𝐒𝐚𝐮𝐝𝐚𝐝𝐞
𝐎 𝐪𝐮𝐞 𝐬𝐞𝐫𝐚́ 𝐞𝐬𝐬𝐚 𝐜𝐨𝐢𝐬𝐚 𝐒𝐚𝐮𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐚 𝐭𝐚𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐚𝐟𝐥𝐢𝐠𝐞 𝐬𝐞𝐮 𝐜𝐨𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨, 𝐬𝐞𝐫𝐚́, 𝐭𝐚𝐥𝐯𝐞𝐳, 𝐜𝐚𝐜𝐢𝐦𝐛𝐨 𝐝𝐚 𝐫𝐞𝐚𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐩𝐞𝐫𝐟𝐮𝐦𝐞 𝐝𝐞 𝐚𝐜𝐚́𝐜𝐢𝐚 𝐨𝐮 𝐬𝐨́ 𝐞𝐦𝐨𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐒𝐞 𝐚𝐥𝐠𝐮𝐞́𝐦 𝐬𝐨𝐮𝐛𝐞𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐫𝐞𝐬𝐩𝐨𝐧𝐝𝐚 𝐜𝐨𝐦 𝐩𝐚𝐥𝐚𝐯𝐫𝐚𝐬 𝐟𝐞𝐢𝐭𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐦𝐚𝐫𝐚𝐜𝐮𝐣𝐚́ 𝐩𝐞𝐜̧𝐨 𝐬𝐨𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐞𝐬𝐜𝐨𝐧𝐝𝐚, 𝐬𝐨́ 𝐩𝐨𝐫 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐫 𝐚𝐜𝐨𝐦𝐨𝐝𝐚𝐝𝐨 𝐧𝐨 𝐬𝐨𝐟𝐚́ 𝐉𝐨𝐬𝐞́ 𝐂𝐚𝐫𝐥𝐨𝐬 𝐌𝐨𝐮𝐭𝐢𝐧𝐡𝐨 𝟐𝟒/𝟓/𝟐𝟎𝟐𝟔domingo, 24 de maio de 2026
quinta-feira, 21 de maio de 2026
#O TRILHO E A ESSÊNCIA
José Carlos Moutinho
Portugal
12/5/2026
Corre-me nas veias um sangue antigo,
essência pura da minha longevidade;
minha mente, contudo, permanece jovem,
em perpétuos suspiros sonhadores
e asas prontas para o voo,
sem a urgência do destino.
Há em mim uma seiva efervescente,
força que ainda me projecta
para as nobres ousadias da vida.
Minhas mãos transformaram-se em armas de paz:
são o abraço que acolhe, o carinho que acalma,
e a pena com que planto no papel,
em sulcos de tinta, as minhas emoções.
Muito já percorri por caminhos e atalhos
que a existência me impôs,
naquele tempo em que a jovialidade
era a minha sombra mais fiel.
Hoje, na acalmia dos dias que se me oferecem,
consinto num passo mais lento;
pois a corrida, outrora veloz,
cedeu lugar à contemplação.
Relembro, com a serenidade de agora,
o horizonte das primeiras caminhadas,
com a ventura de as reviver a cada passo,
seguindo, em paz, o trilho
domingo, 17 de maio de 2026
#COMO SE FOSSE POEMA
COMO SE FOSSE POEMA
não quero mais ouvir o som do vento,
que me cala a voz da emoção
desejo, isso sim, sentir o murmúrio da brisa
que me incentiva a viajar pelas palavras,
aquelas que me abraçam
e me levam pelos atalhos da imaginação
como um poeta sonhador
Sim...
quero ouvir o chilrear dos pássaros
que na minha janela,
me acolhem em cada madrugada
cantando-me melodias de sonhos,
como se eu fosse, também, um sonhador
a navegar pelas marés do pensamento
numa canoa emoldurada por utopias
José Carlos Moutinho
terça-feira, 12 de maio de 2026
#SOMBRA DE MÁGOA
José Carlos Moutinho
Portugal
11/5/2026
Brotam ilusões por veredas ignotas,
tantas vezes volvidas em realidades
que perturbam até quem as idealizou.
