As gaivotas voam

sábado, 30 de novembro de 2019

O olhar

O meu olhar perde-se
pela estrada da desesperança,
agora, cansado, remete-se
a uma quietude de bonança

Perdeu o brilho de um certo tempo
pela ausência de outro olhar,
resta-lhe um triste lamento
magoado por não saber brilhar

Talvez um dia, surja uma luz
que faça o teu olhar cintilar,
nem que eu peça a Jesus.
para voltar a sentir teu amar

José Carlos Moutinho
30/11/19

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Vento que passa

Que vento este que passa
assim agitado e tão cansado,
grita a tristeza que o perpassa
na dor que sente ao seu lado

Eu que não sou vento, sinto
palavras vestidas de sombras,
sou assim e jamais desminto
não gosto de muitas delongas



terça-feira, 26 de novembro de 2019

Desabafo (o meu tempo)

O meu presente já não dá esperança aos meus sonhos; talvez por eu não ter tempo para os ver realizados ou porque acha que não devo mais sonhar. Este é um pensamento que, frequentemente, me esmaga os anseios, mas que, todavia, tenho de o entender como imposição temporal à qual, inexoravelmente não me posso escusar.
Confesso que, por vezes, me irrita esta situação de me sentir limitado pelo tempo que cerceia os meus impulsos; tento repudiá-lo, mas ele, tempo, cola-se aos meus movimentos e até bloqueia, de algum modo, o meu modo de pensar.
Admito que, tento repelir, resiliente e obstinado, essa limitação. Então, para contrariar a implacabilidade do tempo, escrevo, escrevo...e, faço-o até, de maneira compulsiva, como se receasse que o meu tempo de repente se lembrasse de me cortar essa febril vontade de escrever.
Sonhador ainda, sentimento que me vem da juventude, faço com as minhas palavras escritas, livros; edito-os, talvez, a um ritmo que confunde os meus pares, pois escuto as críticas e suas ausências aquando dos lançamentos ou apresentações. Ausências que, a cada ano, se vão tornando mais prementes, por razões, algumas, que penso conhecer. 


(Criticar é fácil se, eventualmente, não se consegue o mesmo ritmo de edição literária ou o modo de actuar em relação à divulgação dos livros)

O sonho que há em mim é o meu presente, que tem de ser realizado hoje; é, precisamente, esse sentimento que passa despercebido ou é desconsiderado pelos meus companheiros das palavras escritas, que também, como eu, sonham, só que, têm, pela lógica da idade, mais tempo para as suas realizações.
Eu, simplesmente tenho pressa, porque o meu tempo é urgente!

José Carlos Moutinho
26/11/19

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

És brisa

...
És a brisa que me afaga
nos silêncios da minha solidão
és prazer que jamais acaba
neste meu sentir feito de ilusão
que na noite que tarda
se faça alvorada de emoção

José Carlos Moutinho
25/11/19

Amor à primeira vista (Áudio)


Booktrailler de "A FORÇA DE AMAR"

Palavras vagabundas

Deixem-me falar das palavras vagabundas
que, na solidão do meu quarto,
partiram de mim,
cansadas da escuridão, das janelas fechadas
como desejavam ser livres,
abandonaram-me, partindo para lugar incerto,
fiquei só, pensativo e vazio das companheiras
que me alimentavam a alma

agora, resta-me esperar que voltem,
talvez, até, nem me encontrem mais,
porque, também eu, cansado,
tenha partido em busca delas

se, porventura, não as encontrar,
tentarei então, convencer-me
de que as palavras, certamente,
não se querem prender a mim

José Carlos Moutinho
23/11/19

sábado, 23 de novembro de 2019

Palavras vagabundas (Áudio)


Versos enregelados

Vou aconchegando os versos
em ninhos de sorrisos,
esperando que o frio se vá,
para que os versos,
com penugem de metáforas,
possam levantar voos aleatórios,
amparados, porém, pelas folhas de papel
que se prendem a algum hipotético
livro de esperança,
voem, sorridentes,
até às mãos,
de quem goste de os ler,
expectantes por escutarem
alguma melodia de apreciação!

