quinta-feira, 30 de julho de 2026

#A ESTRADA IMAGINADA

 

A ESTRADA IMAGINADA
José Carlos Moutinho
Portugal
24/7/2026
 
Oh, privilégio dos deuses,
permitir-me caminhar calmamente
— porque já muito corri —
por esta estrada vazia,
vazia de preconceitos e maledicências,
iluminada pelo sol mais cintilante da verdade,
contemplada pela sonoridade encantadora
das aves que a sobrevoam,
cujas margens são coloridas
pelas mais belas flores de esperança.
 
Caminho sobre este tapete aveludado
como se fosse premiado
pelo meu contributo à harmonia
e à dignidade humana…
 
Cheguei, porém, ao fim da estrada,
que, infelizmente, era demasiado curta,
contrariando meus anseios latentes
e levando-me a uma profunda meditação
sobre o que acabara de passar…
 
Seria um sonho?
Talvez uma miragem?
Ou, o que seria mais natural,
ter sido acometido por uma alucinação?
Existiria mesmo essa estrada
que eu acabara de percorrer
e sobre a qual descrevi tantas maravilhas?
 
No fim daquela via,
obviamente imaginada,
sentei-me num pedregulho
que representava a agudeza da realidade,
e entreguei-me a uma reflexão profunda
sobre as minhas inquietações
— que contrariavam, de maneira cruel,
tudo o que eu, em pensamento, tanto ansiava.
Que desilusão!
Que privilégio tão efémero
aceitei dos deuses…
Provavelmente porque esses mesmos
não passam de ficção e pura imaginação.
 
Ah, como todos nós,
arrogantes passageiros desta vida,
seríamos tão mais felizes 
se aquela e outras estradas fossem verdade!

 

#ABRACEI-TE. Vídeo

ABRACEI-TE
poema de José Carlos Moutinho
Voz e me lodia geradas por IA




segunda-feira, 27 de julho de 2026

#GOSTARIA DE SER POETA (Vídeo)

 
GOSTARIA DE SER POETA.

Poema de José Carlos Moutinho
Voz e música geradas por IA



#GOSTARIA DE SER POETA

 

GOSTARIA DE SER POETA
José Carlos Moutinho
26/7/2026
Portugal

Gostaria de ser poeta

e escrever poemas belos
mas poeta eu não sou
dou-me apenas às palavras
com alegria e desvelos

Gostaria de ser poeta

inventar coisas de amor
sonhar como um sonhador
em cada verso um beijo
por ser esse o meu desejo

Embora poeta não seja

não irei deixar de amar
as palavras com emoção
que saem do meu coração
mesmo que seja a sonhar

Não me chamem de poeta

só porque planto sonhos
poesia é graça e beleza
se escrita com a certeza 
da verdade das paixões

domingo, 26 de julho de 2026

#LEVEZA DAS PENAS - Vídeo


 

#AVES NEGRAS

 

AVES NEGRAS
José Carlos Moutinho
26/7/2026
Portugal
 
Nas florestas da vida
voam aves de rapina,
usurpadoras da serenidade,
que batem as asas soltando penas,
penas negras com a acutilância das garras,
que perfuram, imbuídas de ímpios sentimentos,
os corpos delicados da sensibilidade...
São aves que voam com o sorriso da hipocrisia
e se escondem nas brumas da realidade.

Dizem-se gaivotas de asas brancas,
de alma generosa e compreensiva,
mas chafurdam nas pocilgas da mentira;
batem as asas e fogem, sopradas pelo vento
do mar com perfume de franqueza.

E as florestas que nos oferecem escolhas,
entre atalhos e caminhos floridos pelo sol,
levam-nos a receber a amizade de braços abertos
e a fazer da sinceridade a difícil e longa ponte
que nos deve unir a todos como seres humanos,
embora, por vezes, discordantes...
Pois a razão não pertence a ninguém; 
a dignidade, essa sim, é dever de todos.

sexta-feira, 24 de julho de 2026

#VOZES CALADAS - vídeo


 

#VOZES CALADAS

VOZES CALADAS
José Carlos Moutinho
24/7/2026
Portugal

No feto profundo das ideias
nascem as palavras,
umas vezes serenas,
outras intempestivas e rebeldes

de nada adianta gritares
no surgimento das suas vozes,
que caladas podem amar
ou ferir…

nos teus braços
podes transportar
tudo que a tua vontade te dite,
se tiveres suficiente coragem
para dizeres ao mundo
quem realmente tu és!

porque será nos voares
dos teus pensamentos
que encontrarás inspiração
para realização
das caminhadas da tua vida

quarta-feira, 22 de julho de 2026

#O RIO DO MEU PENSAMENTO

 

O RIO DO MEU PENSAMENTO
José Carlos Moutinho
Portugal
24/5/2026
 
Soubesse eu entender-me
com as metáforas,
e fá-las-ia dizer-me do seu pensar
e a razão de vestirem
tantas imagens,
por vezes tão distantes
da realidade.
 
