Diversas

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Não me grites, ó vento



Por que me gritas tu, ó vento norte
Se eu, aqui no meu silêncio, te escuto,
Não me sopres, descontrolado assim,
Acalma-te, bem sei da tua bravura
E de nada adianta te exaltares
Por que de repente, tão de repente
te fazes suave brisa…
Sente a dor das folhas das árvores
Que se agitam com a tua fúria,
Escuta o silêncio das vozes das aves
Que se calaram apavoradas com tua raiva!

Entendes-me agora, ó vento
Por que te prefiro calmo
No teu soprar refrescante de Outono
Ao teu invernoso e obstinado vendaval?

Quando te acalmares, ó vento frio
Vem aconchegar-te aos pés do meu sentir,
Estarei à tua espera,
Serás meu companheiro na solidão
Que me fez esconder do teu sibilar…
E juntos na serenidade da tua acalmia,
Cantaremos em uníssono
Melodias nostálgicas de saudade,
A saudade do teu soprar refrescante
Quando te vestias de acariciante brisa
Nas tardes quentes de verão.

José Carlos Moutinho​

Sem comentários:

Enviar um comentário