Enquanto isso não acontece,
a cada dia, mais versos se aninham
junto dos já aconchegados
pelo hiato de espera,
e cantam ilusões, em rimas desatinadas,
tentando fazerem-se estrofes
num ensaio sem tempo

José Carlos Moutinho
20/11/19



sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Brisas

Abraço as brisas que passam
num repentino desejo de as afagar,
porque, com as brisas, perpassam
odes ao amor que se quer cantar

E se as brisas se escapam de mim
fica-me uma inconsolada frustração,
talvez receie que suas asas de cetim
se quebrem com a minha emoção

José Carlos Moutinho
22/11/19

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Aquele Fontanário


Não pude evitar a tristeza,
quando certo dia,
ao passar pelo local 
onde tantas vezes estive
e ver o estado decrépito
de morte atroz e lenta
daquele velho fontanário,
seco pelas amarguras do tempo,
que há muito, certamente,
deixou de debitar a cristalina água
que saciou tanta gente!


Olhei para o esqueleto daquela fonte,
emocionei-me, ao pensar
em quantas alegrias participou…
e que tantas foram as mágoas
choradas nas águas 
daquele fontanário, solidário!


Sentei-me nas pedras corroídas
pelas memórias dos amores 
que o fontanário conheceu,
dos segredos que lhe foram partilhados
e guardados na eternidade do seu silêncio,
das paixões exaltadas, 
abençoadas pelo fio de água
que deslizava pela sua airosa boca, 
e esfriava os ímpetos exacerbados dos amantes!


Agora, aquela fonte morria, 
inexoravelmente,
abandonada por todos…
ela que acolheu tantas confidências,
de paixões proibidas,
de promessas matrimoniais,
de desavenças descontroladas…
jazia ali, num silêncio constrangedor,
cercado por ervas daninhas,
num total e doloroso abandono!


Ah, tristeza…
Monumentos que se fizeram marcos,
onde os sentimentos foram vida, 
felicidade, paixão e amor,
acabarem assim…
como coisa inútil e insignificante…







José Carlos Moutinho

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Informação


Todos partem


E todos partem!

Ricos, pobres e remediados,
Intelectuais, ignorantes e outros,
cantores, poetas e escritores,
milionários, vagabundos e miseráveis,
pintores, músicos e outros
brancos, negros e amarelos
católicos, budistas e evangelistas, etc…

Todos partem!

Somos todos, passageiros
deste carrossel da vida,
nascemos com o destino predefinido,
de que um dia teríamos de partir,
ninguém é eterno!

Até a arrogância que se opõe à humildade,
a ignorância que se submete à sabedoria,
a riqueza esbanjadora
que ofusca a pobreza avassaladora,
partirão com quem parte,
nada fica!
Salvo, obviamente, as obras
que os seus criadores deixaram
para que outros tivessem o prazer
de as contemplar!

Homenageio todos os que deixaram marca,
em valor artístico, social e humano
neste mundo de preconceitos!

Todos partem, Paz às suas Almas
que encontrem o paraíso da Eternidade!

José Carlos Moutinho
19/11/19

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Carrossel de loucos (Áudio)


Quero o calor

Deixa-me murmurar-te palavras coloridas
mesmo que te sintas cinzenta,
porque as palavras bem sentidas
fazem-te esquecer o que te desalenta

Escuta com doçura o que te digo:
tenho saudades do dia que me beijaste,
tanto tempo se passou, que castigo,
ai, meu Deus que tremendo desastre

Então se puderes dá-me um abraço
para que meu coração se acalente,
com tanto frio já nem sei o que faço,
quero o calor do verão bem quente

José Carlos Moutinho
18/11/19

domingo, 17 de novembro de 2019

Carrossel de loucos


Quisera eu, que este meu pouco tempo
fosse tanto do meu desejar
e que o voo das gaivotas
fosse a eternidade do meu sonhar,
que os muros da inquietude
se pintassem com os sorrisos do luar,
e os cansaços de desânimo
se vestissem de fantasia
em oásis de felicidade!

Quisera eu, que este mundo
onde nos desassossegamos
se fizesse crisálida
metamorfoseada borboleta colorida,
e que as montanhas altivas
afogassem a sua arrogante imponência
nas águas cristalinas dos riachos
que se passeiam pelos vales da igualdade!

