O RIO DO MEU PENSAMENTO
José Carlos Moutinho
Portugal
24/5/2026
Soubesse eu entender-me
com as metáforas,
e fá-las-ia dizer-me do seu pensar
e a razão de vestirem
tantas imagens,
por vezes tão distantes
da realidade.
Mas como, francamente,
me falta essa arte,
deixo-me levar
na minha ciente ignorância
por outros caminhos;
daqueles em cujas margens
florescem sonhos
engalanados de acácias
e perfumados por ilusões
que, porventura,
se semeiam na minha mente.
Assim vou, devagarinho, por aí,
qual vagabundo perdido em utopias,
porém de alma cheia
e coração vibrante,
abraçado à ânsia
que me pulsa no peito
e me sussurra desejos
— e medos, também.
Medos… de me perder no vazio das ideias,
catapultado por quimeras
fantasiosas e
presunçosas
que me façam parecer
o que certamente não sou.
Então, na acalmia deste meu divagar,
em simbiose de anseios e sorrisos,
vou lavrando palavras singelas,
isentas de gargalhadas loucas,
mas serenas...
como as águas do rio
que corre, mansamente,
que me façam parecer
o que certamente não sou.
Então, na acalmia deste meu divagar,
em simbiose de anseios e sorrisos,
vou lavrando palavras singelas,
isentas de gargalhadas loucas,
mas serenas...
como as águas do rio
que corre, mansamente,
no meu pensamento.
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