QUANDO ME APERCEBO
José Carlos Moutinho
18/10/2026
Portugal
Quando me apercebo
já se passaram tantos anos.
Olho o futuro indistinto,
ofuscado pelo passado brilhante,
e já nada me agrada.
Este presente que se me cola aos poros
traz-me tantas inquietações
que me assustam
e me levam a questionar a sua razão.
Há vozes dissonantes,
descontroladas, agressivas,
como se a exaltação fosse a regra
deste louco viver
em que estamos inseridos.
Perderam-se os bons modos,
aquelas atitudes empáticas
que já existiram noutros tempos,
dando agora espaço à turbulência,
à desunião e à falta de senso.
Talvez seja a política
que tudo vai transformando,
com governantes impreparados,
mas arrogantes,
usando a presunção como meio
de controlo.
Ou será a humanidade
possuída de algum mistério
que a faz transtornar-se
e seguir por caminhos de desassossego?

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