Mas como, francamente,
me falta essa arte,
deixo-me levar
na minha ciente ignorância
por outros caminhos;
daqueles em cujas margens
florescem sonhos
engalanados de acácias
e perfumados por ilusões
que, porventura,
se semeiam na minha mente.
 
Assim vou, devagarinho, por aí,
qual vagabundo perdido em utopias,
porém de alma cheia
e coração vibrante,
abraçado à ânsia
que me pulsa no peito
e me sussurra desejos
— e medos, também.
 
Medos… de me perder no vazio das ideias,
catapultado por quimeras 
fantasiosas e presunçosas
que me façam parecer
o que certamente não sou.
 
Então, na acalmia deste meu divagar,
em simbiose de anseios e sorrisos,
vou lavrando palavras singelas,
isentas de gargalhadas loucas,
mas serenas...
como as águas do rio
que corre, mansamente,  
no meu pensamento.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

#NO CACIMBO DA MINHA VIDA

NO CACIMBO DA MINHA VIDA
José Carlos Moutinho
Portugal
20/07/2026

Muitas vezes, no cacimbo da minha vida,
escutava eu o doce farfalhar das acácias,
enquanto as estrelas acendiam meus sonhos;
o luar cintilava quando me falavas de amor.

No calor com que a noite me abraçava,
fazia-me reviver sonhos místicos do kissangi,
quando eu percorria as vermelhas picadas
em viagens de encantos e imensas lonjuras.

Sim, havia em mim um eterno encantamento
pelas cores tropicais e pelos sons dos batuques
que, em noites de breu, trespassavam os ventos,
mergulhando no âmago dos meus sentimentos.

O presente roubou-me a vivência desses dias,
restando-me apenas o abrigo da memória,
e esta saudade feiticeira que me aperta o peito,
mas que também me acarinha na lembrança.

O tempo corroeu o longe entre ontem e hoje,
impiedoso e indiferente à dor que me subjuga.
Os anos passam com gélida displicência,
como se as histórias de outrora fossem sonhos.



terça-feira, 14 de julho de 2026

#CAMINHOS DE SONHOS E ILUSÕES

 

CAMINHOS DE SONHOS E ILUSÕES
José Carlos Moutinho
Portugal
14/07/2026
 
Desde menino, tantos sonhos tive,
Que bem sabia serem só quimeras;
O tempo, em passos que eu não previa,
Levou-me a trilhos nunca percorridos.
 
Desejei tanto, imbuído em ilusões,
Mas quase tudo se frustrou na vida.
Mais tarde, em mudez e conformado,
Aceitei esta falta de conquistas,
Pois vi que a própria vida assim se faz:
Somos moldados por intensas mágoas,
E as utopias vivem connosco.
 
Mas nesta marcha que nos move os dias,
Outros cenários surgem, de repente,
Sem que os tivéssemos imaginado.
São trampolins que a vida nos oferta
Para saltar barreiras e perigos,
E vencer rotas dantes desmedidas.
 
Será, talvez, o mundo a desafiar-nos,
Para que a alma, cheia de ousadia,
Se atire aos fados com real coragem.
E quando o tempo se nos mostra lasso,
Pela lonjura da cansada rota,
Temos a veleidade e o direito
De olhar para trás, sentindo a harmonia
Desta provocação que nos foi dada.
 
Bem sei que não foi tudo um mar de rosas,
Nem tampouco um jardim cheio de risos,
Muito menos um voo de ventura;
Mas foi aceite, sem a menor dúvida,
Toda uma obra de reais conquistas
Que nos alegra a alma e dá conforto, 
Na certeza de termos o sucesso.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

#AO TEJO

 

AO TEJO
(da minha saudade)
8/7/2026
José Carlos Moutinho
 
Gosto de passear pelas margens do tejo
é lá que encontro a paz que tanto desejo
contemplo suas águas em suave deslizar
sinto que comigo elas querem murmurar

Será utopia ou devaneio da minha mente
nada posso fazer perante este meu sentir
assim, na acalmia do meu sorrir ardente 
navego meu olhar triste por ter de partir

#VESTIDO DE UTOPIAS

 VESTIDO DE UTOPIAS
José Carlos Moutinho
Portugal
8/7/2026
 
Podem criticar, rir com desdém,
ou fazer o que bem entenderem;
pouco me importa o julgamento alheio,
 
se o meu desejo, neste breve instante,
é vestir-me das mais puras utopias
com que se trajam os poetas românticos.
 
Quero deixar-me levar pelas emoções
que o próprio silêncio murmura,
este mesmo silêncio que agora respiro;
sentir-me voar nas asas da imaginação,
alimentada por memórias de outrora
que nem o tempo implacável ocultou.
 
