segunda-feira, 16 de março de 2026

#EU E O TEMPO

EU E O TEMPO
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Ousadamente
foge-me o tempo
aquele a que eu, corajosamente, enfrento

Mas o tempo, de uma frieza tal
ignora todos os meus esforços
como se eu fosse banal sombra

Então, permito-me reflectir
sobre esta velocidade temporânea
e, perante a sua firmeza
rendo-me, humildemente,
ao tempo que me deixa
viver o meu tempo,

Porque por muita coragem
de que eu seja imbuído
o tempo vence-me sempre,
célere e inexorável
Ainda assim, caminho
não para o desafiar
mas para colher instantes 
que ele, distraído, deixa cair
 
Nesses breves lampejos 
sou inteiro, sou presente, 
sou mais do que a sombra 
que o tempo julga ver
  
12/3/2026



domingo, 15 de março de 2026

#TALVEZ UM DIA...

quando os ventos acalmarem
os drones deixarem de voar
e os mísseis deixarem de matar

talvez...

este mundo de loucos
tenha a felicidade de encontrar
um caminho que nos leve à paz
e ao discernimento racional

porque...

neste mar de energúmenos
onde navegam as bestas
e emergem as bombas
que ressoam como trovoadas em desvario
onde a dor e a morte
são prazer dos irracionais
só existe a desdita como opção

talvez um dia...

apesar de eu ter partido
deste inferno tresloucado
aconteça algum milagre
que torne mais humanos os homens
que por este universo,
viveram sem escrúpulos
não como animais,
(esses têm dignidade)
mas como seres abjectos
 
José Carlos Moutinho
Portugal 
15/3/2026

segunda-feira, 9 de março de 2026

#LEVEZA DAS PENAS

Segurei-te nas minhas mãos
carinhosamente como se fosses uma ilusão
mas eras simplesmente papel,
não um papel qualquer
vazio de sentimentos
perdido em algum baú repleto de nadas…

Tinhas a leveza das penas
e a emoção das palavras,
por isso te segurei com doçura
senti em ti, todo o ardor da paixão
pelas estrofes rimadas
que cresciam e floresciam
em poesia 

José Carlos Moutinho



terça-feira, 3 de março de 2026

#MUTAÇÃO

 MUTAÇÃO
José Carlos Moutinho
Portugal.

No tempo dos nadas

quando as horas se queixavam
e os minutos calavam
os segundos...
havia todo um mundo de complexidades
não provocadas pelos batimentos
rítmicos dos relógios
mas sim, pelas mentes desvairadas
que ignoravam a sensibilidade
do tempo e dos relógios,
esquecendo que os movimentos cíclicos
da vida, são linimento para dores
que podem inventar paixões
e desabrocharem amores improváveis

Perdi-me em pensamentos
que me iam levando a outrora
quando o tempo era de muitos
os segundos riam-se da lentidão dos minutos
e estes, olhavam desconfiados
para a morosidade das horas
porque a vida era diferente
as pessoas estavam imbuídas de sentimentos,
que pelos abraços se distribuíam
no calor da amizade,
da paixão e/ou do amor sentidos
É mutação dos tempos e das coisas

26/2/2026

domingo, 1 de março de 2026

#SIMPLES RECORDAÇÕES.

SIMPLES RECORDAÇÕES
José Carlos Moutinho
Portugal.

Quando as horas de mim se ausentam

trago à minha lembrança
minutos de saudosismo
e recordo os filmes daquele tempo,
que eu na minha idade sonhadora
me deleitava em cada cena de amor,
saboreando cada palavra dos actores
como a mais doce das emoções...