Vive-se, então, clara euforia,
sem que, todavia,
se consinta trilhar esse destino
em desatada velocidade.
Há que se deixar ir,
na mansidão da brisa,
poupando obstáculos
e sobressaltos
que precipitem a queda.
Não obstante essa prudência,
irrompem impasses
sob ventos de contrariedade,
que desfazem,
qual espuma,
as quimeras outrora sentidas,
lavrando, inexoravelmente,
ténue sombra de mágoa.
Renda-se, pois,
ao abraço da reflexão,
e que o discernir sereno
ofereça o peso de duas vias:
o adiar nas mãos do tempo ou a renúncia.
Neste cuidar,
e sob a acalmia dos sentimentos,
ele entregou-se ao abandono;
se de modo absoluto,
só o despertar de um novo sonho
o poderá dizer.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
#MAS...
MAS…
José Carlos Moutinho
Portugal
8/5/2026
Os caminhos outrora percorridos,
sob um sol acalentador e fecundo,
iam reduzindo a distância
que mediava o início venturoso
e o seu incógnito fim.
A brisa, bafejante e incentivadora,
fazia-se presença constante
nas obras que a inspiração, em solo fértil,
ousava divulgar e criar.
Contudo, como em tudo o que é vida,
também esse sol esmoreceu;
quiçá mais célere do que o imaginado.
Os caminhos tornaram-se sombrios,
sob a dúvida de uma natureza
de cariz humano — talvez.
Mas a brisa, essa fiel amiga,
numa inspiração que não perece,
permanece ainda conciliadora.
Mas… há sempre um, «mas».
Aquele que conduz ao desalento,
à desistência e à frustração,
quando já não é possível alhear-se
da ausência do sol e das veredas
antes floridas e ridentes;
nem dos abraços imensos, colhidos
mesmo em tempos de vendaval.
Pois a vontade — essa força que anima e projecta
o pensamento e a mão para o plantio —
vai-se tornando cansada,
não pelo ofício, mas pela desilusão
de ver a procura escassear e o brilho apagar-se.
A obra perderá, então, a sua ousadia
ao procurar outras mãos que já não a buscam,
que já não a acarinham como outrora;
entregar-se-á ao silêncio plasmado no papel.
Pois o autor, esse obstinado e teimoso,
jamais deixará de libertar a sua alma
naquilo que tanto prazer lhe confere:
Escrever… escrever…
Até que a mão se fatigue por falta de eco
sexta-feira, 8 de maio de 2026
#SERIAM ABRAÇOS OU ANSEIOS
José Carlos Moutinho
Portugal
Seriam ventos ou suspiros
que naqueles tempos sopravam
ou talvez fossem simples brisas e anseios
que chegavam nos braços do sol
Sei, porém, que os sorrisos se soltavam
airosos e ligeiros como nuvens
pelos lábios daquela gente
lembro-me, também, dos abraços
que se apertavam cálidos e sinceros
como as verdades quando contraídas
perante as mentiras
Corriam soltas as palavras
de alegria e paixão
pelas searas dos encantamentos
na ânsia de uma colheita de amor
Havia, claramente, mágoas
que teimosamente
insistiam em contrariar a felicidade
mas que, a Primavera da vida,
facilmente iluminava
Então, seriam ventos ou brisas
anseios ou abraços
paixões ou amores…
direi eu,
acomodado no longe
daquele meu viver,
que, certamente, seria um pouquinho
de cada uma daquelas emoções
2026
terça-feira, 5 de maio de 2026
# Versos de saudade
neste meu nostalgico caminhar
se aquela brisa da minha idade
já se ausentou sem me animar
Sossega nostalgia, cala o tempo
deixa-me quieto neste recordar
sem choro nem sequer lamento
porque a vida tem de continuar
José Carlos Moutinho
5/5/2026
domingo, 3 de maio de 2026
#MÃE
José Carlos Moutinho
Portugal
3/5/2026
Hoje, é dia da mãe
É um dia tão especial
como especial é esse ser de enorme importância
Mãe é amor,
nos braços sempre prontos a oferecer carinho
Mãe é a força da vida
que transmite aos seus filhos
é dor no parto
e alegria no nascimento da sua cria
Mãe é aleitamento de felicidade
Que posso eu dizer mais sobre a mãe
se ela representa o que de melhor existe no mundo
que é a força e a base da humanidade
é maternidade
sorriso no sofrimento
e choro na alegria de dar à luz
Mãe, ser maravilhoso, iluminado
que ama, a quem por vezes a magoa
perdoa, quando outros incriminam
Mãe é bondade sem fim
é o beijo doce e carinhoso,
sempre pronto a oferecer
às mais belas flores do seu jardim:
seus filhos
Falar de Mãe,
faz-me sentir uma emoção profunda
lembrando-me da minha querida
e saudosa mãe,
que pela lei da vida,
há muitos anos
se ausentou de mim,
deixando-me mais pobre
pela perda do seu constante amor
beijinho enorme, minha querida mãe
Mãe…que palavra tão pequena
de uma grandiosidade ímpar…
Beijinho grande a todas as boas mães do Universo!
