sábado, 13 de fevereiro de 2016

Se souberes, amigo






Diz-me tu, meu amigo, se souberes,
a razão da ira deste vento norte
que me sopra em dias de acalmia,
se eu somente quero o sol,
nas tardes cinzentas de invernia.

Quando as noites chegam cansadas,
olho o céu e vejo o luar escondido,
assustam-me as marés desgovernadas
que parecem querer implicar comigo.

Se na verdade me disseres, amigo,
por que o tempo se revolta comigo,
talvez eu consiga viver em sintonia
e esquecer esta provocante ventania.

Se resposta não tiveres, meu amigo,
o que é natural, pois és igual a mim,
que não passo de um átomo perdido
nesta globalidade imensa e sem fim.

Então que venham marés e ventanias,
serei sempre o mesmo louco sonhador
voando pelos céus das prosas e poesias,
até que o viver deixe de ser uma dor.

Inventarei o sol nos dias escurecidos,
nos temporais rirei com as frias águas,
ousarei fazer dos dias entristecidos,
mar, que leve para longe minhas mágoas.

José Carlos Moutinho

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