Estão, também, na minha memória
melodias dos anos 60
do glorioso Século XX

Tudo passa, nesta passadeira do tempo,
sempre teimoso e inexorável,
sem contemplações nem arrependimentos

Resta-nos a nós, passageiros desta térrea viagem
aproveitar o melhor possível
o que nos foi dado contemplar
sorrinho âs imagens que nos povoam a mente,
tais como as de Elizabeth Taylor,Sofia Loren, Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Claludia Cardinalli, Rita Haworth,Gina Lollobrigida, Brigitte Bardot, Gary Cooper, Bur Lancaster, Richard Burton, Shean Connery, Steve Mcqueen, Charles Bronson, Marlon Brando e tantos outros...

ah...como recordo com saudade as músicas
dos maravilhosos anos 60: The Beatles, Rolling Stones, The Beach Boys, The Animals e ainda, Adamo, Doris Day, Brenda Lee, Silvie Vartan, Rita Pavoni, Gigliola Cinquetti, Modugno, Rick Nelson, Johnny Halliday, Jacques Brel, Aznavour, Gianni Morandi...e quantos mais...

O tempo leva-nos os dias,
mas nós, porém, teimosamente,
ficamos com as saudosas lembranças
daqueles tempos que não voltam fisicamente
mas estão sempre presentes àqueles que os desejarem.

1/3/2026

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

#SOU VELHO E DEPOIS?

𝐒𝐎𝐔 𝐕𝐄𝐋𝐇𝐎 𝐄 𝐃𝐄𝐏𝐎𝐈𝐒?

𝐉𝐨𝐬𝐞́ 𝐂𝐚𝐫𝐥𝐨𝐬 𝐌𝐨𝐮𝐭𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥 𝐏𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐞́ 𝐝𝐢𝐟𝐞𝐫𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐚𝐪𝐮𝐢𝐥𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐮 𝐣𝐚́ 𝐯𝐢𝐯𝐢 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐨́𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐥𝐢𝐜𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐞́ 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐥𝐢𝐜𝐚́𝐯𝐞𝐥 𝐎𝐥𝐡𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐨 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨 𝐞 𝐚𝐜𝐡𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞́ 𝐩𝐢𝐨𝐫 𝐄𝐬𝐪𝐮𝐞𝐜𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐨 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨 𝐞́𝐫𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐣𝐨𝐯𝐞𝐧𝐬 𝐜𝐨𝐦 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐚𝐬 𝐦𝐚𝐧𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐞𝐧𝐜𝐚𝐫𝐚𝐫 𝐚 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐞 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐠𝐨𝐫𝐚 𝐭𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐬 𝐦𝐞𝐬𝐦𝐚𝐬 𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐨𝐬 𝐦𝐞𝐬𝐦𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬… 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨, 𝐧𝐚 𝐯𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐞𝐱𝐢𝐬𝐭𝐞 𝐮𝐦 𝐢𝐦𝐞𝐧𝐬𝐨 𝐚𝐛𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐨 𝐨𝐧𝐭𝐞𝐦 (𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨) 𝐞 𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐞 (𝐡𝐨𝐣𝐞) 𝐄𝐬𝐭𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐜𝐚𝐧𝐬𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐞 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐨𝐬, 𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐝𝐢𝐠𝐨 𝐯𝐞𝐥𝐡𝐨𝐬, 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐧𝐚̃𝐨 𝐨𝐟𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐬𝐮𝐬𝐜𝐞𝐩𝐭𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐏𝐨𝐫𝐞́𝐦, 𝐯𝐞𝐣𝐨-𝐦𝐞 𝐥𝐚́ 𝐥𝐨𝐧𝐠𝐞 𝐧𝐮𝐦 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐦𝐞 𝐬𝐨𝐫𝐫𝐢𝐚 𝐞 𝐞𝐮 𝐬𝐨𝐫𝐫𝐢𝐚-𝐥𝐡𝐞 𝐇𝐨𝐣𝐞, 𝐯𝐞𝐣𝐨-𝐦𝐞, 𝐜𝐨𝐦 𝐫𝐮𝐠𝐚𝐬, 𝐬𝐨𝐫𝐫𝐢𝐬𝐨 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐦𝐚𝐢𝐚𝐝𝐨 𝐭𝐚𝐥𝐯𝐞𝐳 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐜𝐚𝐧𝐬𝐚𝐜̧𝐨 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐨𝐮 𝐯𝐞𝐥𝐡𝐨… …𝐞, 𝐬𝐢𝐧𝐜𝐞𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐢𝐬𝐬𝐨 𝐧𝐚̃𝐨 𝐦𝐞 𝐢𝐧𝐪𝐮𝐢𝐞𝐭𝐚 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐫𝐞𝐠𝐨𝐳𝐢𝐣𝐚-𝐦𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐬𝐬𝐞𝐠𝐮𝐢𝐫 𝐧𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐜𝐚𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚𝐝𝐚 𝐞 𝐟𝐞𝐥𝐢𝐳, 𝐩𝐨𝐫 𝐭𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐞𝐠𝐮𝐢𝐝𝐨 𝐜𝐡𝐞𝐠𝐚𝐫 𝐚 𝐯𝐞𝐥𝐡𝐨. 𝟐𝟔/𝟐/𝟐𝟎𝟐𝟔