terça-feira, 21 de abril de 2026
#SILENCIOSAMENTE
SILENCIOSAMENTE
José Carlos Moutinho
Portugal
1/4/2026
Medito no recolhimento do meu pensamento,
enquanto a brisa me murmura palavras
de tal ordem serenas
que parecem calar o próprio marulhar das ondas,
suspensas no silêncio da maresia.
Deixo o olhar perder-se no reflexo do sol
sobre o manto azulado do mar,
sentindo-me como um vagabundo feliz
que nada mais pede ao horizonte.
Os meus anseios inquietos de outrora
regressam a mim nesta acalmia,
em jeito de voo provocador.
Todavia, a tranquilidade que agora me habita
limita-se a sorrir;
ignora, serena, a agitação das asas daquela ave
que tenta perturbar o meu momento.
A paz — esse fenómeno que parece cair em desuso
neste mundo de hipocrisias e vaidades
abraça-me
com o mesmo silêncio
que antes absorveu os meus sentidos.
Pela calçada, em frente ao paraíso onde me encontro,
passa a multidão.
Vejo vultos, desconheço rostos.
Não os ignoro por arrogância,
mas porque, nestes instantes,
sinto-me devidamente aconchegado num mundo só meu.
domingo, 19 de abril de 2026
#VERSOS REPENTINOS
VERSOS REPENTINOS
José Carlos Moutinho
Portugal
19/4/2026
Não eram rosas, tampouco cardos,
sequer seriam cravos ou até anseios
talvez fossem, isso sim, tempos pardos
plantados nos campos dos receios
Mas o tempo insistia em deixar-se levar
desiludido nos braços da desesperança
porque jamais conhecera forma de amar,
caminhava devagar, buscando bonança
E foi assim, neste constante desatinar
que sobreviveu a violentos temporais
viajando por aqui e por ali, sem parar
quarta-feira, 15 de abril de 2026
#EM JEITO DE PENSAMENTO
para deixar passar a tempestade
no silêncio do meu sentir, mergulho
nas serenas águas da neutralidade
José Carlos Moutinho
segunda-feira, 13 de abril de 2026
#SIMPLES PASSAGEM
SIMPLES PASSAGEM
José Carlos Moutinho
Portugal
Voavam-me sonhos,
pelo silêncio dos dias nostálgicos,
tais folhas matizadas de memórias,
Por vezes, ouviam-se suspiros
que eu desconhecia se seriam de saudade
ou cinzenta melancolia
Havia, ainda, aqueles suaves murmúrios
de brisas cansadas
empurradas pela inquietude do vento
como se houvesse intenção de calar…
…Calar as emoções sustidas pelo tempo,
quando, certamente, alguma mágoa
tenha ficado plasmada
em algum sentimento perturbado...
