SILENCIOSAMENTE
José Carlos Moutinho
Portugal
1/4/2026
Medito no recolhimento do meu pensamento,
enquanto a brisa me murmura palavras
de tal ordem serenas
que parecem calar o próprio marulhar das ondas,
suspensas no silêncio da maresia.
Deixo o olhar perder-se no reflexo do sol
sobre o manto azulado do mar,
sentindo-me como um vagabundo feliz
que nada mais pede ao horizonte.
Os meus anseios inquietos de outrora
regressam a mim nesta acalmia,
em jeito de voo provocador.
Todavia, a tranquilidade que agora me habita
limita-se a sorrir;
ignora, serena, a agitação das asas daquela ave
que tenta perturbar o meu momento.
A paz — esse fenómeno que parece cair em desuso
neste mundo de hipocrisias e vaidades
abraça-me
com o mesmo silêncio
que antes absorveu os meus sentidos.
Pela calçada, em frente ao paraíso onde me encontro,
passa a multidão.
Vejo vultos, desconheço rostos.
Não os ignoro por arrogância,
mas porque, nestes instantes,
sinto-me devidamente aconchegado num mundo só meu.
Ali, sou o único ser
que, silenciosamente, colhe e vive a felicidade.
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