sábado, 21 de maio de 2011

Emoção e quimera




Agarro-me às ilusões inventadas
Na ânsia de as tornar reais;
Voo nas imagens dos pensamentos,
Olho o reflexo de mim em ti
E a tua imagem está vazia de mim;
As folhas que caem,
E que me tocam docemente,
Fazem-me sentir-te, ténue, como a luz,
Deste sol cansado de fim de dia!
É irreal e imaginado esse toque teu,
Não estás aqui!
Estiveste por um àpice
E foste-te com a luz do inverno
Célere, como os teus sentimentos;
Tornaste o belo em horrendo,
Foste fria e calculista;
E tu mesma foste vítima,
Da tua incompreensão;
A emoção que dizias sentir
Era na verdade falsa,
Não passava de simples quimera.

José Carlos Moutinho

terça-feira, 17 de maio de 2011

Sonhando

Tenho dito que destruí todos os poemas, feitos com a idade de 16/20 anos. E é verdade.
Esta noite sonhei que teria alguns poemas daquela época. Procurei, rebusquei, encontrei este, de nome SONHANDO. Foi escrito em 66.




SONHANDO

Do belo e fantástico alvorecer dos meus sonhos
desperto,
e penetro nas mais profundas
e densas trevas,
da crua e tortuosa realidade,
desfazendo
num ápice,
as mais belas e irreais quimeras
de um só momento
de imensa felicidade ;
Momento em que se sonha, despertado,
que se ama e se é amado,
louca e veemente,
em constante adoração...
Momento em que se sente ciúmes
da luz do luar,
que afaga, meigamente
o ente amado...
Das pedras,
que indiferentemente são pisadas,
pelos seus graciosos pés...
Do calor do sol,
que bafeja as suas faces,
dando-lhes um angélico colorido...
Do momento, ainda,
em que se recebe,
a dádiva de um simples
sorriso
que nos transporta,
voluptuosamente
a outro mundo,
diferente,
extra-terreno,
maravilhoso...
irreal ...
Mas eis, que tudo é fictício,
e como se sofre !...
Oh Força invisível e Omnipotente,
que existes para Além da Morte,
fazei com que eu não sucumba
a este amor
sem retribuição,
e que não caia na perversa
desilusão
de uma amarga realidade...


José Carlos Moutinho
20/8/66

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Teimosia



Ainda escuto os sons roucos da minha agonia;
Ecoa em mim as tuas últimas palavras de adeus;
Na minha memória ficou aquela tarde triste,
Embora ensolarada, de um dia de Outono;
Tudo deixou de fazer sentido!
O voo suave das aves, era como ribombar
Na minha mente incrédula;
O que me rodeava,
Era de outro mundo
Estranho, exótico inexistente;
O teu sorriso de despedida,
Foi um esgar em ti de tristeza,
De displicência ou amargura!
Gravou-se-me no subconsciente
Aquele teu acenar, flácido
De braço quase caído, sem força
Querendo chamar-me,
Mas teimavas em querer demonstrar
O que não sentias, nem querias;
Preferiste o navegar no sofrimento
Que te acompanhou por anos
E que me arrastou pelo mesmo mar.

José Carlos Moutinho

A uma grande amiga, Maria José




Navego em águas azuis da alegria,
Em canoa inventada na amizade,
A oscilação das ondas da fraternidade,
Embala-me pelo leme da solidariedade!
O mundo, as pessoas, podem ser belos,
Quando se tem a felicidade,
De encontrar as pessoas certas,
Nos momentos certos;
Eu tive a bênção de ter amigos,
Inventados num mundo virtual,
Que se tornaram irmãos no real;
A confraternização séria e verdadeira
Que encontrei nestes últimos dias,
Fez-me pensar na beleza do ser humano.
Encontrei uma mulher bela de alma
E não só, mas amiga de coração,
Que fez de mim o seu herói de ficção,
Pela poesia que partilhamos;
Mulher morena, de encantos tamanhos,
Olhos com brilho de anjo,
Sorriso que cativa, como luz celeste;
Ser humano raro, iluminado,
De dar mais do que receber.
A ti, minha amiga para toda a vida,
A ti, Maria José com o meu carinho,
Aceita o meu abraço
Do fundo do meu coração
E o meu obrigado eterno!

José Carlos Moutinho

domingo, 15 de maio de 2011

Nas veias da paixão




Delicio-me no embalo do teu suspiro;
A tua respiração em mim, como brisa
Acaricia-me e me acalma;
Envolvo-me nos teus braços
E deixo-me apertado no teu peito,
Escuto as batidas do teu coração,
Como latejar da vida,
Nas veias da paixão;
Vejo-me espelhado
No lago azul dos teus olhos;
Os teus cabelos, sedosos
Afagam-me o corpo sedento de ti!
Enrosco-me mais, na concavidade
Do teu corpo esguio e quente
E sinto-me em outra galáxia,
Perdido nas palavras caladas,
Que os teus olhos me falam;
O teu beijo como desejo inventado,
Deixa-me em absoluta volúpia;
Soltam-se sorrisos, ouvem-se ais
É o êxtase em delírios sensuais.

José Carlos Moutinho


O céu a lua e sol, desapontados




O céu, e a lua a iluminar
Pousavam sobre os roseirais
Descansavam do seu fardo
Pelo que viam em baixo, na terra,
Sentiam-se cansados
Especialmente o céu, no imenso firmamento
Que tudo observava, estava desapontado
Com a injustiça e incompreensão;
A lua, que se esforçava por enviar o luar
Para que as pessoas pudessem ver-se sorrir,
Não conseguia esse objectivo;
As gentes não sorriam, agrediam-se.
Não se amavam, odiavam-se.
As estrelas piscavam sem descanso
Para sinalizar o caminho do bem, sem resultado.
Até o sol, que ainda estava no outro lado da terra,
Escondido, observando esta aflição do céu, da lua
E o esforço das estrelas,
Se sentia triste, desfocado, sem brilho
Por não conseguir aquecer os corações das gentes!
E os quatro reunidos, combinaram
Dar mais uma oportunidade ao mundo
E aos humanos,
Apresentando mais estrelas, o céu
A lua com um luar mais brilhante
E o Sol viria com todo o seu calor e amor
Para regenerar as gentes.

José Carlos Moutinho

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tamanho do meu sentir




Agarro este silêncio invisível que me cerca
Como fantasma dos meus pensamentos em ti;
Abro os braços na busca do teu afecto em mim,
Encontro o nada, neste espaço vazio,
Mas cheio de silêncio, que me sufoca,
Somente aliviado pelo perfume que me inebria,
Das magnólias de que tanto gostavas
E que eu te oferecia nos momentos especiais
Do nosso enlevo e paixão,
De tantos momentos vividos;
Agora, na minha quietude
Resta-me escutar o chilrear desafinado dos pardais
Nos telhados da minha solidão,
Numa agonia que me entorpece o sentir!
Lá longe, tocam os sinos
Num repicar arrepiante,
Qual prenúncio da partida de alguém,
Que me faz lembrar que existe o Além;
Mas aqui, a vida tem a paz e a beleza
Do tamanho do meu sentir
E as cores e os cheiros do meu viver.

José Carlos Moutinho

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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