presentes
naqueles momentos
em que, sem nada dizermos,
eles estão lá.

Com a palavra importante,
com o sorriso que alimenta
e o abraço que fortalece.
Infelizmente, o tempo, inexorável
e frio,
vai levando alguns desses amigos,
fazendo com que esse número diminua.

Foi numa dessas tristes situações
que eu perdi...

...não direi o meu melhor amigo...

...mas poderei dizer,
com toda a convicção,
que foi um dos melhores.

Alguns anos, desde então,
são já passados,
mas a lembrança, sempre presente
e pertinente, desse meu
especial e saudoso amigo
jamais sai da minha memória.

Recordo, com profunda emoção,
o seu carinho,
o seu aconchegar-se em mim,
pedindo-me, em silêncio,
que eu o abraçasse.

E eu, sensibilizado e grato
por tanta entrega,
tanta amizade,
tanto amor, direi mesmo,
deixava-o meter a sua
alva cabeça
debaixo do meu braço.

Quanta ternura naquele olhar meigo,
fixado em mim,
que me fazia sentir,
da sua parte,
uma ternura infinita.

Tenho muitas saudades
daquele meu amigo...

Lamento que o seu tempo de vida
tenha sido tão curto.

Embora, perante as leis da natureza,
tenha vivido o seu tempo,
acho, todavia,
que deveria ter sido mais longo.

Pelo valor,
pela lealdade,
pela entrega,
pelo amor que nos devotam.

Tenho a certeza de que um dia,
quando eu desta vida me ausentar,
irei encontrar aquele meu velho
e saudoso amigo.

O meu querido Vega,
meu companheiro de tão bons momentos,

meu Serra da Estrela,
branco como a paz que ele emanava.

José Carlos Moutinho
Portugal
26/8/2026




segunda-feira, 24 de agosto de 2026

#SILÊNCIO FINAL

SILÊNCIO FINAL
José Carlos Moutinho
24/8/2026
Portugal.

Obviamente que não pedi para nascer.
Seria uma alucinação pensar semelhante disparate.

Todavia, tenho de agradecer aos meus pais
por me terem trazido ao mundo,
talvez, até, por descuido,
num instante de felicidade.

Assim, sou feliz por ter tido a felicidade
por esse momento ter acontecido
e agradeço ao universo,
do modo mais profundo,
a sorte imensa da mãe
que a vida me deu.

Uma mãe que, pese embora
as dificuldades económicas,
se desdobrou em amor e carinho
para que o seu menino,
nascido tardiamente, nos tempos de outrora,
fosse feliz como os demais.

Tive, portanto, uma infância maravilhosa,
onde a ausência de um brinquedo
era compensada pelo abraço terno
da minha mãe.

A adolescência passou célere,
amadurecida antes do tempo,
por uma vivência responsável e digna,
em que os meus valores
caminhavam à frente da minha idade.

A história da minha já longa existência
foi feita em percursos de ética,
por caminhos de honra.

Fiz-me homem sem recorrer a subterfúgios
nascidos da ilegalidade ou da desonra.

Constituí família, criei filhos,
plantei uma árvore e escrevi livros.

Se, alguma vez,
a minha ironia ou o meu sarcasmo
surgiram quando o momento exigia seriedade,
ou se brinquei com assuntos
que não admitiam brincadeira,
peço, sinceramente,
que me perdoem.

Nunca foi o meu propósito ferir.
Da minha parte, sigo em paz,
porque há muito perdoei
todos aqueles que, de algum modo,
me magoaram.

Que mais posso desejar,
nesta felicidade serena
e neste privilégio de uma provecta idade?

Nada, certamente.

Basta que a vida me leve nas suas mãos,
não permitindo que algo de anormal
me atinja, conduzindo-me à dependência
ou a qualquer situação
que eu já não consiga controlar.

Embora esta serenidade
que o tempo hoje me concede,
um dia terminará.

Tudo termina nesta vida.