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

#TRISTEZA RIMA COM BELEZA

 

TRISTEZA RIMA COM BELEZA
José Carlos Moutinho
Portugal
 
As imagens do passado
escondem-se
nas folhas matizadas do tempo,
enquanto a chuva lava frustrações

Depois, nos dias ensolarados
quando os cintilantes raios das ilusões
florescem na acalmia dos instantes
em sofridos corações
carentes de abraços...

é que renascem as esperanças
no silêncio dos anseios
coloridos pelos murmúrios
de um futuro desconhecido
 
Então…
talvez seja chegado o momento
em que a serenidade se plante
nos jardins ausentes de quietude
e neles, finalmente, crepite
o perfume das realizações
 
Todavia,
se as intempéries das possibilidades
recusarem acalmar
sentimentos esmorecidos
pelo humor da desesperança…
 
Quiçá, seja a poesia
através das metáforas acalentadoras
a solução para transformar a rima
da tristeza em beleza.
 

18/2/2026

domingo, 22 de fevereiro de 2026

#NÃO ME IMPORTA

 

NÃO ME IMPORTA
José Carlos Moutinho
Portugal
10.2.2026
 
Neste meu silêncio
navegam-me pensamentos
pelo mar das minhas emoções
em beijos de maresia
 
Sulcam-me ardorosos anseios
nas ondas do meu sentir
remadas pelas ilusões do tempo
 
E o horizonte ali tão perto
convidando-me ao toque
estendo meu braço
abro minha mão
sinto os dedos tocarem o azul celeste
do céu infinito
que se humedecem com o azul marinho,
do mar imenso
 
Será real, será imaginação
este prurido que me corre pelas veias
e me deixa numa doce letargia?
 
Francamente, não me importa
permito-me continuar esta viagem
de prazer e nostalgia
como se o mar e o céu fossem meus
embora acomodados nos lençóis
 
da minha imaginativa sensibilidade 




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

# ARRUACEIROS

O que será que te corre nas veias
que te leva a essa excitação enlouquecida
actuas estranhamente, sem quaisquer peias
perdes noção da realidade, és alma perdida

Acalma-te, ó ser desequilibrado
porque a vida são somente dois dias
ainda que, por acaso, estejas pedrado
nada justifica essas tuas manias

Provocas desordens gratuitamente
sem o menor pejo nem responsabilidade
se te julgas superior, não és realmente
és simplesmente alguém com vulgaridade

José Carlos Moutinho
20/2/2026

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

# 𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚 𝐝𝐞 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐚

𝐏𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐫𝐚𝐳𝐚̃𝐨 𝐭𝐚𝐧𝐭𝐨 𝐜𝐡𝐨𝐫𝐚 𝐨 𝐜𝐞𝐮
𝐬𝐞 𝐧𝐨́𝐬, 𝐩𝐨𝐛𝐫𝐞𝐬 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐬𝐨𝐟𝐫𝐞𝐦𝐨𝐬
𝐜𝐨𝐦 𝐭𝐚𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐞 𝐭𝐚𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐜𝐚𝐬𝐚𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐞𝐮
𝐧𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐛𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐪𝐮𝐞𝐫𝐞𝐦𝐨𝐬

𝐐𝐮𝐞 𝐟𝐢𝐳𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐧𝐨́𝐬, 𝐨́ 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐝𝐚 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐚
𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐦𝐞𝐫𝐞𝐜𝐞𝐫𝐦𝐨𝐬 𝐭𝐚𝐥, 𝐝𝐮𝐫𝐨 𝐜𝐚𝐬𝐭𝐢𝐠𝐨
𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚 𝐢𝐦𝐞𝐧𝐬𝐚 𝐠𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚𝐬𝐬𝐢𝐦 𝐟𝐮𝐥𝐚
𝐩𝐨𝐢𝐬 𝐦𝐚𝐠𝐨𝐚 𝐚 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐩𝐞𝐫𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐫𝐢𝐠𝐨

