José Carlos Moutinho
Portugal
8/7/2026
Podem criticar, rir com desdém,
ou fazer o que bem entenderem;
pouco me importa o julgamento alheio,
se o meu desejo, neste breve instante,
é vestir-me das mais puras utopias
com que se trajam os poetas românticos.
Quero deixar-me levar pelas emoções
que o próprio silêncio murmura,
este mesmo silêncio que agora respiro;
sentir-me voar nas asas da imaginação,
alimentada por memórias de outrora
que nem o tempo implacável ocultou.
Serei, talvez, apenas um sonhador,
ou, quiçá, paire em mim a presunção
de me sentir, por momentos, poeta:
vagabundo das palavras,
viajante de caminhos metafóricos.
Deixar-me ir, sem rumo, por aí,
em estrofes tecidas de puros sonhos,
que a realidade terá, por certo,
rimado em versos de fina ausência,
feitos de fragrâncias de saudade
e salpicados pela maresia do meu mar.
Mar… sim, o meu eterno mar,
onde outrora fui feliz,
nadador de ilusões,
em ondas de paixões escaldantes
que na areia morna dos desejos
se diluíam, suavemente, em nadas.
Neste agora que me rodeia e acolhe,
no mesmo silêncio em que me recolho,
traço estas palavras, pausadamente,
tentando aquietar a agitação do coração,
como se o pudesse, de facto, controlar...
pobre de mim, eterno artífice de devaneios,
perdido nas miragens
do meu próprio
pensamento.
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