quarta-feira, 2 de março de 2016

Amor, paradoxal sentimento





Olhai as pedras da calçada,
Como elas brilham com o reflexo do sol,
Reparai no sorriso das rosas,
Que marginam as ruas;
Sintam o veludo do chão que pisais,
Vede como tudo se conjuga numa beleza infinita;
Agarrai o algodão das nuvens,
Aspirai o perfume da brisa,
Riam-se com o ridículo dos momentos!

Chorai com o sofrimento,
Condoam-se com os desfavorecidos,
Mas não os abandoneis, não os desprezeis,
Não os olheis com desdém, eles são-vos iguais,
E também têm direito ao brilho da calçada,
Ao sorriso das rosas,
E ao veludo do chão!
Assim como merecem
Segurar nas suas mãos calejadas,
O algodão das nuvens
E sentirem o cheiro perfumado da brisa!

Este mundo é pequeno,
E simultâneamente enorme, onde cabemos todos
Desde que haja harmonia,
Entendimento, partilha, justiça e amor,
Muito amor…
Não o amor carnal que é instinto natural…
…Mas sim, amor na verdadeira acepção da palavra
Que floresce no que se toca com a suavidade da carícia,
Está na doce palavra murmurada na bruma da tristeza
E no abraço na noite de invernia do infortúnio!

O amor, ai o amor…substantivo de quatro letras
Tão pequeno e tão belo…
Porém, tão vilipendiado, tão ignorado e…tão desejado!

A solidariedade é um jardim do amor,
De onde as flores se fazem desapego da materialidade
E suas pétalas perfumam os desprotegidos da sorte…

O amor é dor que sente a dor do semelhante!

O amor é a vida,
pode ser tudo e pode ser nada…
Será paixão, dor, dádiva, ilusão, vida e morte.

José Carlos Moutinho

Sem comentários:

Enviar um comentário