As gaivotas voam

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Liberdade, grito eu


Não sei se ainda terei tempo
neste meu tempo que esvoaça,
mas direi que solto um lamento
nesta nossa liberdade escassa


Poder gritar qualquer baboseira
pode ser considerada liberdade,
eu que senti dureza a vida inteira,
quero sentir uma outra realidade


Acabar a vergonhosa corrupção
dos que têm arrogância e poder,
liberdade é saúde, pão, educação,
é alegria que o povo tem em viver


José Carlos Moutinho
25/4/19

25 de Abril



Foi madrugada da esperança
que tanta ilusão fez nascer,
para uns de total abastança
para outros, absoluto sofrer

Obviamente o dia foi de glória,
e o 25 de Abril eu homenageio,
o depois é contado pela história
do pior que houve de permeio

Mas que continue a esperança
de que Abril não foi uma miragem,
que ricos e pobres façam aliança
de acabar com qualquer clivagem

Que a essência do dia 25 de Abril
permaneça eterna, sem corrupção,
que o futuro deixe de ser tão febril
e o povo possa viver com satisfação

Que a desigualdade seja do passado
todos somos iguais, com diferença,
acabe-se com o rei e o escravo
para que não nos acabe a paciência

José Carlos Moutinho
25/4/19

Decreto-Lei, nº 63/85
dos direitos do autor

domingo, 21 de abril de 2019

E se...

 
 
 
Se as ruas não escurecessem almas
e se as luzes do mundo a todos iluminasse,
se as águas cristalinas dos rios
acariciassem corpos dos desafortunados,
e se os ventos fossem menos destruidores
e as brisas fossem acalento dos sofredores,
e a abastança não ignorasse a carência,
se a arrogância abraçasse a humildade,
e se a hipocrisia fosse simplesmente utopia,
e a amizade uma realidade
sem preconceitos nem vaidades,
então, creio,
que a Páscoa conseguira mostrar
a verdadeira essência da vida

José Carlos Moutinho
21/4/19

sábado, 20 de abril de 2019

Se não fosses poeta




Talvez, quem sabe, amiga/o,
se não fosses poeta
e tivesses uns escassos minutos
para perder,
pudesses ler-me...

mas, se por acaso,
não apreciasses as minhas singelas palavras
que eu, humildemente, tento vestir de poesia,
terias a oportunidade,
e eu a honra, de me ensinares
numa despretensiosa amizade,

então...seria eu a ter a felicidade
de aprender contigo, sem complexos,
porque eu, amiga/o,
sei que pouco sei
mas estou sempre pronto a aprender
e a abraçar-te na tua genialidade

José Carlos Moutinho
19/4/19

Decreto-Lei, nº 63/85
dos direitos do autor

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Fantasias


No murmúrio da brisa
respiro a suavidade do pensamento
levo-me em quimeras
por sensações que invento 


Liberto as vontades reprimidas
calo as vozes incontidas
grito palavras jamais ditas  


Projecto o meu olhar
acariciado por melodias ardentes,
para além do horizonte,
ao encontro de estrelas cadentes


Sorrio-me no deslumbramento surreal
iluminado pelos belos cristais do sol,
voo nas asas da minha energia mental
até ao meu porto de abrigo,meu farol


Serão quimeras, ilusões ou utopias,
numa só palavra, não passam de fantasias,
força invisível da mente que se transcende
e quer demonstrar o que ninguém entende


José Carlos Moutinho
2018

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Sou o desejo

...
sou o desejo de um voo
que me leve à esperança
e me indique se eu vou
pelo caminho da bonança

José Carlos Moutinho
17/4/19

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Lá no fundo era um bom amigo (Áudio)


Lá no fundo, era um grande amigo (Reflexão)

Sei...
sei que um dia vão falar de mim,
tenho a certeza de que o farão
e sei que falarão
porque já cá não estou!

Então, quando eu não estiver...
serei uma pessoa fantástica, honrada,
por vezes, porém, dirão que eu era acutilante
pela minha frontalidade,
em dizer-lhes na cara o que eu pensava,
mas no fundo,
bem lá no fundo, era um grande amigo!

E os que assim falarem, são precisamente aqueles
que, quando eu cá estava, diziam mal de mim,
inventavam mentiras, pelas costas, obviamente,
porque pela frente não teriam coragem,
exactamente pela minha frontalidade em os afrontar
e repor as coisas nos seus devidos lugares!

Não...não é hipocrisia
o procedimento dessas pessoas,
é o seu normal, não sabem ser outra coisa,
mas como eu não estou cá,
marimbo-me para o que digam,
porque não sei se lá no sítio para onde vou
tenho a capacidade de responder
aos que cá ficam a falar de mim,
claro, refiro-me aos que,
efectivamente, inventarem mentiras,
porque os que disserem a verdade,
com a consciência tranquila,
não serão, talvez, muitos,
e se dissessem o que não sentem
demonstrariam
a sua total falsidade

José Carlos Moutinho
15/4/19