LABIRINTO DO PENSAMENTO
(Aprisionado na Timidez )
José Carlos Moutinho
Portugal
23/6/2026
Oh, mistério dos mistérios da vida,
Que o homem contempla no dia a dia,
Sob um tempo que a todos controla,
Mas que ignora olhares e lamúrias,
Numa indiferença constrangedora.
Tempo que tudo sabe e tudo cala,
Que corre célere e louco,
Alheio a suspiros e a sorrisos,
Fazendo seus todos os caminhos
E margens, num eterno viajar.
Quisera o homem que este mesmo tempo,
Que lhe tem outorgado a longevidade,
Conseguisse arrancar de si
O seu descrente e perene EU;
E que, num breve lapso,
O transportasse a um sentir ousado.
Chamam-lhe poeta
Que a ele, tal maré inquieta,
O faz navegar na descrença,
Porque na sua alma
Mora o afã da escrita perfeita,
A despeito de tantos encómios de outrem.
Anseia soltar-se das amarras e limitações,
Para que, em voo livre e pleno,
As asas corajosas do vento o levem,
Na total liberdade e audácia rebelde
De uma gaivota sobre o mar.
Mas nada acontece.
Porque a âncora que o prende a si mesmo
Dificulta-lhe a senda para um sentimento puro,
Despojado de atritos e de conflitos mentais.
Ah, pensamento que lhe tolda a razão
E o mantém enclausurado na timidez…
Que
a vida, por fim, o liberte.
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