sexta-feira, 1 de abril de 2011

Há dias assim!




Há dias que tudo corre mal,
Não se pode sair de casa,
Nem falar com amigo(a) tal,
Ouvimos o que nos arrasa.
Dizemos o que não desejamos,
E quando a conversa, é escrita,
Recebemos o que não pensamos,
A outra dúvida, não acredita.
E assim se desconversa,
Desentende-se,
Ofende-se,
Discute-se,
E acaba uma suposta amizade,
Que não devia sê-la,
Senão, não acabaria.
Será dos ventos radioactivos,
Ou das cabeças desatinadas
E perdidas por deixarem de ter.
O que tinham ou queriam?
Acho que talvez pela mudança,
De governo e do PEC.
Não quererão novas eleições,
Não votem…
Mas não adianta,
Tudo fica na mesma
Com este ou com aquele
Continuará o desgoverno!
Portanto, animem-se gente,
Sorriam, não discutam,
Afinal tudo nesta vida é supérfluo,
Vivamos com respeito e amizade.

José Carlos Moutinho


Vila Alice, Luanda, Angola




Foi num dia 28 de um mês de verão,
Do século vinte, Novembro direi eu,
Que a Vila Alice me acolheu,
Com o calor e o seu grande coração.

Deslumbrou-me desde logo,
Pois a alegria estava estampada,
No rosto das gentes que ali habitavam.
Não havia distinção de raças, todos comungavam
De uma paz que transpirava felicidade.
Pessoas de alma aberta e gentil;
Ouviam-se pelas ruas, nos dias domingueiros,
Os rádios em tom alto, demonstrando a alegria
Que se vivia naquela terra;
Especialmente naquele bairro,
De poetas e escritores,
Logo um bairro mais intelectual que outros,
Da bela Luanda, pois as suas ruas,
Tinham como nome,
Poetas e escritores famosos:
Entre outros,
Almeida Garrett, Fernando Pessoa
Camilo Pessanha, Teixeira de Pascoais
Eugénio de Castro e este, que dizia:

-“A fim, oculto amor, de coroar-te,
de adornar tuas tranças luminosas,
uma coroa teci de brancas rosas,
e fui pelo mundo afora, a procurar-te.”

E foi o que eu fiz, fui pelo mundo,
A procurar-te Vila Alice,
De Acácias belas, que marginavam as ruas;
Não me viste nascer,
Mas viste-me crescer e tornar-me homem,
De paixões e conheceste os meus amores.

Foste o meu lar, o meu abrigo
Foste tu, bairro de poesia,
Que me fez homem e foste amigo
E deste à minha vida um sentido.

José Carlos Moutinho

quinta-feira, 31 de março de 2011

Eras tu ou a cerejeira?




Sentei-me debaixo da cerejeira
De belos frutos,
Como os teus lábios vermelhos.
Sentia-me envolvido no teu abraço,
Que me apertava na sombra,
Daquela árvore.
Acariciavas-me o peito,
No toque dos seus ramos.
As folhas, os teus dedos
Deslizavam por entre os meus cabelos,
Numa ternura,
Que me enlouquecia,
De emoção e deleite.
As folhas oscilavam,
Num bambolear ritmado,
qual dança sensual.
Sereno, eu recebia toda aquela magia,
Através dos raios de um sol vibrante,
Que como diamantes,
Vinham enriquecer-me de luz,
Fazendo-me sentir um ser especial,
Num mundo de conflitos.
Os pássaros pousavam, chilreando,
Como se fossem mensageiros de anjos.
Total sensação de bem-estar e paz
Adormeci, nos teus braços da cerejeira.

José Carlos Moutinho

quarta-feira, 30 de março de 2011

Alma que voa, sem rumo




Num ímpeto arrebatado,
A minha alma é levada a voar,
Pelo universo em busca do que nem eu sei!
O que será que a minha mente procura?
O desconhecido para satisfação do seu ego,
Ou talvez pela insatisfação e desassossego,
Do querer o que não sinto ou tenho.
Talvez a exacerbada avidez pelo inexistente,
Ou será consciência doentia
E desatinada pela inconsciência,
Da razão que se esvaiu?
E a alma voa, como mariposa,
Num vaivém descontrolado.
A esperança é eterna,
Quem sabe se um dia,
Esta minha inquieta alma,
Sossega e encontra o seu lugar paradisíaco
E tranquilamente,
Deixa de querer o que não tem,
Quando retornar a um outro ciclo!

José Carlos Moutinho


terça-feira, 29 de março de 2011

CAIS DA ALMA...avi

Pois tens o meu amor



Tentei agarrar as estrelas,
Pensando ser como pérolas,
Para te oferecer:
Elas disseram-me que eram pouco para ti.   
Agarrei o sol, mas ele escapou-se por entre os dedos,
Fiquei com o reflexo dos seus raios,
Tal brilho dos teus olhos.
Não desanimei e pedi à nuvem branca,
Como alvo algodão,
Que me deixasse fazer um manto,
Para te cobrir como uma rainha;
Mas também a nuvem passageira,
Segredou-me que tu merecias mais.
Talvez, se eu falar com a lua,
Consiga do luar, fazer um lençol de cetim,
Para nos cobrirmos nas longas noites de carinho.
Irei mais longe, entrarei nalguma galáxia
E certamente em algum astro,
Encontrarei o que mereces,
Embora tu tenhas tudo,
Pois tens o meu amor.

José Carlos Moutinho

segunda-feira, 28 de março de 2011

Recordações de um outro tempo




Abraço o silêncio das minhas saudades,
Agarro as recordações que teimam em esvair-se
E não consigo deixar de sorrir,
Pelos momentos tantos, que passámos,
Enamorados, ou talvez empolgados,
De que namorávamos.
Eram quimeras e alegrias sentidas,
Inocentes muitas vezes,
Mas imbuídas de paixão,
Sempre com grande ilusão,
Numa envolvência emotiva,
Que nos ultrapassava as vontades,
E contrariavam a razão.
…Ah, aqueles tempos da adolescência Irreflectida.
O bater do coração,
Na ansiosa espera da amada,
Para o primeiro beijo
E o primeiro abraço.
Como papoilas oscilantes,
Tremiam nossas pernas,
E as palavras tanto tempo ensaiadas,
Não surgiam.
No amplexo, tímido, os lábios que tremiam
Os olhos que se fechavam, no desejo,
Na ânsia, no clímax da sensualidade
Eram tempos de um tempo
Que jamais volta.
…Ah, que saudades!

José Carlos Moutinho

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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