domingo, 29 de março de 2026

#NÃO TE JULGUES

 

NÃO TE JULGUES
José Carlos Moutinho
Portugal.
29/3/2026

Amigo, não te julgues poeta,
só porque assim te chamam
crê na realidade mais certa
menos nos que tudo aclamam

Tens de ser tu a sentir a verdade
de que tuas palavras são emoção
não basta a fantasia da saudade
para que o poema seja tua razão

Acredita que a bajulação é perigo
que espreita a quem ousa escrever,
podes não crer no que eu te digo
mas já vi tanta coisa a acontecer

Quantas vezes me pergunto eu
se acaso, esse dom é coisa minha
são tantas dúvidas no pensar meu
poesia simples é que me acarinha

quarta-feira, 25 de março de 2026

#CRIATIVIDADE

 

CRIATIVIDADE
José Carlos Moutinho
Portugal
2026
 
Que sei eu do poema,
que ainda não escrevi
talvez porque a imaginação
esmoreceu
na inquietude da responsabilidade

Pensei, pensei...
mas o poema, aquele tal de que falei
não me ofereceu a sua presença
preferindo esconder-se,
sorrindo, da minha incapacidade

Eu que pensava que dominava as emoções,
constatei agora,
perante esta atitude do poema
que ainda não nasceu
que afinal, sou um ser perdido
num labirinto de sentimentos
 
Teimo, sem desistir…
porque jamais, aceito que a simples
criação de um poema
me coloque nesta situação de fraqueza
 
Porém, olho a alva folha do papel
que na minha frente
parece desafiar-me
e volto a pegar na velha caneta
cansada de tantas lutas
obrigando-a a colaborar comigo
e eis, como que um milagre
aqueles belos caracteres vão saltitando
sob o bico da pena,
trazendo ao mundo aquele poema
que eu tanto ansiava
e ao qual dei o nome de: 
Criatividade.

sábado, 21 de março de 2026

#QUE SERÁ A POESIA?

QUE SERÁ A POESIA?
Será a poesia feita de risos
ou de dores,
de suspiros ou de emoções,
abraços ou repúdios
ou de paixões e amores...
Será a poesia…
mentira que se deseja ler,
a invenção desassossegada
de quem a escreveu
ou o verdadeiro sentir do poeta...

Será a poesia…
jardim de elites,
ruralidade das palavras sentidas
ou léxico hermético,
intrincado e confuso
inacessível ao comum dos mortais...

Será a poesia…
fenómeno estranho
proibido à banal plebe,
incompreensível ao vulgar amante
das imaginadas palavras poéticas...

Que será afinal a poesia
e qual o seu papel
nesta babilónia de classificações
intelectualizadas,
onde toma formas e virtudes
e, eventualmente defeitos,
já que é considerada,
por alguns,
de literatura inferior?

José Carlos Moutinho



segunda-feira, 16 de março de 2026

#EU E O TEMPO

EU E O TEMPO
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Ousadamente
foge-me o tempo
aquele a que eu, corajosamente, enfrento

Mas o tempo, de uma frieza tal
ignora todos os meus esforços
como se eu fosse banal sombra

Então, permito-me reflectir
sobre esta velocidade temporânea
e, perante a sua firmeza
rendo-me, humildemente,
ao tempo que me deixa
viver o meu tempo,

Porque por muita coragem
de que eu seja imbuído
o tempo vence-me sempre,
célere e inexorável
Ainda assim, caminho
não para o desafiar
mas para colher instantes 
que ele, distraído, deixa cair
 
Nesses breves lampejos 
sou inteiro, sou presente, 
sou mais do que a sombra 
que o tempo julga ver
  
12/3/2026



domingo, 15 de março de 2026

#TALVEZ UM DIA...

quando os ventos acalmarem
os drones deixarem de voar
e os mísseis deixarem de matar

talvez...

