sexta-feira, 31 de julho de 2015

Adormecera





Eis-me aqui, só, perante as estrelas,
vagueio o meu olhar pelo ocaso
e penso-me sombra viajante
abraçado às asas do invisível
e voo, num voo aleatório por ai,
sem rumo…
é meu companheiro o pensamento
que me sussurra utopias
em forma de sorrisos…

Tento chegar ao horizonte,
onde num beijo extasiante
o azul do céu
se funde com o verde do mar
num abraço hamonioso…
porém, o canto de uma sereia
fascina-me e ofusca-me a visão…

A lonjura é constante,
sufoco-me na maresia
da minha ansiedade
e estendo os braços
procurando agarrar as ondas
da minha imaginação,
mas o seu marulhar
opõe-se ao meu querer…

Penso tocar finalmente
com a ponta dos dedos
no marco de cristais sedosos do porvir
onde o sol se esconde…
Quando repentinamente
em mim, se faz noite,
Adormecera…

José Carlos Moutinho

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