terça-feira, 4 de agosto de 2015

Desvarios






Apetece-me rasgar as folhas
que se interpõem no meu caminho
e ofuscam a visão do meu horizonte!
Apetece-me secar as gotas da chuva
que me molham os pensamentos!

Ah…Como me sinto em desvario
neste desassossego de vida vazia,
onde o sol se apagou,
as alvoradas se recusam
a renascer em cada novo dia,
e o gorjeio das aves se calou,
e as pétalas das flores se reclusam!

Quero soltar o grito estrangulado
que me comprime o peito cansado,
sentir o ardor de nova paixão,
nos poros fechados pela desilusão!

Desejo divagar por vales de esperança,
onde os campos floresçam de ilusões,
aninhar-me em trigais de temperança,
sonhar novos anseios em ternas emoções!

E é no mar, do meu silêncio e acalmia
que desabafo as dores da minha solidão,
com murmúrios abafados pela agitação
das ondas, que me perfumam com maresia,
na caricia da brisa, que me acaricia a alma,
encontro a serenidade que se fazia arredia
do meu agitado coração, que agora acalma.

José Carlos Moutinho

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