NOS BRAÇOS DO TEMPO
José Carlos Moutinho
1/9/2026
Portugal
Nos braços do tempo
vão-se aconchegando
memórias.
As mais frágeis sucumbem
aos movimentos,
enquanto as mais fortes
sobrevivem.
Porque o tempo é
displicente,
não nos segura com muito cuidado
e carinho,
deixa-nos simplesmente
estar por aqui.
Há casos em que o tempo
esquece muitos daqueles
que dele foram companhia.
Abandona-os ao destino
de outra viagem,
fazendo com que percam
este tempo,
por achar que já não lhes pertence.
Assim, há que aproveitar
enquanto podemos,
usar o colo e os braços
do tempo,
porque, de repente, muito de repente,
ele, o tempo, pode
deixar-nos cair.
Sorrio ao meu tempo,
que ainda me tem em si,
com o merecido cuidado
que dele, francamente, espero.
E desejo que não me abandone
tão depressa.
Se o fizer,
garanto-lhe
que me zangarei com ele.
Sem comentários:
Enviar um comentário