O VENTO
José Carlos Moutinho
Portugal
20/8/2026
Em silêncio vi o vento passar,
gritando o seu descontentamento;
inquiri a razão do seu desatinar,
não replicou — porque era vento.
Não gostei daquela arrogância,
como se fosse atitude humana;
desanimou-me tal deselegância,
irritou-me a sua forma profana.
Bem sei que o vento não fala,
pelo menos eu não o entendo;
todavia, quem escuta e se cala,
é mudo ou estará se excedendo?
Fiquei a pensar nesta questão,
até cheguei a pensar ser louco,
acreditando ter perdido a razão,
com meu gritar até fiquei rouco.
Acabei por desistir da confusão
que na minha cabeça nascera;
acalmei o meu inquieto coração
e, com este rimar, tudo esquecera.

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