𝐉𝐨𝐬𝐞́ 𝐂𝐚𝐫𝐥𝐨𝐬 𝐌𝐨𝐮𝐭𝐢𝐧𝐡𝐨
𝟏𝟖/𝟐/𝟐𝟎𝟐𝟔

# 𝐕𝐞𝐫𝐬𝐞𝐣𝐚𝐧𝐝𝐨...𝐨𝐮 𝐧𝐚̃𝐨

Soubesse eu escrever poemas,
faria um que mostrasse ao mundo,
como acabar com tantos dilemas
tão rapidamente como um segundo

Como não sei escrever essa coisa
fico-me por aqui em imaginações
enquanto escrevo na negra lousa
estrofes das minhas inquietações

José Carlos Moutinho
18/2/2026


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

#QUE AS PALAVRAS SE REVOLTEM

 

QUE AS PALAVRAS SE REVOLTEM
José Carlos Moutinho
Portugal
 
Deixa que as palavras se revoltem
por instantes,
sabes que, de repente,
assim como quem nada quer,
consegues controlá-las
a teu bel prazer

Quando as palavras ousam alterar
o seu comportamento,
é porque desatinaram
com o uso que lhes dás

Tenta mudar o teu estilo
ou modo de as usares
e verás, assim, num repente,
como quem tudo quer,
que elas obedecer-te-ão
docilmente

As palavras, são ternura
há nelas todo um mundo
de fantasia e carinho…
sabemos, claro, que, também,
poderão tornar-se violentas
mas como já te disse
serás tu, sempre,
 o culpado das suas atitudes
 

13/2/2026

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

#AH, COMO ERA BOM

 AH, COMO ERA BOM
José Carlos Moutinho
Portugal
18/1/2026
 
Ah, como era bom aquele tempo
de pensamentos vadios e irreverentes
que pelas nossas cabeças adolescentes
voavam como gaivotas em desatino
 
Claro que tudo passa nesta vida
que só o tempo controla
e que nos deixa reféns da sua vontade
 
Mas nós, seres resilientes,
temos obrigação
de lutar contra o esquecimento
renovando a cada instante
os flashes da nossa memória
 
Deixar que o esquecimento nos domine
é perder uma batalha
à partida já perdida
denotando uma fraqueza
que jamais deverá existir
enquanto nosso coração bater
e a mente estiver bem viva…
 
Portanto, viva a vida
viva a lembrança do passado
e nunca deixemos de sorrir ao futuro…
 
Futuro que, veloz, se aproxima
e que, a cada ano que por nós passa, 
tem a velocidade da luz

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

#Tu....ah, poeta desatinado

Tu que te arvoras de poeta
e até conhecedor da poesia,
deixa de te armar em pateta
a poesia é jardim de utopia

Sei daqueles nobres poetas

que calam o saber, na escrita
não procuram glória e metas
mas sim a estrofe bem catita

Com humildade não te iludas
porque poesia é simplicidade
de falsos elogios não te cubras
em ti descobrirás a qualidade

José Carlos Moutinho
4/2/2026

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

#PLENITUDE DE UM POEMA

 

PLENITUDE DE UM POEMA
José Carlos Moutinho
Portugal
21/1/2026
 
Não encontro as palavras,
que imaginava estarem comigo,
ausentaram-se do poema,
que desejava colher no jardim da inspiração

Agora, um pouco cansado
pelo peso do tempo, e das frágeis escritas
contemplo o oásis dos meus sonhos
somente vislumbro miragens
nos desertos das minhas emoções

Na espectativa de um advir gracioso
aguardo, numa serenidade inquieta,
que o meu encontro com novas palavras,
se realize na plenitude de um poema
que transcenda o meu sentir
 
Mas se, por acaso, nada acontecer
fico-me no silêncio do meu pensamento
tentando captar estrelas inspiradoras
e se mesmo assim, não obter o que desejo

resta resignar-me à minha frustração.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

#ASSIM...