Quisera eu tanto de improvável,
que me acolho humildemente
à minha insignificante presença
entre os meus semelhantes,
embora, alguns, surreais sonhadores
imbuídos de eternos anseios,
recusem reconhecer que,
em boa verdade, são, somente,
passageiros de um carrossel
de loucos, poetas e outros

José Carlos Moutinho
16/11/19

sábado, 16 de novembro de 2019

Folhas molhadas



nas folhas caídas e molhadas 
de um Outono que nasceu chuvoso, 
vi poesia pintada com o matizado do tempo, 
aninhada no chão frio 
e que, delicada, me olhava 
com o sorriso das gotas da chuva 
que serenamente caía do Além

José Carlos Moutinho

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Ai, os sonhos

Quis agarrar os sonhos
que me murmuravam ilusões,
mas os sonhos estavam nus,
não consegui segurá-los...
escoaram-se entre os meus dedos
como o fio de água 
que corre na fonte dos devaneios,

corri, louco, em sua perseguição
porém, as minhas pernas 
esmoreceram-se pela frustração
daquele meu desaire,

desisti, desanimado, 
virei-me para o outro lado da cama
e esperei a vinda 
de novos e mais amáveis sonhos

José Carlos Moutinho
15/11/19

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

Poesia na Galeria 3: DESERTOS

Poesia na Galeria 3: DESERTOS: DESERTOS Os caminhos estão desertos, pelo chão espalham-se folhas secas caídas das árvores cansadas pelas palavras gritadas d...

Calo a voz

...
Calo a minha voz
guardo as minhas palavras
no silêncio da escrita,
ausento-me de vós
antes que a tarde seja proscrita
pela noite exausta e veloz
ansiosa pela madrugada
quando a incerteza se faz atroz


José Carlos Moutinho
14/11/19

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Que dia é esse?

Sei de um dia...
que nada mais será como desejei

embora tenha feito tudo para o realizar,
sei de um dia...
que sorrirei ou talvez me entristeça
pela minha incapacidade de entender o mundo,
sei de um dia...
em que vale mais ser do que ter
e compreender que as portas se fecham 
aos que têm chave, mas não aos que têm acesso,
sei de um dia...
em que as desilusões ultrapassarão os anseios
e a esperança será mera e vã palavra, 
que, infelizmente, se comprovará improvável


José Carlos Moutinho
13/11/19

Queria voar



Queria ter asas para voar, 
sim, voar até onde tu estás, 
depois, poderia, feliz, retornar 
e se desejasse voltava atrás 

Voaria ágil como um condor, 
silencioso, com um desejo, 
dizer-te do meu grande amor 
através de um doce beijo 

José Carlos Moutinho 
13/11/19

terça-feira, 12 de novembro de 2019

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Esvoaçam

Sobre sua cabeça, esvoaçam, livremente ,
folhas matizadas de sonhos, 
que se haviam libertado 
das amarras dos troncos,
têm asas feitas de pétalas de utopias,
perfumadas de maresia,
e voam a par das gaivotas
que lhe cantam melodias do mar
em ritmo de sedução e encantamento


José Carlos Moutinho
11/11/19

domingo, 10 de novembro de 2019

Um tal desfecho


A jeito

Procuro e não encontro
o verso sem metáfora nem rima,
o problema com que me defronto
não se esconde ali na esquina

E o poema não aparece, teimoso,
insisto porque não sou de desistir,
também, porque não sou invejoso
das palavras que se recusam vir

O verso simples, porém, surge
aninhado em quadra sem defeito
porque para mim, o tempo já urge
escrevo o que me der mais jeito

José Carlos Moutinho
10/11/19

sábado, 9 de novembro de 2019

sem futuro

...
Em dias de nostalgia
calo meus sonhos na areia do tempo
e recuo aos anseios improváveis da juventude,
vestindo-me com trajes de poeta sonhador,
desconhecido e sem futuro

José Carlos Moutinho
9/11/19

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Poesia sem tiques



Gosto da poesia sem tiques
do mesmo jeito que eu sou,
embora não pertença aos chiques
sinto que a poesia me abraçou
há muito, sem quaisquer palpites
certa tarde que o vento levou
num tempo ainda sem artrites
mas que em mim se aconchegou

José Carlos Moutinho
7/11/19

Tanto, tanto...