...por alguma paixão perdida e desatinada
que o tempo ainda não ausentou
daqueles corações mais sensíveis
Passavam nuvens, como plumas
em movimentos de extrema elegância
talvez, desejando lembrar
que a vida é...
simples passagem
24/2/2026
segunda-feira, 6 de abril de 2026
#PAVOROSO FILME DA VIDA
PAVOROSO FILME DA VIDA
José Carlos Moutinho
Portugal
6/4/2026
Já nada sei do que falam
nem dos sentimentos
tampouco sei se a sinceridade existe
em tanta gente
que por este mundo vocifera
e prolifera como erva daninha
nesta grande seara da vida
As colheitas da verdade perdem-se
pela força da hipocrisia e da mentira
Até as flores, antes perfumadas
deixaram de exalar a fragrância da sensibilidade
por terem sido submetidas
aos vendavais da falsidade
Nada sei, sinceramente,
onde encontrar o remanso da paz
se o momento
é de constante ribombar vozes de loucos
a arrotarem poder e maldade
Mas sei...
e muito convictamente,
de que a humanidade está perdida...
...talvez, essa perdição já venha de longe,
porém, nunca foi tão sentida,
com tanta acuidade
como agora, nestes últimos tempos,
Ou talvez seja somente
uma miragem surreal,
de um pavoroso filme da vida…
quinta-feira, 2 de abril de 2026
#MEDITAÇÃO
Meditação
Medito na acalmia do pensamento,enquanto em meu redor
voam airosas utopias
sinto o perfume inebriante do mar
que me faz pensar navegador de sonhos,
e sulcar marés ensolaradas de imaginações
até que algum porto seguro
me acolha nos seus braços de luz
e me desperte pelo beijo da paz
José Carlos Moutinho
2/4/2026
domingo, 29 de março de 2026
#NÃO TE JULGUES
NÃO TE JULGUES
José Carlos Moutinho
Portugal.
29/3/2026
Amigo, não te julgues poeta,
só porque assim te chamam
crê na realidade mais certa
menos nos que tudo aclamam
Tens de ser tu a sentir a verdade
de que tuas palavras são emoção
não basta a fantasia da saudade
para que o poema seja tua razão
Acredita que a bajulação é perigo
que espreita a quem ousa escrever,
podes não crer no que eu te digo
mas já vi tanta coisa a acontecer
Quantas vezes me pergunto eu
se acaso, esse dom é coisa minha
são tantas dúvidas no pensar meu
poesia simples é que me acarinha
quarta-feira, 25 de março de 2026
#CRIATIVIDADE
CRIATIVIDADE
José Carlos Moutinho
Portugal
2026
Que sei eu do poema,
que ainda não escrevi
talvez porque a imaginação
esmoreceu
na inquietude da responsabilidade
Pensei, pensei...
mas o poema, aquele tal de que falei
não me ofereceu a sua presença
preferindo esconder-se,
sorrindo, da minha incapacidade
Eu que pensava que dominava as emoções,
constatei agora,
perante esta atitude do poema
que ainda não nasceu
que afinal, sou um ser perdido
num labirinto de sentimentos
Teimo, sem desistir…
porque jamais, aceito que a simples
criação de um poema
me coloque nesta situação de fraqueza
Porém, olho a alva folha do papel
que na minha frente
parece desafiar-me
e volto a pegar na velha caneta
cansada de tantas lutas
obrigando-a a colaborar comigo
e eis, como que um milagre
aqueles belos caracteres vão saltitando
sob o bico da pena,
trazendo ao mundo aquele poema
que eu tanto ansiava
e ao qual dei o nome de:
sábado, 21 de março de 2026
#QUE SERÁ A POESIA?
Será a poesia feita de risos
ou de dores,
de suspiros ou de emoções,
abraços ou repúdios
ou de paixões e amores...
Será a poesia…
mentira que se deseja ler,
a invenção desassossegada
de quem a escreveu
ou o verdadeiro sentir do poeta...
Será a poesia…
jardim de elites,
ruralidade das palavras sentidas
ou léxico hermético,
intrincado e confuso
inacessível ao comum dos mortais...
Será a poesia…
fenómeno estranho
proibido à banal plebe,
incompreensível ao vulgar amante
das imaginadas palavras poéticas...
Que será afinal a poesia
e qual o seu papel
nesta babilónia de classificações
intelectualizadas,
onde toma formas e virtudes
e, eventualmente defeitos,
já que é considerada,
por alguns,
de literatura inferior?
