domingo, 25 de outubro de 2026

# POVO MEU

 POVO MEU

Oh, povo meu, eternamente sofredor,

creio que retrocedemos àquele tempo
em que não existia o direito nem o amor,
quando só havia lugar para o lamento.

Antes, manifestação, nem sequer pensar,

porque a bordoada era o que mais havia;
hoje, sem menor dúvida, estamos a igualar
o tempo em que a revolta se reprimia.

Porquê tanta violência perante a calma,

se aqui não se segue o exemplo de lá de fora?
O povo, embora jovem, tem nobreza d’alma;
na contestação, não enfrenta, mas chora.

Governantes calam o dever da resposta

ao povo que, lamentavelmente, os elegeu
e que agora apenas reclama uma proposta
para resolver problema que também é seu.

Infelizmente, somos um país de carências,

nem todos têm garantido o seu sustento;
salários míseros, de gritantes indecências,
que pagam a renda, mas não o alimento.

Património desaproveitado tem o Estado,

sem capacidade para resolver o problema;
deixam que o povo se lixe, olham pro lado,
evitando uma solução para este tema.

Sempre achei que aos políticos falta coração;

não gosto de política, tampouco de partido.
chegando ao poder, esquecem a obrigação
de acabar com a miséria deste povo sofrido.

José Carlos Moutinho

25/10/2026

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Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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