domingo, 25 de março de 2012

Pela noite






Vou por aí, sem rumo,
Em busca de não sei o quê;
Percorro as ruas quase desertas,
Pelo frio que ainda se faz sentir,
Neste iniciar de Março,
E que esfria a cidade,
Amarelecida pelas luzes dos velhos candeeiros!

Visto-me do breu da noite,
Tropeço em mulheres quase despidas,
Que se oferecem de peitos expostos,
Pelas vielas da devassidão!
Homens que chegam, em segundos
São levados através das portas,
Das pensões do prazer,
Onde se escondem misérias humanas,
Infelicidades nascidas da pobreza,
Em sorrisos forçados de mágoas e dor!

É na calada da noite,
Que os limites se ampliam,
Na certeza da escuridão que tudo oculta!

Homens que se travestem, em total provocação,
De imoralidade doentia ou opção forçada!
Bêbados que barafustam e caem nas poças
Da sua decadência moral e fisiológica,
Como farrapos humanos!

A noite vai-se cansando
E cede a vez à madrugada,
Que chega lenta e sonolenta,
No despertar pujante do trabalho
Na cidade, que não adormecera,
E que assistira a outra cena, quase surreal,
Sem sentido, perdida em promiscuidade,
De uma vida de degradação.

José Carlos Moutinho

sexta-feira, 23 de março de 2012

Um dia de felicidade




Escuto o gemer da minha alma,
Que ecoa em mim, como chuva fria,
Persistente e acutilante
E me encharca os pensamentos,
Perturbando-me os sentidos,
Causando-me uma inquietude,
De ansiedade estranha
E me faz viajar no tempo das lembranças,
Que se fizeram desfalecidas,
Nos invernos da solidão,
Em que os sois da esperança,
Se esmoreciam na rigidez,
Dos conflitos de ideias desassossegadas!

Percorre-me um frio cortante,
Pelas entranhas do meu ser,
Que me desperta para as primaveras
De um novo sentir a vida,
Lembrando-me...
Que águas paradas não movem moinhos,
O hoje não é o amanhã e este já será passado!

A tristeza dos momentos passados,
Podem ser alegrias dos instantes futuros!

Nascemos para sermos felizes,
Desperdiçar um dia com tristeza
É viver menos um dia de felicidade.

José Carlos Moutinho

quarta-feira, 21 de março de 2012

Dia da Poesia




No esplendor da primavera,
Cantada pela melodia das palavras da poesia,
Formando uma fantástica simbiose
De cor e palavras em mágica sinfonia,
Se faz presente com mais vigor,
Este dia especial de encantamento,
Quando no simples pronunciar “poesia”,
Esta já está implícita na sua palavra,
Poesia...
Do desabrochar das flores que nos perfumam a alma,
Das brisas que nos levam em voos de quimeras,
Ou navegando sobre ondas de utópicas ilusões,
Poesia...
Que descreve em palavras as emoções
Brotadas do nosso âmago
E faz do nosso coração o verbo,
Que abraça o papel,
Beijado pelas palavras feitas versos!

Neste momento,
Em que 21 de Março se faz dia da poesia,
Exalto-o profundamente,
No deslumbramento da Primavera,
Nascido um dia antes,
Criando a união das duas flores,
Neste verso que será eterno em beleza,
“Primavera”, da natureza e a “poesia” da alma.

José Carlos Moutinho

segunda-feira, 19 de março de 2012

Pai




Pai, não me lembro de ti
Porque te foste tão cedo...
Podias ter esperado mais primaveras,
Para veres crescer o cravo que plantaste!

Teria eu talvez uns tenros dois anos
E lembro-me, Pai...
Uma pequena imagem de ti,
Ficou perpetuada na minha memória!

É muito pouco do muito,
Que poderíamos ter convivido,
Mas Deus quis-te mais cedo...

Sei que deves acompanhar-me
Iluminado pelo cintilar das estrelas...
Mas eu não te vejo, Pai!

