José Carlos Moutinho
Portugal
Tardam os
entardeceres,
tardam os luares,
tardam as alvoradas,
tardam os momentos de paz,
tardam os instantes de felicidade.
Vivemos em
permanentes conflitos,
numa ansiedade deprimente,
que nos tolda o discernimento
e nos confunde a vivência.
Estará este
mundo transformado,
ou será a humanidade,
que na sua constante correria,
ultrapassa a capacidade de reacção
e se deixa abater pelo desânimo
e, tantas vezes, pelo desespero?
Não sei.
Sei, isso
sim,
que se perdeu muita daquela alegria
que espontaneamente se sentia
em cada dia do nosso viver,
e se transformou em apatia,
inquietude e desassossego.
Aos que foi
entregue
a condução dos destinos dos seus países,
com o dever de garantir aos povos
tranquilidade social e económica,
parecem, porém, obstinados
em destruir,
complicar,
provocar e ignorar.
Parece que
vivemos, precocemente, o apocalipse.
Pois o que
vamos vendo por aí,
neste nosso espaço terrestre,
são destruições e vandalismos,
guerras sem sentido
(como se alguma guerra o tivesse...),
perturbações que nos inquietam
quando pensamos no futuro,
que se apresenta tão incerto e assustador.

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