José Carlos Moutinho
segunda-feira, 16 de março de 2026
#EU E O TEMPO
José Carlos Moutinho
Portugal
Ousadamente
foge-me o tempo
aquele a que eu, corajosamente, enfrento
Mas o tempo, de uma frieza tal
ignora todos os meus esforços
como se eu fosse banal sombra
Então, permito-me reflectir
sobre esta velocidade temporânea
e, perante a sua firmeza
rendo-me, humildemente,
ao tempo que me deixa
viver o meu tempo,
Porque por muita coragem
de que eu seja imbuído
o tempo vence-me sempre,
célere e inexorável
Ainda assim, caminho
não para o desafiar
mas para colher instantes
que ele, distraído, deixa cair
Nesses breves lampejos
sou inteiro, sou presente,
sou mais do que a sombra
que o tempo julga ver
domingo, 15 de março de 2026
#TALVEZ UM DIA...
os drones deixarem de voar
e os mísseis deixarem de matar
talvez...
este mundo de loucos
tenha a felicidade de encontrar
um caminho que nos leve à paz
e ao discernimento racional
porque...
neste mar de energúmenos
onde navegam as bestas
e emergem as bombas
que ressoam como trovoadas em desvario
onde a dor e a morte
são prazer dos irracionais
só existe a desdita como opção
talvez um dia...
apesar de eu ter partido
deste inferno tresloucado
aconteça algum milagre
que torne mais humanos os homens
que por este universo,
viveram sem escrúpulos
não como animais,
(esses têm dignidade)
mas como seres abjectos
José Carlos Moutinho
Portugal
segunda-feira, 9 de março de 2026
#LEVEZA DAS PENAS
carinhosamente como se fosses uma ilusão
mas eras simplesmente papel,
não um papel qualquer
vazio de sentimentos
perdido em algum baú repleto de nadas…
Tinhas a leveza das penas
e a emoção das palavras,
por isso te segurei com doçura
senti em ti, todo o ardor da paixão
pelas estrofes rimadas
que cresciam e floresciam
em poesia
José Carlos Moutinho
terça-feira, 3 de março de 2026
#MUTAÇÃO
José Carlos Moutinho
Portugal.
No tempo dos nadas
quando as horas se queixavam
e os minutos calavam
os segundos...
havia todo um mundo de complexidades
não provocadas pelos batimentos
rítmicos dos relógios
mas sim, pelas mentes desvairadas
que ignoravam a sensibilidade
do tempo e dos relógios,
esquecendo que os movimentos cíclicos
da vida, são linimento para dores
que podem inventar paixões
e desabrocharem amores improváveis
Perdi-me em pensamentos
que me iam levando a outrora
quando o tempo era de muitos
os segundos riam-se da lentidão dos minutos
e estes, olhavam desconfiados
para a morosidade das horas
porque a vida era diferente
as pessoas estavam imbuídas de sentimentos,
que pelos abraços se distribuíam
no calor da amizade,
da paixão e/ou do amor sentidos
É mutação dos tempos e das coisas
26/2/2026
domingo, 1 de março de 2026
#SIMPLES RECORDAÇÕES.
José Carlos Moutinho
Portugal.
Quando as horas de mim se ausentam
trago à minha lembrança
minutos de saudosismo
e recordo os filmes daquele tempo,
que eu na minha idade sonhadora
me deleitava em cada cena de amor,
saboreando cada palavra dos actores
como a mais doce das emoções...
Estão, também, na minha memória
melodias dos anos 60
do glorioso Século XX
Tudo passa, nesta passadeira do tempo,
sempre teimoso e inexorável,
sem contemplações nem arrependimentos
Resta-nos a nós, passageiros desta térrea viagem
aproveitar o melhor possível
o que nos foi dado contemplar
sorrinho âs imagens que nos povoam a mente,
tais como as de Elizabeth Taylor,Sofia Loren, Marilyn Monroe, Audrey Hepburn, Claludia Cardinalli, Rita Haworth,Gina Lollobrigida, Brigitte Bardot, Gary Cooper, Bur Lancaster, Richard Burton, Shean Connery, Steve Mcqueen, Charles Bronson, Marlon Brando e tantos outros...
ah...como recordo com saudade as músicas
dos maravilhosos anos 60: The Beatles, Rolling Stones, The Beach Boys, The Animals e ainda, Adamo, Doris Day, Brenda Lee, Silvie Vartan, Rita Pavoni, Gigliola Cinquetti, Modugno, Rick Nelson, Johnny Halliday, Jacques Brel, Aznavour, Gianni Morandi...e quantos mais...