E assim floresci na vida,
Com o amor dobrado
Da minha mãe,
Que foi meu pai também!

Senti falta do teu abraço,
Que seria certamente muito protetor,
Do teu conhecimento da vida...
Assim sem ti,
Tive de aprender a caminhar sozinho!

Mas olha Pai,
Em breve nos encontraremos
E então quero todos os abraços,
Que se perderam no tempo,
Que não te tive!

Quero olhar-te e dizer-te:
Pai, não te conheci
Vi-te somente no esbatido de uma foto
Mas eu te amo!

Sabes Pai,
Até senti falta de alguma palmada,
Que me desses por castigo...
Mas tu te foste tão prematuramente!

Tenho saudades do que perdi de ti,
Ouviste-me Pai?

José Carlos Moutinho
19/3/12

Meu PaI




A minha memória de ti, pai,
Ficou eternamente marcada em mim,
Na fragilidade do meu ser,
Que tu, pai pouco depois deixavas de ver!

Partiste cedo,
Não viste crescer o rebento
Que fecundaste
E que regarias com o teu amor,
Mas secou-te a seiva do teu coração
E deixaste de cuidar do teu jardim!

Mas eu sei Pai...
Que no cintilar das estrelas,
Envias-me a tua luz,
Para que eu não tropece nos escombros,
Escondidos na escuridão da vida!

Sinto que abres e me levas pelos caminhos,
Da honra e dignidade,
Que tu tanto defendeste!
Obrigado meu Pai, pelo caracter bom
Que eu herdei de ti!

Um dia, Pai, vamos dar-nos os abraços,
Que não tiveste tempo de me dar!

Senti falta de ti na minha caminhada,
Mas fui compensado duplamente,
Com o amor da minha mãe,
Do teu, que não pudeste dar-me!
Ela, Pai, foi a minha mãe e o meu Pai
E tu bem sabes disso.
Quero um dia encontrar-vos juntos,
Até lá...

José Carlos Moutinho
19/3/12

domingo, 18 de março de 2012

Este nosso Portugal




Tantos e tantas vezes se canta Portugal,
É verdade que é onde nascemos,
Será que devemos enaltecer de maneira tal,
Onde as agruras são imensas e tanto sofremos?

Dirão muitos que é uma conversa antipatriota,
Talvez um louco, que deva ser internado,
Porém, sempre conheci estes pais na bancarrota
E os políticos com modo de vida folgado.

Sou patriota, amo este jardim à beira-mar,
O que me custa é a exaltação exacerbada,
Houve época em que daria a vida sem pensar,
Porém o que recebemos é esta miséria continuada.

Sou do tempo em que estudar era luxo,
Só acessível a alguns, poucos, privilegiados,
A educação era perigosa se em grande afluxo,
Havia que continuar ignorantes e apagados.

Mudaram os tempos, hoje todos têm canudos,
Antes eram pobres iletrados, hoje são doutores,
A fome grassa e os corpos estão mais desnudos,
Onde só se vence, na política ou por favores.

É deste país de belo sol, mas de alma cinzenta,
Que eu pergunto, porquê tanto orgulho,
A minha idade certamente já não me contempla,
Com a felicidade de sair deste eterno mergulho.

Em tempo de ditadura, não se falava em corrupção,
Era de meia dúzia de famílias, este país,
Veio a liberdade de Abril, que confusão,
Aumentaram os ricos cada um fez o que quis.

Se aumentaram os ricos diminuíram os pobres,
Assim falam as ditas estatísticas irreais,
Que não são palavras de verdades nobres,
Porque as realidades são bem desiguais.

É um pequeno país, mas tem 230 deputados,
Para que serve tanta gente, muitos a dormirem,
A maioria nem abre a boca, são acostados,
E as várias instituições só servem para se eximirem.

Mas viva a nossa terra, viva Portugal,
Que se mudem os homens, prejudiciais,
A Pátria está na nossa alma de modo especial,
Ela é eterna, os homens passam, são mortais.

José Carlos Moutinho

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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