segunda-feira, 8 de junho de 2026

 

EFÉMERA ESPUMA DO PODER
José Carlos Moutinho
Portugal 
7.6.2026
 
Acompanhado pelo silêncio
do pensamento,
caminhava pela vereda da vida.
 
Cruzava-se com pessoas alegres,
outras entristecidas;
algumas cabisbaixas -
sabe Deus em que pensavam.
 
Havia ainda aquelas
que olhavam com ar crítico,
sorrindo,
cujos sorrisos
lembravam mais esgares:
talvez de revolta,
inquietude,
ou sabe-se lá o que ia
na mente daquela gente.
 
Ele continuava a caminhar,
deixando-se embriagar
por uma análise
dedicada ao comportamento daqueles seres.
E pensava: quão diferente
é o ser humano
como figura individual,
e até a humanidade
na sua plenitude.
 
Veio-lhe à mente
a existência da convulsão
nascida da maldade
neste nosso mundo;
lembrou-se
da estupidez da guerra,
produzida por mentes doentias,
movidas pela cega prepotência
de quem se crê senhor
deste mundo
que é de todos nós,
e que tanto anseiam pelo poder
como se este fosse eterno.
 
Tristes energúmenos,
que, se tivessem a capacidade
do discernimento,
saberiam que o seu poder
é tão efémero
como a onda mais rebelde
que se desfaz em espuma
na areia da praia.
 
Na sua caminhada de fim de tarde,
deliciava-se — pelo menos isso —
com a beleza que a natureza
lhe oferecia ao longo das margens
daquele caminho,
sentindo-se feliz
por pertencer ao reduto da gente de bem,
felizmente a maioria neste planeta
onde tantos alienados
o vão destruindo,
superando a crueldade 
dos mais ferozes animais selvagens.



Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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