NÃO SE PERCAM
José Carlos Moutinho
27/7/2026
Portugal.
Pergunto-me por que escrevo
se publicar livros já desisti.
Talvez para que fiquem na gaveta
e algum dia alguém os descubra,
quando a minha ausência for sentida.
Será tudo isto perda de tempo,
ou servirá esta azáfama da escrita
para que a mente não se acomode
na acalmia do raciocínio
nem se perca no marasmo da inconsciência?
Francamente, não sei.
Não consigo controlar esta força
que move os meus dedos,
desperta-me a imaginação
para que as minhas palavras
não se percam no abismo da inexistência.
Confesso...
que, apesar desta minha inquieta dúvida,
permito-me o prazer
de construir mundos de ilusões
e também de verdades...
...e quando olho o papel, antes vazio,
agora colorido de ideias e sentires,
orgulho-me deste meu singelo feito.
Assim, até que um dia,
aquele dia que todos tememos,
me force a parar,
marcando, nesse instante,
o meu silêncio...
...e se calem, comigo,
as palavras
que nunca deixaram de me procurar.
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