Quisera eu que o tempo voltasse
ao outro tempo que foi só meu
mas o tempo não é um trespasse
em que se adquire o que se viveu

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

#AS MINHAS PALAVRAS

AS MINHAS PALAVRAS
José Carlos Moutinho
Portugal
6/1/2026
 
Sou grato às palavras
que me permitem adocicar o papel
com as minhas emoções
ou simples pensamentos
 
Sou grato às palavras
sem as quais teria imensa dificuldade
em transmitir, pelo advir, meus sentimentos
 
Sou grato às palavras
que me permitem usá-las a meu bel prazer
sem que, jamais, se revoltassem
 
Sou grato às palavras
que um dia, me impulsionaram
e me incentivaram a escrever
 
Sou grato às palavras
que, generosamente, me fizeram pensar
poder vir a ser poeta ou prosador
 
Sou grato às palavras
que me deram a possibilidade
de as acarinhar, com paixão,
plasmando-as nas páginas dos meus livros
 
Serei eternamente grato às palavras
que, diariamente, me têm acompanhado
ao longo de tantos anos
e me têm oferecido algumas glórias
 
Às palavras, minhas parceiras de sempre 
ofereço-lhe a minha eterna gratidão



terça-feira, 20 de janeiro de 2026

#SERÁ POEMA, SERÁ NADA?

 SERÁ POEMA, SERÁ NADA?

O que diziam ser flores,
na verdade eram só rumores
que as brisas eram de acalmia
mas veio vento, ninguém queria
em que podemos nós acreditar
se a verdade está a acabar
o que parece já não é
a sinceridade perdeu o pé
todavia com coragem seguimos
fazendo o melhor que conseguimos
neste jogo de palavras caladas
venham poemas de estrofes rimadas
 
José Carlos Moutinho 
20/1/2026

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

#NÃO ESQUECI AQUELE RIO

 

NÃO ESQUECI AQUELE RIO
José Carlos Moutinho
Portugal
15/1/2026
 
Ainda não esqueci aquele rio,
sempre altivo,
que tantas vezes me acolheu no seu leito
lavando as minhas tristezas
em banho de carinho
 
Suas águas deslizavam,
serenas como nuvens,
nelas o sol reflectido
fazia-me imaginar o improvável
 
Acolhia-me uma nascente de fantasias,
talvez que o meu pensamento
quisesse sentir-se, também, nascente
daquele encantado rio
 
O tempo passou, continua a passar
Inexorável, insolente por vezes,
Ignorando a nossa vontade
de caminhar mais devagarinho
pelas águas desta vida
 
Voltei àquele meu rio
que fora mar dos meus anseios;
porém, a desilusão foi maior
que a minha alegria
ao contemplar aquele meu velho companheiro
que, agora, numa tristeza profunda,
submisso, alheio à maldade humana,
constrangido sentia a dor
que as suas águas conspurcadas
lhe provocavam
 
A destruição deste mundo
pelas mãos de displicentes predadores
chegara àquele meu rio
meu querido rio 
pelo qual um dia me senti encantado!



sábado, 17 de janeiro de 2026

#MINHA PAIXÃO POR ELAS

MINHA PAIXÃO POR ELAS
José Carlos Moutinho
Portugal
11/1/2026
 
Lentas, imperturbáveis e belas,
caminham as palavras dos sentidos
que, de mãos dadas com a emoção
deixam-se envolver pelo silêncio
que delas mesmas, emana

Há naquele doce caminhar,
uma subtil e discreta pose de elegância
que, todavia, não passa despercebida
ao comum dos mortais
que, porventura, tenha a sensibilidade
de as captar e entender
 
Nota-se um jeito de provocação
quando elas tentam, amorosamente,
abraçar a fantasia que desejam
ser transmitida a quem as aprecia
 
É pela vaidade que lhes é devida
que com toda a sua propriedade
pensam merecer
que deste modo se insinuam
 
Eu, particularmente, gosto de as ver
fico, por vezes, a observá-las,
o que me leva, inexoravelmente,
a apaixonar-me por elas.

 

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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