terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Humanidade desconhecida




Caem lágrimas caladas de olhos sofridos,
Em chuva de mágoas afogadas,
Por esse mar de amores vividos!

No crepúsculo que adormece a noite,
Surge a esperança na aurora,
Que desperta no novo dia!

Amarguras esquecidas,
No tempo que se esvai nas horas
E as memórias se alegram, em novas
Viagens pelas emoções,
Gritadas por corações alentados,
Nas almas carentes de afago!

Mutações difíceis, algumas,
Suaves outras, neste cosmos desvairado,
Onde convivem naturalmente,
Amor e ódio,
Alegria e tristeza,
Solidariedade e desprezo!

Quando as emoções exacerbadas
Se tornam polos opostos,
Tudo pode acontecer,
Nesta humanidade desconhecida.

José Carlos Moutinho

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Adeus Outono, Sê bem-vindo Inverno!

O chão atapetado e colorido Obtido da paleta matizada, Das tuas folhas caducas, Desmaia-se no frio, que vai surgindo Soprado pelos ventos do norte, No solstício de Inverno; Deixaste as árvores nuas, de braços vazios, Perdeste a beleza que emoldurava, As alamedas da vida; Transformaste-te em outra estação, Neste curso do tempo imparável! Outono, de nostálgicos encantos, Partiste num dia ensolarado, Numa despedida derradeira, Mantendo a tua dignidade, Numa temperatura acolhedora; Cumpriste a tua missão, Cedeste o lugar a outro tempo, Neste tempo que nos devora! Até breve, Outono Esperamos encontrar-te por aí, Pelos caminhos da saudade, Não te esqueças de nos trazeres A tua simpática nostalgia E tenta chegar harmonioso, Como foste este ano! Que sejas bem-vindo Inverno, Faz por seres benévolo, Que a tua passagem por nós, seja suave Como a delicadeza da tua alva neve, Que cristalina, nos embeleza os dias, Não sejas violento. José Carlos Moutinho

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Mundo desigual

Invento-me nestes dias de frio, Tento ter a alma descomprometida, Mas a realidade é um desafio, O que eu sinto é uma agonia. Gente perdida, sem teto, nem rumo, Deambulam por escarpas de pobreza, Buscam com esperança o aprumo E só encontram a vil avareza. Mundo este tão cruel e desigual, Mão que se estende pedindo pão, É olhada com desdém, como animal. O sol nasce, apagado para quantos? Uns com conforto, outros, solidão, Muitos com alegria, dor para tantos! José Carlos Moutinho

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Renasce a esperança

Os ventos desfalecem nos caminhos da desconfiança, Onde se fazem presentes, Sorrisos de perturbante falsidade; Palavras belas e fascinantes por detrás da inveja, Amizades inventadas que nos tocam a alma, Mas bem rapidamente se desnudam E nos infligem, bem lá no fundo do nosso sentir, Profunda dor pela mentira! Porém a cada dia, a alvorada cintila, E renasce a esperança, Das boas intenções da humanidade, Porque o querer das vontades, Consegue sobrepor-se às perturbadas mentes, Da maldade e da ignomínia! A terra gira sem parar E a cada rotação, o sol acalenta corações frios E o luar ilumina a alma do desatino; As aves chilreiam melodias de advires Pelo altruísmo, raro, mas sentido, No carinho do abraço aos desafortunados, Deste mundo louco de contradições, Em simbiose de amores e desencantos. E as nuvens brancas aconchegam-nos, Na sua majestosa alvura, Iluminadas pelo brilho das estrelas De prenúncio de um novo sentir E nessa doce ilusão... “Renasce a esperança”. José Carlos Moutinho

sábado, 17 de dezembro de 2011

Eras tu

No silêncio das horas que voam, Dispo-me das tristezas, Entro nas minhas memórias E sinto as tuas carícias, Em noites enluaradas do nosso querer! Sorrio-me no prazer dos teus beijos sentidos, Naqueles momentos de doce ilusão; Abraçados numa entrega de deslumbrante prazer, Acompanhados pela luz estelar, Que nos iluminava a alma, Despertada da sua acalmia E nos fazia delirantemente vibrar! O calor irradiado das tuas palavras, Que aos meus ouvidos Os teus lábios murmuravam! O tempo esquecia-se na nossa indiferença, Pelo nosso tempo assumido em nós; Os teus braços envolviam-me Em elos de emoções; Mergulhava em teus olhos E perdia-me no fascínio do azul celeste; Tu eras a sensação do paraíso E a louca perdição do meu viver; Tu... Eras tu, a minha amada amante. José Carlos Moutinho

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Sensações




Permito levar-me por esses verdes campos
Ornamentados pelo matizado de belas flores silvestres,
Oscilantes na caricia do beijo da brisa, que as afaga
E se aconchega aos pés das árvores altaneiras,
Guardiãs de tanto e efusivo colorido!
O Sol completa a beleza desta tela,
Iluminando a paleta das cores que a natureza inventou!
Lá longe, avisto os cumes de duas montanhas,
Lembram-me os seios de uma mulher em lasciva pose;

Este silêncio que me envolve,
Transforma-me...Deixo de pensar!

Aquieto-me no murmurar melódico das aves,
No desafio de melhor sinfonia;
As flores libertam as suas fragrâncias,
Que me invadem no sentir da minha alma;
Os ramos das árvores agitam-se num bailar
De fascinante encanto!
Sinto-me na ilusão de doce quimera,
Semicerro os olhos...
Quero guardar esta visão singular para sempre.

José Carlos Moutinho

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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