Serei, talvez, apenas um sonhador,
ou, quiçá, paire em mim a presunção
de me sentir, por momentos, poeta:
vagabundo das palavras,
viajante de caminhos metafóricos.
 
Deixar-me ir, sem rumo, por aí,
em estrofes tecidas de puros sonhos,
que a realidade terá, por certo,
rimado em versos de fina ausência,
feitos de fragrâncias de saudade
e salpicados pela maresia do meu mar.
 
Mar… sim, o meu eterno mar,
onde outrora fui feliz,
nadador de ilusões,
em ondas de paixões escaldantes
que na areia morna dos desejos
se diluíam, suavemente, em nadas.
 
Neste agora que me rodeia e acolhe,
no mesmo silêncio em que me recolho,
traço estas palavras, pausadamente,
tentando aquietar a agitação do coração,
como se o pudesse, de facto, controlar...
 
pobre de mim, eterno artífice de devaneios,
perdido nas miragens 
do meu próprio pensamento.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

#AFORISMOS ou coisa nenhuma!

AFORISMOS ou coisa nenhuma!

Soubesse eu entender os murmúrios da brisa
talvez compreendesse os vendavais
assim, percebesse eu as vozes caladas,
jamais permitiria os gritos da arrogância.

Ah, humanidade sem fôlego de verdade
cujo respirar é bafiento odor de ódio.

Porém, se o sol queimasse a raiz do mal
Certamente o luar sorriria
…e o mundo teria mais cor

José Carlos Moutinho
3/7/2026

quarta-feira, 1 de julho de 2026

#O CREPÚSCULO DAS PALAVRAS

 

O CREPÚSCULO DAS PALAVRAS

Era um tempo descontraído, isento de problemas. Havia, porém, algo que lhe mudara ligeiramente o comportamento, um hábito que colhera os seus primeiros frutos há imensos anos, ainda nos verdes anos da juventude: o escrever. Diziam-no detentor de uma veia poética. Ele duvidava; mas, em boa verdade, habitava nele um sentir diferente dos demais amigos, que escusavam as palavras e a escrita. Ele não; entregava-se aos seus “poemas” com sincera emoção. Poemas, talvez, nascidos da inocência própria dos seus juvenis quinze anos.

Todavia, passados cerca de cinquenta anos, aquele ímpeto da juventude regressou, trazendo uma impetuosidade que o entregou novamente às palavras, supostamente poéticas. Timidamente, começou a divulgar o que produzia, sem que, pela sua mente, passasse a menor ideia ou desejo de converter aquela escrita em algo mais.

Não fossem os amigos e aqueles que o liam através das redes sociais, jamais pensaria vir a publicar um livro; tal feito seria a ilusão pura de um sonho nunca antes sonhado. A verdade, porém, é que animado e incentivado por esses leitores, tomou um dia a ousadia de publicar a sua primeira obra de poesia. O sonho outrora inexistente tornou-se realidade, pleno de anseios, justificados pelo sucesso daquele primeiro filho literário.

Ele vibrava de emoção a cada lançamento, a cada apresentação, de tal modo que, a partir de então, publicava um novo volume a cada ano que passava. Coabitava nele uma simbiose de alegria e receio de que, a qualquer momento, aquela “glória” se esfumasse repentinamente. Sabia, afinal, que a glória é sempre uma entidade passageira para outrem. A existir, ela fixar-se-ia, sem dúvida, somente na memória do próprio autor.

Foram, no entanto, muitos anos e, consequentemente, muitos os livros publicados. Havia prazer, alguma felicidade e, obviamente, uma profunda gratidão para com quem o acompanhava — não só nos lançamentos, mas na assistência constante, cujas salas lotavam de pessoas, amizades e leitores fiéis. Era fantástica, em cada apresentação, a euforia que se vivia.

Mas… na vida há sempre um, "mas". Novos autores foram surgindo, talvez em número exagerado, cada qual movido pelo mesmo desejo do protagonista desta crónica. Foi então que as salas, antes repletas, foram tornando-se geometricamente maiores pela ausência das pessoas que outrora o elogiavam e apoiavam; era preciso ceder espaço e aplausos a outrem, transformando este meio literário numa Babel que a ninguém apraz. O excesso de “editoras” e a imensidão de autores, contrastando com um país tão pequeno e que tão pouco lê, conduziu este ecossistema ao caos.

Após tantos anos de uma escrita diversificada — pois, tendo começado na poesia, palmilhou os caminhos dos contos, das biografias e dos romances —, resta a constatação. Claro que o acto de escrever não morrerá; mas o publicar, dada a crescente dificuldade em divulgar, terá certamente encontrado o momento da sua finitude.

José Carlos Moutinho

30/6/2026

 

Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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