Então, quando esse dia, fatalmente, chegar,
e me encontrarem
num enfeitado ataúde,
de rosto pálido, sem sangue,
corpo inerte e frio, 
não venham com o cliché de sempre:
 
"Afinal, era uma boa pessoa."
 
E se alguém houver entre os presentes,
que me ignorou em vida,
não ouse balbuciar palavras piedosas
suadas de falsidade,
porque agora, nada valem
 
Não.
Não digam nada.

Se em vida pensavam que eu não merecia
a vossa presença,
não venham; permaneçam ausentes.

Mas, se entenderem que devem estar presentes
porque me estimavam enquanto vivi,
então não chorem.

Não me cubram de flores... ainda sufoco!

Sorriam, simplesmente.
Sorriam e cantem.

Porque terei o privilégio
de conhecer o Além,
de entrar no Mistério.

Ah... antes que me levem,
perante a consternação de amigos sinceros
e de familiares,
para a cremação,

se puderem, leiam poemas meus.

Acredito que os ouvirei,
porque o meu corpo, agora imóvel,
já libertou a minha alma.
E ela, certamente, escutará
a vossa gentileza
na voz de quem disser alguns dos meus versos,
fazendo-me acreditar, lá do Alto,
que talvez...
 
talvez eu tenha sido poeta.

Um abraço. Muito obrigado.




domingo, 23 de agosto de 2026

#RICA CHUVA

 

RICA CHUVA
José Carlos Moutinho
Portugal
23/8/2026
 
Caiu, miudinha e fria
a chuva fora de tempo
veio em forma de poesia
para esquecer o lamento
 
Chove, chuva sem tento
neste tempo que inquieta
mas é graças a ti, ó vento
que esta gente aguenta
 
Molha tolos e os espertos
num molhar descontraído
com estes pingos libertos
solta-se o humor sentido
 
Pior seria, grande chuvada
a causar enormes estragos
serena, vem até abençoada
para se obter belos afagos
 
Claro que chuva incomoda
obriga a alguma proteção
senão o cabelo sai de moda
e isso pode causar confusão
 
Gosto desta chuva molhada
que refresca pensamentos
de gente mal-intencionada
amarga e sem sentimentos

 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

#O VENTO

 

O VENTO
José Carlos Moutinho
Portugal
20/8/2026

Em silêncio vi o vento passar,
gritando o seu descontentamento;
inquiri a razão do seu desatinar,
não replicou — porque era vento.

Não gostei daquela arrogância,
como se fosse atitude humana;
desanimou-me tal deselegância,
irritou-me a sua forma profana.

Bem sei que o vento não fala,
pelo menos eu não o entendo;
todavia, quem escuta e se cala,
é mudo ou estará se excedendo?

Fiquei a pensar nesta questão,
até cheguei a pensar ser louco,
acreditando ter perdido a razão,
com meu gritar até fiquei rouco.

Acabei por desistir da confusão
que na minha cabeça nascera;
acalmei o meu inquieto coração 
e, com este rimar, tudo esquecera.




segunda-feira, 17 de agosto de 2026

#PARA QUE AS MINHAS PALAVRAS NÃO SE PERCAM

PARA QUE AS MINHAS PALAVRAS
NÃO SE PERCAM
José Carlos Moutinho
27/7/2026
Portugal.

Pergunto-me por que escrevo
se publicar livros já desisti.
Talvez para que fiquem na gaveta
e algum dia alguém os descubra,
quando a minha ausência for sentida.

Será tudo isto perda de tempo,
ou servirá esta azáfama da escrita
para que a mente não se acomode
na acalmia do raciocínio
nem se perca no marasmo da inconsciência?

Francamente, não sei.
Não consigo controlar esta força
que move os meus dedos,
desperta-me a imaginação
para que as minhas palavras
não se percam no abismo da inexistência.

Confesso...
que, apesar desta minha inquieta dúvida,
permito-me o prazer
de construir mundos de ilusões
e também de verdades...