Tanto mar e tantas marés por dominar
tantos sonhos por realizar
tanto tempo futilmente desperdiçado
em tão pouco tempo para se viver
tanto sol, tanta luz...sem capacidade 
para iluminar tantas mentes
que se escondem na escuridão
tanta água cristalina corre em rios 
de margens poluídas

José Carlos Moutinho
7/12/19

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Vagueio do meu olhar

Os meus olhos vagueavam
pela lonjura
e perdiam nas margens,
o que o meu sentir tentava impedir
pelos suspiros no meu peito,

o agitar dos ramos das acácias
trazia-me a frescura das memórias
que eu havia deixado espalhadas
pelos caminhos escondidos entre florestas
rodeados de quiméricas miragens,

ainda sentia os cheiros fortes
oriundos dos mais recônditos espaços,
que eu desconhecia,
dada a minha pequenez
perante tamanha grandeza,
mas que me enchia a alma de anseios,

e agora o meu olhar
retornara àquele lugar,
que a minha mente
tentava aconchegar no baú
das coisas felizes,
para que a dor da saudade
não lhe atormentasse a alma,

ignorando, porém, a minha agitação
o meu olhar percorria, emocionado,
quase em êxtase, todos aqueles lugares,
observando, carinhosamente,
os caules das árvores do passado,
colhendo os perfumes das seivas do tempo,
sob o azulado céu da felicidade,
a cada lembrança
que o meu olhar me transmitia,
o meu corpo estremecia
numa simbiose de alegria e tristeza,
e eu, impotente, mas solidário,
deixava-o vislumbrar
o que ele desejasse,
permitindo-me saciar
a ilusão daqueles momentos…

que me permitiam
recuar nas asas do tempo
à geografia das minhas emoções.

José Carlos Moutinho
(Reservados direitos de autor)

A força de Amar - Romance


segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Vagueio do meu olhar

Aquele meu Sol

Segurei nas minhas mãos
o sol que me acalentava,
queria guardá-lo para o soltar
nos dias cinzentos,
ou até, para amenizar o escurecer
das tardes cansadas,


agarrei-o com carinho, sem o apertar
com receio de que desmaiasse,
levei-o comigo para o cantinho dos sonhos,
onde pensava colocá-lo numa redoma de cristal,


chegado ao cantinho das quimeras,
delicadamente, depositei-o no vaso transparente,
porém, involuntariamente,
ao recuar, tropecei na cadeira das ilusões,
escorreguei, com a redoma ao alto,
tentando evitar que se quebrasse
se batesse no chão,


esforço infrutífero,
pois, a redoma saltou-se-me das mãos,
e no pavimento frio da esperança,
fez-se em mil pedaços,
por onde o sol se esgueirou,
nunca mais vi aquele sol,
que eu tanto acarinhara
e que desejava tê-lo sempre ao meu lado


José Carlos Moutinho
4/11/19

domingo, 3 de novembro de 2019

Divagando

Sei lá porquê, escrevo estes versos
risonhos, matizados de sonhos outonais...
será, quiçá, para contrariar pensamentos adversos
ou, quem sabe, se haverá outras coisas mais...
mas sei que os escrevi a pensar em nada
com a minha mente em absoluta serenidade,
por ela, suavemente, descem memórias pela escada
de um tempo onde a amizade era realidade...
sei lá, então, porque em silêncio as escrevi, 
talvez, penso eu, por se domingo e estar em paz
e por não estar ausente de mim, pois estou aqui
embora não saiba responder, confesso, sou incapaz


José Carlos Moutinho
3/11/19

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Já não sei - dito por Ana de Albergaria

Deixem

Deixem imaginar-me poeta 
e voar pelos céus da utopia, 
pois acredito que não afecta 
a pureza estrutural da poesia 
Deixem que me pense mar 
revolto ou sereno de marés, 
ainda que eu ouse pensar 
ser, quiçá, apanágio de Josés

Deixem, pois, fazer-me sonhador, 
transformar palavras em quimeras 
porque o faço somente por amor 
neste meu tempo de esperas

José Carlos Moutinho 
1/11/19