terça-feira, 8 de setembro de 2026

#NOS BRAÇOS DO TEMPO

 

NOS BRAÇOS DO TEMPO
José Carlos Moutinho
1/9/2026
Portugal
 
Nos braços do tempo
vão-se aconchegando
memórias.
 
As mais frágeis sucumbem
aos movimentos,
enquanto as mais fortes
sobrevivem.
 
Porque o tempo é
displicente,
não nos segura com muito cuidado
e carinho,
deixa-nos simplesmente
estar por aqui.
 
Há casos em que o tempo
esquece muitos daqueles
que dele foram companhia.
Abandona-os ao destino
de outra viagem,
fazendo com que percam
este tempo,
por achar que já não lhes pertence.
 
Assim, há que aproveitar
enquanto podemos,
usar o colo e os braços
do tempo,
porque, de repente, muito de repente,
ele, o tempo, pode
deixar-nos cair.
 
Sorrio ao meu tempo,
que ainda me tem em si,
com o merecido cuidado
que dele, francamente, espero.
 
E desejo que não me abandone
tão depressa.
 
Se o fizer,
garanto-lhe 
que me zangarei com ele.

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Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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