...e quando olho o papel, antes vazio,
agora colorido de ideias e sentires,
orgulho-me deste meu singelo feito.

Assim, até que um dia,
aquele dia que todos tememos,
me force a parar,
marcando, nesse instante,
o meu silêncio...
 
...e se calem, comigo,
as palavras
que nunca deixaram de me procurar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

#CONFISSÃO DE UM SONHADOR

 

CONFISSÃO DE UM SONHADOR
José Carlos Moutinho
Portugal
10/8/2026
 
Longe ficou aquele meu tempo
onde eu me deixava levar pela ilusão
e, transportado por sons imaginários,
navegava em marés inquietadas por sonhos.
 
Apesar dessa inquietação
que agitava o meu viver,
eu sentia um prazer desmedido
em imaginar coisas, talvez até, impossíveis.
 
Enquanto, lá fora, o ruído da vida
tumultuava as vivências,
dentro de mim existia um outro murmúrio —
suave, porém, insistente —,
forçando-me à ousadia da escrita.
 
E, perante a simbiose da ilusão e do sonho,
deixava-me catapultar para as palavras
que eu ia escrevendo
e que outros, ao lê-las,
diziam ser poesia.
 
Nunca me permiti iludir com tal proeza,
porque era genuína e muito sentida a emoção
que me concedia o dom de plasmar palavras
naqueles papéis alvos de anseios.
 
Hoje, passados tantos e tantos anos,
olho, serenamente, para aquele maravilhoso ontem
e, com alguma imodéstia, confesso
que terei alguma aptidão
para, como amabilidade,
transformar pensamentos e anseios em textos.
 
Serão poemas, serão prosas,
será literatura...
Nada me importa.
Não, não me julguem arrogante ou presunçoso.
Não me importa que qualifiquem ou adjectivem
o que escrevo,
porque me dá imenso prazer em fazê-lo.
 
E, mais ainda, cresce em mim uma enorme felicidade
por ter o privilégio indescritível
de saber quando dizem gostar do que escrevi.
 
Concluo, com esta narrativa feita poema
(ou o que desejarem chamar-lhe),
que aquelas emoções de outrora
mantêm-se em mim,
natural e sinceramente,
com a mesma intensidade.
 
Admito, pois... sou um sonhador!

 

domingo, 9 de agosto de 2026

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

#DA INSENSATA REVOLTA E DO EFÉMERO SOPRO

DA INSENSATA REVOLTA E DO EFÉMERO SOPRO
José Carlos Moutinho
Portugal
3/8/2026
 
Que estranha e obscura revolta será esta
que hoje move as vontades,
arrastando os homens por trilhos
de uma desconexão profunda?
 
Enquanto os vales, em sua muda sabedoria,
parecem sorrir à passagem do tempo,
as montanhas abafam gritos antigos
e as ninfas dos rios entoam cânticos
que o ouvido apressado já não sabe colher.
 
Digo-vos, com a urgência de quem observa o abismo:
não trilheis esse caminho.
Recusai os pensamentos inquietos
que, sob o disfarce da provocação,
apenas semeiam a discórdia.
 
A verdadeira harmonia,
aquela que sustenta o espírito,
assemelha-se à folha que oscila,
feliz e leve, no seio da planta;
é a verdade, e apenas ela,
que possui o dom de iluminar as trevas da humanidade.
 
Urge abandonar a ironia oca
e despir o sarcasmo irritante que corrói as relações.
A palavra, quando digna, e a voz, quando íntegra,
repudiam o cinismo
com a mesma naturalidade
com que a brisa suave rejeita a violência do vendaval.
 
Quem sois vós, afinal?
Pobres de espírito
ou apenas cativos de uma arrogância mendaz?
Vemos almas perdidas, entregues a emoções em desvario,
deambulando pelas dunas rebeldes
e insanas da mentira,
onde o chão é incerto e o horizonte, falso.
 