O tempo leva-nos os dias,
mas nós, porém, teimosamente,
ficamos com as saudosas lembranças
daqueles tempos que não voltam fisicamente
mas estão sempre presentes àqueles que os desejarem.
1/3/2026
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026
#SOU VELHO E DEPOIS?
𝐒𝐎𝐔 𝐕𝐄𝐋𝐇𝐎 𝐄 𝐃𝐄𝐏𝐎𝐈𝐒?
𝐉𝐨𝐬𝐞́ 𝐂𝐚𝐫𝐥𝐨𝐬 𝐌𝐨𝐮𝐭𝐢𝐧𝐡𝐨 𝐏𝐨𝐫𝐭𝐮𝐠𝐚𝐥 𝐏𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐞́ 𝐝𝐢𝐟𝐞𝐫𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐝𝐚𝐪𝐮𝐢𝐥𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐮 𝐣𝐚́ 𝐯𝐢𝐯𝐢 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐨́𝐬 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐥𝐢𝐜𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐚𝐬𝐞 𝐭𝐮𝐝𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐞́ 𝐜𝐨𝐦𝐩𝐥𝐢𝐜𝐚́𝐯𝐞𝐥 𝐎𝐥𝐡𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐨 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨 𝐞 𝐚𝐜𝐡𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐞́ 𝐩𝐢𝐨𝐫 𝐄𝐬𝐪𝐮𝐞𝐜𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐨 𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨 𝐞́𝐫𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐣𝐨𝐯𝐞𝐧𝐬 𝐜𝐨𝐦 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬 𝐨𝐮𝐭𝐫𝐚𝐬 𝐦𝐚𝐧𝐞𝐢𝐫𝐚𝐬 𝐝𝐞 𝐞𝐧𝐜𝐚𝐫𝐚𝐫 𝐚 𝐯𝐢𝐝𝐚 𝐞 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐪𝐮𝐞 𝐚𝐠𝐨𝐫𝐚 𝐭𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐚𝐬 𝐦𝐞𝐬𝐦𝐚𝐬 𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐨𝐬 𝐦𝐞𝐬𝐦𝐨𝐬 𝐩𝐞𝐧𝐬𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨𝐬… 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨, 𝐧𝐚 𝐯𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞, 𝐞𝐱𝐢𝐬𝐭𝐞 𝐮𝐦 𝐢𝐦𝐞𝐧𝐬𝐨 𝐚𝐛𝐢𝐬𝐦𝐨 𝐞𝐧𝐭𝐫𝐞 𝐨 𝐨𝐧𝐭𝐞𝐦 (𝐩𝐚𝐬𝐬𝐚𝐝𝐨) 𝐞 𝐨 𝐩𝐫𝐞𝐬𝐞𝐧𝐭𝐞 (𝐡𝐨𝐣𝐞) 𝐄𝐬𝐭𝐚𝐦𝐨𝐬 𝐜𝐚𝐧𝐬𝐚𝐝𝐨𝐬 𝐞 𝐠𝐚𝐬𝐭𝐨𝐬, 𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐝𝐢𝐠𝐨 𝐯𝐞𝐥𝐡𝐨𝐬, 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐧𝐚̃𝐨 𝐨𝐟𝐞𝐧𝐝𝐞𝐫 𝐬𝐮𝐬𝐜𝐞𝐩𝐭𝐢𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞𝐬 𝐏𝐨𝐫𝐞́𝐦, 𝐯𝐞𝐣𝐨-𝐦𝐞 𝐥𝐚́ 𝐥𝐨𝐧𝐠𝐞 𝐧𝐮𝐦 𝐭𝐞𝐦𝐩𝐨 𝐪𝐮𝐞 𝐦𝐞 𝐬𝐨𝐫𝐫𝐢𝐚 𝐞 𝐞𝐮 𝐬𝐨𝐫𝐫𝐢𝐚-𝐥𝐡𝐞 