quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

De Angola guardo em mim



Penso-me cidadão deste mundo
Viajado por remotos lugares,
Conheci de Angola, o mais profundo
Das savanas aos belos palmares.

Do encanto dos seus rios, ficou a imagem,
O pôr do sol colou em mim nostalgia,
A flora e a fauna são uma miragem
A terra vermelha não era utopia.

Tenho em minha memória, gravadas
As areias finas e brancas das praias,
As cores de acácias perfumadas
E o gosto delicioso das papaias.

As cubatas de adobe, tipicas,
Obras de arte singela de um povo
Labirintos de ilusões misticas
Contidas nos musseques num todo.

Embora fascinante este olhar
Era a pobreza na sua condição,
Cores vivas d’ áfrica em seu pulsar
Vermelho de sangue do duro chão.

Recordo das mulheres o  penteado
Artístico eterno, inalterável,
Aqueles cheiros p’lo ar perfumado
De terra molhada, inolvidavel.

Ah…como era tão doce a melodia
Do pregão das quitandeiras p’la rua,
Quitandas à cabeça, em correria
Calcorreando a cidade, vida crua.

Havia alegria, vivia-se cada dia,
Uns com mais, outros com muito menos
Tais diferenças em assimetria
Das sociedades em que vivemos.

Mas dentro de mim, só quero guardar
O que de bom Angola m’ofereceu,
O azul eterno do seu lindo mar
E as cores, os cheiros que Deus lhe deu.

José Carlos Moutinho
4/2/15

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