A FOLHA DE PAPEL E EU
José Carlos Moutinho
Portugal
31/8/2026
Olho, carinhosamente,
a folha branca de papel
que, gentil e submissa, se me oferece,
como a mais bela e fiel amante.
Ficamos assim, por momentos,
num silêncio tão silencioso,
permitindo-me olhá-la,
emocionado, talvez até de paixão.
Sim, talvez exista,
bem escondido no remanso do sentir,
um laivo de paixão
por esta folha que, humilde,
se deixa tocar pelas palavras
nascidas da minha imaginação.
Utopia? Talvez seja.
Mas entre nós há um enlevo,
calado e sem vaidades,
um entendimento profundo
que os anos foram confirmando.
E a folha, alva e serena,
nunca me pediu palavras difíceis,
nem frases feitas de erudição.
tampouco me fala em metáforas.
Quando dialogamos,
ela diz-me, docemente:
usa as palavras que conheces,
as que te dão prazer,
mesmo que aos outros
pareçam singelas demais,
mas que a mim satisfazem,
pela
tua verdade.

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