𝐇𝐨𝐣𝐞, 𝐯𝐞𝐣𝐨-𝐦𝐞, 𝐜𝐨𝐦 𝐫𝐮𝐠𝐚𝐬, 𝐬𝐨𝐫𝐫𝐢𝐬𝐨 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐞𝐬𝐦𝐚𝐢𝐚𝐝𝐨 𝐭𝐚𝐥𝐯𝐞𝐳 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐜𝐚𝐧𝐬𝐚𝐜̧𝐨 𝐩𝐨𝐫𝐪𝐮𝐞 𝐞𝐬𝐭𝐨𝐮 𝐯𝐞𝐥𝐡𝐨… …𝐞, 𝐬𝐢𝐧𝐜𝐞𝐫𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐞, 𝐢𝐬𝐬𝐨 𝐧𝐚̃𝐨 𝐦𝐞 𝐢𝐧𝐪𝐮𝐢𝐞𝐭𝐚 𝐦𝐮𝐢𝐭𝐨 𝐩𝐞𝐥𝐨 𝐜𝐨𝐧𝐭𝐫𝐚́𝐫𝐢𝐨 𝐫𝐞𝐠𝐨𝐳𝐢𝐣𝐚-𝐦𝐞 𝐩𝐫𝐨𝐬𝐬𝐞𝐠𝐮𝐢𝐫 𝐧𝐞𝐬𝐭𝐚 𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐜𝐚𝐦𝐢𝐧𝐡𝐚𝐝𝐚 𝐞 𝐟𝐞𝐥𝐢𝐳, 𝐩𝐨𝐫 𝐭𝐞𝐫 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐞𝐠𝐮𝐢𝐝𝐨 𝐜𝐡𝐞𝐠𝐚𝐫 𝐚 𝐯𝐞𝐥𝐡𝐨. 𝟐𝟔/𝟐/𝟐𝟎𝟐𝟔
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
#TRISTEZA RIMA COM BELEZA
TRISTEZA RIMA COM BELEZA
José Carlos Moutinho
Portugal
As imagens do passado
escondem-se
nas folhas matizadas do tempo,
enquanto a chuva lava frustrações
Depois, nos dias ensolarados
quando os cintilantes raios das ilusões
florescem na acalmia dos instantes
em sofridos corações
carentes de abraços...
é que renascem as esperanças
no silêncio dos anseios
coloridos pelos murmúrios
de um futuro desconhecido
Então…
talvez seja chegado o momento
em que a serenidade se plante
nos jardins ausentes de quietude
e neles, finalmente, crepite
o perfume das realizações
Todavia,
se as intempéries das possibilidades
recusarem acalmar
sentimentos esmorecidos
pelo humor da desesperança…
Quiçá, seja a poesia
através das metáforas acalentadoras
a solução para transformar a rima
da tristeza em beleza.
18/2/2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
#NÃO ME IMPORTA
NÃO ME IMPORTA
José Carlos Moutinho
Portugal
10.2.2026
Neste meu silêncio
navegam-me pensamentos
pelo mar das minhas emoções
em beijos de maresia
Sulcam-me ardorosos anseios
nas ondas do meu sentir
remadas pelas ilusões do tempo
E o horizonte ali tão perto
convidando-me ao toque
estendo meu braço
abro minha mão
sinto os dedos tocarem o azul celeste
do céu infinito
que se humedecem com o azul marinho,
do mar imenso
Será real, será imaginação
este prurido que me corre pelas veias
e me deixa numa doce letargia?