este mundo de loucos
tenha a felicidade de encontrar
um caminho que nos leve à paz
e ao discernimento racional

porque...

neste mar de energúmenos
onde navegam as bestas
e emergem as bombas
que ressoam como trovoadas em desvario
onde a dor e a morte
são prazer dos irracionais
só existe a desdita como opção

talvez um dia...

apesar de eu ter partido
deste inferno tresloucado
aconteça algum milagre
que torne mais humanos os homens
que por este universo,
viveram sem escrúpulos
não como animais,
(esses têm dignidade)
mas como seres abjectos
 
José Carlos Moutinho
Portugal 
15/3/2026

segunda-feira, 9 de março de 2026

#LEVEZA DAS PENAS

Segurei-te nas minhas mãos
carinhosamente como se fosses uma ilusão
mas eras simplesmente papel,
não um papel qualquer
vazio de sentimentos
perdido em algum baú repleto de nadas…

Tinhas a leveza das penas
e a emoção das palavras,
por isso te segurei com doçura
senti em ti, todo o ardor da paixão
pelas estrofes rimadas
que cresciam e floresciam
em poesia 

José Carlos Moutinho



terça-feira, 3 de março de 2026

#MUTAÇÃO

 MUTAÇÃO
José Carlos Moutinho
Portugal.

No tempo dos nadas

quando as horas se queixavam
e os minutos calavam
os segundos...
havia todo um mundo de complexidades
não provocadas pelos batimentos
rítmicos dos relógios
mas sim, pelas mentes desvairadas
que ignoravam a sensibilidade
do tempo e dos relógios,
esquecendo que os movimentos cíclicos
da vida, são linimento para dores
que podem inventar paixões
e desabrocharem amores improváveis

Perdi-me em pensamentos
que me iam levando a outrora
quando o tempo era de muitos
os segundos riam-se da lentidão dos minutos
e estes, olhavam desconfiados
para a morosidade das horas
porque a vida era diferente
as pessoas estavam imbuídas de sentimentos,
que pelos abraços se distribuíam
no calor da amizade,
da paixão e/ou do amor sentidos
É mutação dos tempos e das coisas

26/2/2026

domingo, 1 de março de 2026

#SIMPLES RECORDAÇÕES.

SIMPLES RECORDAÇÕES
José Carlos Moutinho
Portugal.

Quando as horas de mim se ausentam

trago à minha lembrança
minutos de saudosismo
e recordo os filmes daquele tempo,
que eu na minha idade sonhadora
me deleitava em cada cena de amor,
saboreando cada palavra dos actores
como a mais doce das emoções...

Estão, também, na minha memória
melodias dos anos 60
do glorioso Século XX

Tudo passa, nesta passadeira do tempo,
sempre teimoso e inexorável,
sem contemplações nem arrependimentos

Resta-nos a nós, passageiros desta térrea viagem
aproveitar o melhor possível
o que nos foi dado contemplar
sorrinho âs imagens que nos povoam a mente,
tais como as de Elizabeth Taylor,Sofia Loren, Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Claludia Cardinalli, Rita Haworth,Gina Lollobrigida, Brigitte Bardot, Gary Cooper, Bur Lancaster, Richard Burton, Shean Connery, Steve Mcqueen, Charles Bronson, Marlon Brando e tantos outros...

ah...como recordo com saudade as músicas
dos maravilhosos anos 60: The Beatles, Rolling Stones, The Beach Boys, The Animals e ainda, Adamo, Doris Day, Brenda Lee, Silvie Vartan, Rita Pavoni, Gigliola Cinquetti, Modugno, Rick Nelson, Johnny Halliday, Jacques Brel, Aznavour, Gianni Morandi...e quantos mais...

O tempo leva-nos os dias,
mas nós, porém, teimosamente,
ficamos com as saudosas lembranças
daqueles tempos que não voltam fisicamente
mas estão sempre presentes àqueles que os desejarem.

1/3/2026

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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