domingo, 25 de outubro de 2026

#QUANDO ME APERCEBO

 

QUANDO ME APERCEBO
José Carlos Moutinho
18/10/2026
Portugal

Quando me apercebo

já se passaram tantos anos.
Olho o futuro indistinto,
ofuscado pelo passado brilhante,
e já nada me agrada.

Este presente que se me cola aos poros

traz-me tantas inquietações
que me assustam
e me levam a questionar a sua razão.

Há vozes dissonantes,

descontroladas, agressivas,
como se a exaltação fosse a regra
deste louco viver
em que estamos inseridos.

Perderam-se os bons modos,

aquelas atitudes empáticas
que já existiram noutros tempos,
dando agora espaço à turbulência,
à desunião e à falta de senso.

Talvez seja a política

que tudo vai transformando,
com governantes impreparados,
mas arrogantes,
usando a presunção como meio
de controlo.

Ou será a humanidade

possuída de algum mistério
que a faz transtornar-se
e seguir por caminhos de desassossego?

Não sei a razão,

além da minha consciente análise
de que o presente é conflituoso,
indigente, cruel e indiferente
a tanto sofrer
de gente que nada faz
para merecer tal castigo.

 


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Entrevista com Planeta Azul, editora de Calemas

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