Francamente, não me importa
permito-me continuar esta viagem
de prazer e nostalgia
como se o mar e o céu fossem meus
embora acomodados nos lençóis
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026
# ARRUACEIROS
que te leva a essa excitação enlouquecida
actuas estranhamente, sem quaisquer peias
perdes noção da realidade, és alma perdida
Acalma-te, ó ser desequilibrado
porque a vida são somente dois dias
ainda que, por acaso, estejas pedrado
nada justifica essas tuas manias
Provocas desordens gratuitamente
sem o menor pejo nem responsabilidade
se te julgas superior, não és realmente
és simplesmente alguém com vulgaridade
José Carlos Moutinho
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
# 𝐂𝐡𝐞𝐠𝐚 𝐝𝐞 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐚
𝐬𝐞 𝐧𝐨́𝐬, 𝐩𝐨𝐛𝐫𝐞𝐬 𝐡𝐮𝐦𝐚𝐧𝐨𝐬 𝐬𝐨𝐟𝐫𝐞𝐦𝐨𝐬
𝐜𝐨𝐦 𝐭𝐚𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐞 𝐭𝐚𝐧𝐭𝐚𝐬 𝐜𝐚𝐬𝐚𝐬 𝐚𝐨 𝐥𝐞𝐮
𝐧𝐞𝐬𝐭𝐞 𝐝𝐞𝐬𝐚𝐛𝐚𝐫 𝐪𝐮𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐪𝐮𝐞𝐫𝐞𝐦𝐨𝐬
𝐐𝐮𝐞 𝐟𝐢𝐳𝐞𝐦𝐨𝐬 𝐧𝐨́𝐬, 𝐨́ 𝐃𝐞𝐮𝐬 𝐝𝐚 𝐜𝐡𝐮𝐯𝐚
𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐦𝐞𝐫𝐞𝐜𝐞𝐫𝐦𝐨𝐬 𝐭𝐚𝐥, 𝐝𝐮𝐫𝐨 𝐜𝐚𝐬𝐭𝐢𝐠𝐨
𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐞𝐢𝐱𝐚 𝐢𝐦𝐞𝐧𝐬𝐚 𝐠𝐞𝐧𝐭𝐞 𝐚𝐬𝐬𝐢𝐦 𝐟𝐮𝐥𝐚
𝐩𝐨𝐢𝐬 𝐦𝐚𝐠𝐨𝐚 𝐚 𝐪𝐮𝐞𝐦 𝐩𝐞𝐫𝐝𝐞 𝐚𝐛𝐫𝐢𝐠𝐨
𝐉𝐨𝐬𝐞́ 𝐂𝐚𝐫𝐥𝐨𝐬 𝐌𝐨𝐮𝐭𝐢𝐧𝐡𝐨
# 𝐕𝐞𝐫𝐬𝐞𝐣𝐚𝐧𝐝𝐨...𝐨𝐮 𝐧𝐚̃𝐨
Soubesse eu escrever poemas,
faria um que mostrasse ao mundo,
como acabar com tantos dilemas
tão rapidamente como um segundo
Como não sei escrever essa coisa
fico-me por aqui em imaginações
enquanto escrevo na negra lousa
estrofes das minhas inquietações
José Carlos Moutinho
18/2/2026
terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
#QUE AS PALAVRAS SE REVOLTEM
QUE AS PALAVRAS SE REVOLTEM
José Carlos Moutinho
Portugal
Deixa que as palavras se revoltem
por instantes,
sabes que, de repente,
assim como quem nada quer,
consegues controlá-las
a teu bel prazer
Quando as palavras ousam alterar
o seu comportamento,
é porque desatinaram
com o uso que lhes dás
Tenta mudar o teu estilo
ou modo de as usares
e verás, assim, num repente,
como quem tudo quer,
que elas obedecer-te-ão
docilmente
As palavras, são ternura
há nelas todo um mundo
de fantasia e carinho…
sabemos, claro, que, também,
poderão tornar-se violentas
mas como já te disse
serás tu, sempre,
o culpado das suas atitudes
13/2/2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
#AH, COMO ERA BOM
José Carlos Moutinho
Portugal
18/1/2026
Ah, como era bom aquele tempo
de pensamentos vadios e irreverentes
que pelas nossas cabeças adolescentes
voavam como gaivotas em desatino
Claro que tudo passa nesta vida
que só o tempo controla
e que nos deixa reféns da sua vontade
Mas nós, seres resilientes,
temos obrigação
de lutar contra o esquecimento
renovando a cada instante
os flashes da nossa memória
Deixar que o esquecimento nos domine
é perder uma batalha
à partida já perdida
denotando uma fraqueza
que jamais deverá existir
enquanto nosso coração bater
e a mente estiver bem viva…
Portanto, viva a vida
viva a lembrança do passado
e nunca deixemos de sorrir ao futuro…
Futuro que, veloz, se aproxima
e que, a cada ano que por nós passa,
Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas
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