Serenamente…
Recordo o início da minha viagem
pelos caudais inconscientes dos rios da escrita
onde naveguei em canoa simbiótica de anseio e timidez
Um navegar inquieto sobre ondas da incerteza
quando a espuma da esperança
cintilava numa alvura de sonho
Agora, passado aquele outro tempo
permito-me ultrapassar os obstáculos
escondidos nas brumas
voar num voo solto por entre clareiras
e chegar a este meu porto, certamente, mais seguro
Confesso, humildemente,
com total satisfação de que entre o navegar e o voar
existe todo um mundo de alegria,
alegria essa, que eu jamais pensei obter
das palavras com as quais eu construo histórias
e fantasias plasmadas em poesia
Existe, obviamente, uma universal distância
entre o conhecimento de um menino de 15 anos
e a de um adulto de provecta idade
Os sonhos de então, inexoravelmente,
foram-se diluindo com a passagem das primaveras
A realidade é, absolutamente, outra, mais consciente,
menos sonhadora…
embora o sonho, esse misterioso sentir pelo advir
jamais se dissipe por inteiro
Assim, rios navegados, céus voados oniricamente
cheguei às margens da minha realidade
e em terra firme da apoteose
realizei tudo o que jamais havia sonhado
sequer imaginado
José Carlos Moutinho
10/8/2024
Portugal
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