AVES NEGRAS
José Carlos Moutinho
26/7/2026
Portugal
Nas florestas da vida
voam aves de rapina,
usurpadoras da serenidade,
que batem as asas soltando penas,
penas negras com a acutilância das garras,
que perfuram, imbuídas de ímpios sentimentos,
os corpos delicados da sensibilidade...
São aves que voam com o sorriso da hipocrisia
e se escondem nas brumas da realidade.
Dizem-se gaivotas de asas brancas,
de alma generosa e compreensiva,
mas chafurdam nas pocilgas da mentira;
batem as asas e fogem, sopradas pelo vento
do mar com perfume de franqueza.
E as florestas que nos oferecem escolhas,
entre atalhos e caminhos floridos pelo sol,
levam-nos a receber a amizade de braços abertos
e a fazer da sinceridade a difícil e longa ponte
que nos deve unir a todos como seres humanos,
embora, por vezes, discordantes...
Pois a razão não pertence a ninguém;
a dignidade, essa sim, é dever de todos.
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