José Carlos Moutinho,
Portugal
Sinto o vento deste frio Inverno
penetrar-me os poros
e arrepiar-me a pele
que num estertor de emoção frustrada
me deixa incomodado
Vislumbro ao longe
num distanciar de olhares perdidos
uma ténue linha
onde se destaca uma cor em dois tons
a que chamam horizonte
Mas para mim, horizonte
é o meu anseio em atingir um ponto
que me leve a viajar pelo advir
como folha outonal matizada de sonhos
Esse é o meu singelo horizonte
plantado em tecidos de ilusões
e bordado pela maresia
do meu mar de fantasias
Mar que me levou a um passado
pleno de realizações
costuradas em verdade e sentimentos
Mas agora, nesta minha quietude
que é só minha e eu dela
unidos num abraço
de imaginada fraternidade
mostramos ao mundo
como se pode ser feliz
sem necessidade de ofender
ou agredir a quem, de nós,
não concordar
4/1/2026