Erguei os olhos e contemplai a serenidade das nuvens;
elas deslizam com a graça de um sorriso infantil,
lembrando-nos de que a paz é o nosso estado mais nobre.
 
Aquietai-vos, pois, almas em desalinho.
Reintegrai-vos na humanidade
que preza o bem e a concórdia.
Recusai a ofensa fácil e a provocação gratuita.
 
E se me perguntais por que razão o deveis fazer,
a resposta é de uma simplicidade absoluta:
porque nada mais sois do que um sopro
nesta breve passagem pelo mundo.
 
A vossa força não vos pertence
por direito de conquista,
foi-vos outorgada pela própria Vida.
 
Sois seres humildes,
ainda que a vaidade vos diga o contrário.
Foi-vos concedido o livre-arbítrio,
esse cinzel sagrado com o qual podereis,
se assim o entenderdes,
marcar a diferença nesta jornada
por este planeta já velhinho e estropiado
pelas mãos de quem, infelizmente,
nunca conheceu o escrúpulo.



sábado, 1 de agosto de 2026

quinta-feira, 30 de julho de 2026

#A ESTRADA IMAGINADA

 

A ESTRADA IMAGINADA
José Carlos Moutinho
Portugal
24/7/2026
 
Oh, privilégio dos deuses,
permitir-me caminhar calmamente
— porque já muito corri —
por esta estrada vazia,
vazia de preconceitos e maledicências,
iluminada pelo sol mais cintilante da verdade,
contemplada pela sonoridade encantadora
das aves que a sobrevoam,
cujas margens são coloridas
pelas mais belas flores de esperança.
 
Caminho sobre este tapete aveludado
como se fosse premiado
pelo meu contributo à harmonia
e à dignidade humana…
 
Cheguei, porém, ao fim da estrada,
que, infelizmente, era demasiado curta,
contrariando meus anseios latentes
e levando-me a uma profunda meditação
sobre o que acabara de passar…
 
Seria um sonho?
Talvez uma miragem?
Ou, o que seria mais natural,
ter sido acometido por uma alucinação?
Existiria mesmo essa estrada
que eu acabara de percorrer
e sobre a qual descrevi tantas maravilhas?
 
No fim daquela via,
obviamente imaginada,
sentei-me num pedregulho
que representava a agudeza da realidade,
e entreguei-me a uma reflexão profunda
sobre as minhas inquietações
— que contrariavam, de maneira cruel,
tudo o que eu, em pensamento, tanto ansiava.
Que desilusão!
Que privilégio tão efémero
aceitei dos deuses…
Provavelmente porque esses mesmos
não passam de ficção e pura imaginação.
 
Ah, como todos nós,
arrogantes passageiros desta vida,
seríamos tão mais felizes 
se aquela e outras estradas fossem verdade!

 

#ABRACEI-TE. Vídeo

ABRACEI-TE
poema de José Carlos Moutinho
Voz e me lodia geradas por IA




segunda-feira, 27 de julho de 2026

#GOSTARIA DE SER POETA (Vídeo)

 
GOSTARIA DE SER POETA.

Poema de José Carlos Moutinho
Voz e música geradas por IA



#GOSTARIA DE SER POETA

 

GOSTARIA DE SER POETA
José Carlos Moutinho
26/7/2026
Portugal

Gostaria de ser poeta

e escrever poemas belos
mas poeta eu não sou
dou-me apenas às palavras
com alegria e desvelos

Gostaria de ser poeta

inventar coisas de amor
sonhar como um sonhador
em cada verso um beijo
por ser esse o meu desejo

Embora poeta não seja

não irei deixar de amar
as palavras com emoção
que saem do meu coração
mesmo que seja a sonhar

Não me chamem de poeta

só porque planto sonhos
poesia é graça e beleza
se escrita com a certeza 
da verdade das paixões

domingo, 26 de julho de 2026

#LEVEZA DAS PENAS - Vídeo


 

#AVES NEGRAS

 

AVES NEGRAS
José Carlos Moutinho
26/7/2026
Portugal
 
Nas florestas da vida
voam aves de rapina,
usurpadoras da serenidade,
que batem as asas soltando penas,
penas negras com a acutilância das garras,
que perfuram, imbuídas de ímpios sentimentos,
os corpos delicados da sensibilidade...
São aves que voam com o sorriso da hipocrisia
e se escondem nas brumas da realidade.

Dizem-se gaivotas de asas brancas,
de alma generosa e compreensiva,
mas chafurdam nas pocilgas da mentira;
batem as asas e fogem, sopradas pelo vento
do mar com perfume de franqueza.

E as florestas que nos oferecem escolhas,
entre atalhos e caminhos floridos pelo sol,
levam-nos a receber a amizade de braços abertos
e a fazer da sinceridade a difícil e longa ponte
que nos deve unir a todos como seres humanos,
embora, por vezes, discordantes...
Pois a razão não pertence a ninguém; 
a dignidade, essa sim, é dever de todos.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

#VOZES CALADAS - vídeo


 

#VOZES CALADAS

VOZES CALADAS
José Carlos Moutinho
24/7/2026
Portugal

No feto profundo das ideias
nascem as palavras,
umas vezes serenas,
outras intempestivas e rebeldes

de nada adianta gritares
no surgimento das suas vozes,
que caladas podem amar
ou ferir…

nos teus braços
podes transportar
tudo que a tua vontade te dite,
se tiveres suficiente coragem
para dizeres ao mundo
quem realmente tu és!

porque será nos voares
dos teus pensamentos
que encontrarás inspiração
para realização
das caminhadas da tua vida

quarta-feira, 22 de julho de 2026

#O RIO DO MEU PENSAMENTO

 

O RIO DO MEU PENSAMENTO
José Carlos Moutinho
Portugal
24/5/2026
 
Soubesse eu entender-me
com as metáforas,
e fá-las-ia dizer-me do seu pensar
e a razão de vestirem
tantas imagens,
por vezes tão distantes
da realidade.
 
Mas como, francamente,
me falta essa arte,
deixo-me levar
na minha ciente ignorância
por outros caminhos;
daqueles em cujas margens
florescem sonhos
engalanados de acácias
e perfumados por ilusões
que, porventura,
se semeiam na minha mente.
 
Assim vou, devagarinho, por aí,
qual vagabundo perdido em utopias,
porém de alma cheia
e coração vibrante,
abraçado à ânsia
que me pulsa no peito
e me sussurra desejos
— e medos, também.
 
Medos… de me perder no vazio das ideias,
catapultado por quimeras 
fantasiosas e presunçosas
que me façam parecer
o que certamente não sou.
 
Então, na acalmia deste meu divagar,
em simbiose de anseios e sorrisos,
vou lavrando palavras singelas,
isentas de gargalhadas loucas,
mas serenas...
como as águas do rio
que corre, mansamente,  
no meu pensamento.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

#NO CACIMBO DA MINHA VIDA

NO CACIMBO DA MINHA VIDA
José Carlos Moutinho
Portugal
20/07/2026

Muitas vezes, no cacimbo da minha vida,
escutava eu o doce farfalhar das acácias,
enquanto as estrelas acendiam meus sonhos;
o luar cintilava quando me falavas de amor.

No calor com que a noite me abraçava,
fazia-me reviver sonhos místicos do kissangi,
quando eu percorria as vermelhas picadas
em viagens de encantos e imensas lonjuras.

Sim, havia em mim um eterno encantamento
pelas cores tropicais e pelos sons dos batuques
que, em noites de breu, trespassavam os ventos,
mergulhando no âmago dos meus sentimentos.

O presente roubou-me a vivência desses dias,
restando-me apenas o abrigo da memória,
e esta saudade feiticeira que me aperta o peito,
mas que também me acarinha na lembrança.

O tempo corroeu o longe entre ontem e hoje,
impiedoso e indiferente à dor que me subjuga.
Os anos passam com gélida displicência,
como se as histórias de outrora fossem sonhos.



terça-feira, 14 de julho de 2026

#CAMINHOS DE SONHOS E ILUSÕES

 

CAMINHOS DE SONHOS E ILUSÕES
José Carlos Moutinho
Portugal
14/07/2026
 
Desde menino, tantos sonhos tive,
Que bem sabia serem só quimeras;
O tempo, em passos que eu não previa,
Levou-me a trilhos nunca percorridos.
 
Desejei tanto, imbuído em ilusões,
Mas quase tudo se frustrou na vida.
Mais tarde, em mudez e conformado,
Aceitei esta falta de conquistas,
Pois vi que a própria vida assim se faz:
Somos moldados por intensas mágoas,
E as utopias vivem connosco.
 
Mas nesta marcha que nos move os dias,
Outros cenários surgem, de repente,
Sem que os tivéssemos imaginado.
São trampolins que a vida nos oferta
Para saltar barreiras e perigos,
E vencer rotas dantes desmedidas.
 
Será, talvez, o mundo a desafiar-nos,
Para que a alma, cheia de ousadia,
Se atire aos fados com real coragem.
E quando o tempo se nos mostra lasso,
Pela lonjura da cansada rota,
Temos a veleidade e o direito
De olhar para trás, sentindo a harmonia
Desta provocação que nos foi dada.
 
Bem sei que não foi tudo um mar de rosas,
Nem tampouco um jardim cheio de risos,
Muito menos um voo de ventura;
Mas foi aceite, sem a menor dúvida,
Toda uma obra de reais conquistas
Que nos alegra a alma e dá conforto, 
Na certeza de termos o sucesso.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

#AO TEJO

 

AO TEJO
(da minha saudade)
8/7/2026
José Carlos Moutinho
 
Gosto de passear pelas margens do tejo
é lá que encontro a paz que tanto desejo
contemplo suas águas em suave deslizar
sinto que comigo elas querem murmurar

Será utopia ou devaneio da minha mente
nada posso fazer perante este meu sentir
assim, na acalmia do meu sorrir ardente 
navego meu olhar triste por ter de partir

#VESTIDO DE UTOPIAS

 VESTIDO DE UTOPIAS
José Carlos Moutinho
Portugal
8/7/2026
 
Podem criticar, rir com desdém,
ou fazer o que bem entenderem;
pouco me importa o julgamento alheio,
 
se o meu desejo, neste breve instante,
é vestir-me das mais puras utopias
com que se trajam os poetas românticos.
 
Quero deixar-me levar pelas emoções
que o próprio silêncio murmura,
este mesmo silêncio que agora respiro;
sentir-me voar nas asas da imaginação,
alimentada por memórias de outrora
que nem o tempo implacável ocultou.
 
Serei, talvez, apenas um sonhador,
ou, quiçá, paire em mim a presunção
de me sentir, por momentos, poeta:
vagabundo das palavras,
viajante de caminhos metafóricos.
 
Deixar-me ir, sem rumo, por aí,
em estrofes tecidas de puros sonhos,
que a realidade terá, por certo,
rimado em versos de fina ausência,
feitos de fragrâncias de saudade
e salpicados pela maresia do meu mar.
 
Mar… sim, o meu eterno mar,
onde outrora fui feliz,
nadador de ilusões,
em ondas de paixões escaldantes
que na areia morna dos desejos
se diluíam, suavemente, em nadas.
 
Neste agora que me rodeia e acolhe,
no mesmo silêncio em que me recolho,
traço estas palavras, pausadamente,
tentando aquietar a agitação do coração,
como se o pudesse, de facto, controlar...
 
pobre de mim, eterno artífice de devaneios,
perdido nas miragens 
do meu próprio pensamento.

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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